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O patriotismo não convencional de Snowden – Herói ou Traidor
CINÉFILOS
12 nov 2016 | Por Jornalismo Júnior

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Todo mundo já ouviu falar de Edward Snowden. Desde 2013, seu paradeiro e tudo o que ele revelou para mídia foram amplamente divulgados. Ao apresentar informações ultrassecretas sobre abusos do governo americano com relação a monitoramento e segurança – inclusive a presidente Dilma e a Petrobras são citadas claramente no filme -, foi o suficiente para aumentar a já em crise gestão Obama, que ainda teve que enfrentar a tensão geopolítica gerada com outros países. Mas, ofuscado pelas revelações bombásticas que fez, poucas pessoas pararam para ver quem “Ed” realmente era e porque agiu como agiu. Para contar essa história, o premiado diretor Oliver Stone (Platoon, JFK – A pergunta que não quer calar, O Expresso da Meia-Noite) fez Snowden – Herói ou Traidor (Snowden, 2016) humanizando a figura do ex-agente e assumindo claramente uma visão: a de que ele é um herói americano – aliás, o título em português errou ao sugerir uma dúvida que não existe no filme.

Baseado em biografias sobre Snowden e tendo o aval do próprio ex-espião – que se encontrou 3 vezes com o diretor, e numa dessas vezes, o ator Joseph Gordon-Levitt também estava presente -, o longa conta toda a trajetória de Ed até chegar na NSA (Agência de Segurança Nacional). Vindo de uma família tradicional, em que o pai era oficial da guarda costeira e o avô foi do FBI, Snowden queria inicialmente fazer parte do exército americano, mas, após ser dispensado por problemas na perna, resolveu que serviria a sua nação usando outras armas, com as quais tinha até mais afinidade: as digitais. Porém, ao descobrir que a NSA não monitora apenas suspeitos, mas sim todos os celulares existentes no mundo, e que a privacidade de ninguém está assegurada – seu “professor/mentor” nos treinamentos, Corbin O’Brian (Rhys Ifans), ainda com os fantasmas do 11 de setembro bem presentes, chega a afirmar que “os americanos não querem liberdade, querem segurança” – ele toma a decisão de largar a estabilidade da vida que levava para tornar essas informações públicas.   

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O longa também utiliza outro plano para narrar sua história: quando Snowden vai discretamente até Hong-Kong revelar todas as informações que roubou da NSA para jornalistas (representados por Zachary Quinto e Tom Wilkinson) e para a documentarista Laura Poitras (Melissa Leo), que utilizou as filmagens no premiado documentário Citizenfour.

Joseph Gordon-Levitt (500 Dias Com Ela, A Origem) interpreta Snowden com um cuidado que faz de sua atuação um dos pontos altos do longa. Com um timbre de voz diferente do seu natural, mais baixo e grave – característica que ele captou do encontro com o próprio ex-espião  -, seu Snowden convence, é firme e contundente dentro de seus princípios. Uma das características mais interessantes que o roteira prioriza no personagem é o patriotismo: no início, aqueles bem nacionalistas, que não apontam nem os erros claros de seu próprio país. Mas, ao decorrer do longa, através do contato com visões mais liberais como a de sua namorada Lindsay (Shailene Woodley) e até mesmo a de seu professor Corbin – “Não é preciso concordar com seus políticos para ser um patriota” -, Snowden começa a amadurecer seus conceitos, e é a partir daí que decide que todos os cidadãos possuem o direito de saberem que são monitorados. A cena que deixa mais evidente o quanto suas decisões são baseadas no patriotismo é quando um programa, que mostra a quantidade de dados reunidos de cada país do mundo, expõe que a NSA coleta mais informações dos próprios americanos do que de países “inimigos” como Rússia ou China. Snowden fica tão espantado com aqueles dados que chega a relatar sua indignação – antes, sempre contida para ele mesmo – com os colegas de agência e a confessar que não entende o porquê dessa super vigilância aos cidadão comuns americanos. Ele já sabia do monitoramento antes, mas é ali que ele decide de uma vez copiar as informações para expô-las. Apesar de ter um panorama geral do absurdo, que abrange todo o mundo, a maior preocupação é claramente com os seus.  

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Snowden – Herói ou Traidor é um bom filme. Apesar das tomadas simples, que não inovam, seguindo um estilo documental – o que não se espere do diretor de Platoon -, ele é eficiente em contar o que se propõe, mesmo sendo menos empolgante que outros do mesmo gênero como A Rede Social (The Social Network, 2010). Longo, ele se encerra com uma cena em que aparece o próprio Snowden fazendo um discurso de como defende a liberdade e outros princípios que “fundaram a sua nação”. Mesmo indo contra a opinião do americano médio, que considera o ex-agente um traidor covarde por ter quebrado um juramento de sigilo e ainda fugido, o longa não poupa esforços para converter totalmente essa imagem. Qual posição está correta, cabe a cada um julgar.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=0105x3llAcA

por Ingrid Luisa
ingridluisaas@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Juliana
que texto maravilhoso!!!!
10 abr 2017
 
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