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O Lobo Atrás do sucesso
CINÉFILOS
04 jun 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Thiago Castro
thiagocastro96@gmail.com

O cenário cinematográfico brasileiro é marcado por comédias e os velhos estereótipos de filmes sobre periferia e sertão nordestino. Porém, esse panorama está mudando. O Lobo atrás da porta, um thriller de tirar o fôlego, traz novos ares para as produções nacionais. Com excelentes atuações e um roteiro primoroso, a estreia do diretor Fernando Coimbra tem tudo para ser a grande aposta de 2014.

O filme se passa no subúrbio carioca, onde a filha de Silvia (Fabíola Nascimento) é sequestrada por uma mulher na creche. Na delegacia, o desespero da mãe é cada vez maior, e o pai da menina, Bernardo (Milhem Cortaz), é chamado para depor. Ele declara que Rosa (Leandra Leal), sua amante, é a principal suspeita do crime. Após diversas histórias contraditórias e diferentes pontos de vista, Rosa dá seu depoimento, que unirá todas as peças do quebra-cabeça e contará a sua história de amor, obsessão e vingança.

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O sequestro da menina serve como pano de fundo para o romance extraconjugal de Bernardo e Rosa. Segundo o diretor Fernando Coimbra, o roteiro foi inspirado no famoso caso da “Fera da Penha”, no qual uma mulher, no Rio da década de 60, raptou a filha de seu amante. Essa semelhança com a realidade é, justamente, um dos grandes destaques do filme. O roteiro é extremamente humano, onde as relações pessoais e amorosas são escancaradas e mostradas na sua essência e suas contradições. Bernardo e Rosa se conhecem em uma estação ferroviária do rio, mas poderia ser em qualquer cidade, com qualquer pessoa.

O ponto alto da trama são as excelentes atuações. Leandra Leal, mais uma vez, está excepcional. Ela consegue transmitir toda a complexidade da protagonista, sem cair no clichê. Em coletiva de imprensa, ela declarou  “O roteiro é muito atraente, e eu estava pronta para o papel”. Rosa se envolve com Bernardo, mas logo essa relação se torna algo obsessivo e doentio. Não sabemos suas reais intenções. Certa vez, declara para seu parceiro que comprou uma arma. Diante do desespero dele com a notícia, ficamos em dúvida se ela realmente comprou ou não. O mesmo acontece quando ela diz que toma anticoncepcionais. Será verdade? Essa aura de mistério envolve o espectador de forma eficiente. Se por um lado achamos que Rosa é apenas uma “vítima” de um cafajeste sedutor, logo percebemos que ela também é manipuladora.

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Milhem, por sua vez, também atua muito bem. Ele consegue imprimir no personagem a sensibilidade e humanização necessárias, sem cair no estereótipo do pai de família machão que só pensa na busca de sexo fora do casamento. A química do casal funciona muito bem. Leandra conta que foi excelente trabalhar com Milhem pois ele faz piadas e consegue suavizar o estresse nas cenas mais difíceis.Merece destaque também a atuação deThalita Carauta (personagem de Bete) que confere a dose de humor necessária para aliviar a tensão do filme.

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As técnicas de câmera contribuem com a construção do roteiro. Trabalhando em closes e focando em diálogos, deixa o filme mais intimista, como se o espectador fosse o voyeur do casal. A história de Bernardo e Rosa vai se deteriorando lentamente. A relação é levada ao extremo, onde o ciúme e obsessão se tornam recorrentes.

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O filme termina de maneira épica e surpreendente. Até onde alguém é capaz de ir por um ato de vingança? Qual é o limite entre o humano e o psicopata? O diretor Fernando Coimbra considera Rosa uma personagem humana. Ela é alguém comum, mas foi capaz de um ato terrível, de uma maldade que talvez esteja adormecida nas profundezas de cada um de nós.

O Lobo atrás da porta tem previsão de estreia em 60 salas, nas principais capitais do país. Já ganhou prêmios como Toronto International Film Festival e o Havana International Film Festival, além de melhor atriz para Leandra leal no Festival do Rio 2013. O diretor aposta no boca a boca para divulgar o filme, e na boa recepção da crítica. É difícil pontuar aspectos negativos. O longa tem um roteiro muito bem construído, com atores selecionados que se encaixam perfeitamente no papel, e tem tudo para agradar o público brasileiro, mesmo aquele mais acostumado com os velhos estereótipos.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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