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O Manicômio: nem tudo é o que parece
CINÉFILOS
03 jan 2019 | Por Cinéfilos

Um grupo de jovens inconsequentes buscando perigo, um local mal assombrado e algumas câmeras. Parece ser a fórmula padrão de qualquer filme de terror clichê, com os mesmos personagens burros sempre perguntando “quem está aí?”. De início, o filme alemão O Manicômio (Heilstätten, 2018) parece ser somente isso, mas consegue inovar um pouco, surpreendendo no final.

Tudo começa com um desafio feito entre canais do YouTube, que consiste em ficar 24 horas dentro de um local mal assombrado. Assim, os amigos combinam de invadir um manicômio perto de Berlim, para filmar as experiências paranormais que vivenciassem e postá-las na internet. Os primeiros acontecimentos, porém, fazem com que sete pessoas se vejam presas no prédio.

O manicômio da história foi construído no século XIX e tratava na verdade de enfermidades como a tuberculose pulmonar. Ele foi cena de vários crimes contra a humanidade e mortes, de forma que havia várias lendas sobre o lugar e entidades que lá habitavam.

(Imagem: Schmerbeck Filmproduktion/20th Century Fox)

Tudo começa da forma esperada. Os amigos chegam até o manicômio ainda sob a luz do dia e as cenas são claras e barulhentas, como se dissessem ao espectador que ainda não é hora de ficar tenso, que ainda está tudo bem. Coisas estranhas começam a acontecer, mas não passam de alarmes falsos. Os alívios cômicos existem, mas não são geniais ‒ talvez por se mostrarem um pouco apelativos ou não aparecerem em momentos oportunos.

Quando o terror de fato começa, percebe-se que o filme está repleto de tensão, suspense e até de uma certa agonia. Isso pois a maioria das cenas mostradas são filmadas pelos youtubers. Assim, em vários momentos são mostrados cômodos vazios e silenciosos, deixando o espectador curioso e tenso pelo que está por vir. Um estilo de terror muito parecido com a série de filmes Atividade Paranormal, por exemplo. As câmeras tremem e fazem ruídos, o que confere maior verossimilhança ao longa.

Também existem alguns sustos muito bem colocados ao longo da história. Sustos podem parecer clichê, mas quando são de fato inesperados, como alguns em O Manicômio, se tornam um rico adereço aos filmes de terror.

Por falar em clichês, vários foram reproduzidos durante o longa. Todos seguem o perigo e tomam decisões ruins, e o carro não liga quando os mocinhos decidem fugir. Outro detalhe comum é o fato de os personagens não serem nada bem desenvolvidos ao longo da trama. Não cativam e são realmente estúpidos a ponto de desejarmos que sejam logo mortos por algum ser sobrenatural do manicômio.

(Imagem: Schmerbeck Filmproduktion/20th Century Fox)

O contexto no qual se passa a história também é muito interessante e contribui para a verossimilhança. O Manicômio trata de influenciadores digitais, utilizando câmeras e smartphones, o que faz com que principalmente os mais jovens se identifiquem. Até o medo sentido é mais real, pois as situações parecem mais próximas do espectador.

Ao falarmos de um clássico como O chamado (The Ring, 2002), por exemplo, já temos um cenário completamente diferente. Agora, em 2018, ninguém tem muito medo de encontrar e assistir por aí um VHS macabro. Essa contextualização pode também ser algo ruim, exatamente pela possibilidade do filme envelhecer muito rapidamente no futuro. De imediato, porém, ela é bastante positiva, não só por contribuir para a verossimilhança e o terror, mas por trazer algumas críticas interessantes sobre a contemporaneidade, o que é com certeza um ponto forte do filme.

Os jovens da história estiveram dispostos a arriscar suas vidas por novas inscrições e likes no YouTube. Até onde uma pessoa pode ir pela fama? Precisamos filmar e compartilhar tudo o tempo todo? Precisamos ser sempre bonitos? Essas reflexões são todas suscitadas por O Manicômio, que, para além do suspense, ridiculariza a cultura superficial existente na internet, na qual vale tudo para conseguir a atenção dos outros.

Apesar de possuir um enredo bastante previsível em sua maior parte, o filme traz um final um tanto disruptivo e que pode dar um verdadeiro nó nas cabeças dos espectadores. Quando terminar, você provavelmente vai estar tentando entender o que aconteceu ali, o que causou todos os acontecimentos da história e quem é o verdadeiro vilão. Você acredita em maldições e espíritos? Não importa qual a sua resposta para essa pergunta, O Manicômio fará você sentir alguma coisa.

Por Marina Caiado
marinafcaiado@usp.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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