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O quase sucesso de Ao Cair da Noite
CINÉFILOS
21 jun 2017 | Por Jornalismo Júnior

Ao Cair da Noite (It Comes At Night, 2017) é um filme sem propósito. Com grande potencial, ele apresenta vários elementos que não são bem desenvolvidos durante a trama. O enredo gira em torno de uma família em um mundo apocalíptico: uma doença (algo entre peste bubônica e lepra) se espalhou e está matando grande parte da população. Por isso, Paul (Joel Edgerton) faz de tudo para proteger sua esposa Sarah (Carmen Ejogo) e seu filho Travis (Kelvin Harrison Jr).

Entretanto, no meio de uma noite, um estranho entra na casa à procura de comida e água. Paul o prende e o interroga até que decide ajudar Will (Christopher Abbott) e sua família. É aí que a história realmente começa. Ou deveria.

A partir daí, o longa se arrasta para chegar a lugar nenhum. O diretor consegue criar uma enorme tensão com iluminação baixa e música de terror, mas isso desemboca no mesmo lugar do início, fazendo com que o enredo seja cíclico. Entretanto, diferentemente do ciclo de Graciliano Ramos em Vidas Secas que tem objetivo de crítica, em Ao Cair da Noite, a intenção não fica clara. Além disso, o longa não faz jus ao próprio título, pois nada de especial acontece à noite na história.

Entre os elementos mal explicados, o mais importante é a doença que assola a região, a qual o espectador não chega a saber qual é, nem como surgiu. Tudo o que é mostrado em relação a essa patologia é que ela leva o afetado a desenvolver feridas na pele e, possivelmente, é transmitida pelo ar e pelo toque, já que os personagens não infectados usam máscaras e luvas para se protegerem.

Porém, aspectos positivos do longa se encontram na produção. O enquadramento da câmera é muito bem usado a fim de dar a sensação de confinamento, deixando-nos claustrofóbicos e causando maior imersão. Outro ponto interessante é a transposição das cenas na montagem, em que as formas e as sombras se encaixam, gerando um efeito bem apresentado. A questão psicológica abordada no longa, com a presença dos pesadelos perturbadores de Travis, também é bem interessante. Entretanto, o final banal e sem explicações tira todo o propósito dos bons elementos do enredo.

A atuação é outro assunto que merece destaque. Todos os atores entregam uma dramatização interessante nas cenas, mas Joel Edgerton, como Paul, e Riley Keough, como Kim, esposa de Will, roubam a cena com suas ótimas performances. Apesar disso, a personagem de Riley é pouco aproveitada, deixando o espectador com vontade de conhecer melhor essa personagem que tanto intriga durante o filme.

O longa dirigido por Trey Edward Shults transita em um limbo entre o suspense e o terror e poderia ser brilhante se não fosse por seu final insosso.

Ao Cair da Noite estreia no Brasil no dia 22 de junho. Confira o trailer:

Por Maria Carolina Soares
mcarolinasoares@uol.com.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Laura
Ao Cair da Noite é um dos melhores filmes de terror lançados na programação da HBO. O filme tem uma história capaz de despertar em outras pessoas o medo e o terror, causa calafrios e arrepios na espinha. Eu acho que para quem curte filmes de terror, quanto maior o susto e maior o frio na barriga, melhor. É por isso que eu gosto muito do filme, eu acho que é um dos mais assustadores de todos os tempos! Eu já assisti muitas vezes, mas ainda até hoje eu e quem assiste fica com muito medo.
30 out 2018
 
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