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O que é ser fã pop na Internet
Escuta Aí
24 dez 2013 | Por Jornalismo Júnior

13/12/13: o dia em que Beyoncé parou o mundo da música. Enquanto boa parte do Ocidente ainda estava dormindo, a cantora lançou no iTunes seu quinto álbum de estúdio, intitulado “Beyoncé”. Liberadas sem anúncio algum, todas as músicas foram acompanhadas da prévia de seus respectivos videoclipes. Durante os intervalos de sua turnê The Mrs. Carter World Tour, a cantora conseguiu arranjou tempo para gravar as 14 músicas e 17 vídeos. Lady Gaga, Katy Perry e Britney Spears também lançaram seus discos, cada uma pensando em uma sua própria estratégia de divulgação. No mesmo ano em que um caminhão dourado passeou pelas ruas dos Estados Unidos e uma “artRave” foi realizada para promover álbuns, Beyoncé conseguiu mais uma vez ser assunto no Twitter e inundar o Facebook de meio mundo, agradando (e muito), aos fãs.

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Beyonce no clipe de “Drunk In Love”, uma das músicas do novo álbum de Beyoncé que rendeu vídeos. Nele, a cantora aparece ao lado de Jay-Z, rapper e também marido. Foto: Divulgação

Dos fã-clubes e pôsteres pendurados nos quartos, ser fã na era das mídias sociais é seguir o máximo de páginas relacionadas à diva preferida ou ter mais de 75% de seus tweets com pelo menos uma referência de alguma música. No YouTube, o algoritmo do site já sabe que as chances de procurar o novo clipe lançado ou a última apresentação é alta e logo a página inicial já é grande um convite. Podemos falar também do fenômeno das fanbases, que ganharam visibilidade quando a contora Lady Gaga se intitulou “Mother Monster” no lançamento de seu segundo disco, “The Fame Monster” e apelidou carinhosamente os seguidores de monstrinhos. Surgiram então katycats, lovatics, britfans, selenators, barbs e tantas outras fanbases que construíram verdadeiras comunidades online, espaços de troca de experiências e de admiração pelo ídolo.

E não foram só os fãs que viram o relacionamento com a música mudar, mas os artistas perceberam que a internet expande e muito as possibilidades de chamar atenção para o trabalho e fidelizar o público. Antes de lançar seu último disco, “PRISM”, Katy Perry divulgou vários teasers que insinuavam uma fase mais “dark” para o novo trabalho, porém, foi “Roar” que atendeu aos anseios de quem ainda prefere a californiana mais divertida. Gaga é conhecida por ter saber utilizar a internet muito bem para interagir com os fãs, tanto é que a cantora criou a própria rede social, Little Monsters, para troca de mensagens, desenhos, fotos e vídeos. Björk, Jay-Z, e Gaga (quem mais perderia a chance?) também apostaram na transmidialidade de seus trabalhos e lançaram seus respectivos aplicativos para iOS e Android.

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Homepage do Lady Gaga Brasil, maior portal no país dedicado à cantora. Foto: Reprodução

Nesse mar de possibilidades, não podemos esquecer do Twitter e do Facebook como importantes ferramentas para os fãs se relacionarem. Lucas Alvarenga é fã de Lady Gaga e desde 2010 passou a usar sua conta no Twitter de forma direcionada a cantora: seus tweets são sobre novidades e lançamentos de músicas, trechos de entrevistas, fotos e algumas brincadeiras sobre ela também. “Tenho costume de expor minhas opiniões e interpretações de músicas e performances da Gaga, então gosto de ver o reconhecimento das pessoas. Também dessa forma, passei a conhecer bastante gente e hoje, alguns posso realmente chamar de amigos”, conta. A partir daí, ele diz que perdeu a noção do número de pessoas que seus posts alcançavam.

Apesar de costumar fazer piadas ridicularizando ou exaltando Gaga e outros artistas, Lucas acredita que é diferente fazer brincadeiras sobre o mundo musical e de pessoas comuns. “Lembro da menina que tinha as sobrancelhas grossas e virou piada no Twitter e Facebook. Em nenhum momento fiz piada dela, porque ela é uma pessoa como nós, vulnerável. É diferente de fazer uma piada com o fato da Katy Perry não ter Grammy algum, por exemplo, porque minhas piadas nunca chegarão a ela e tenho noção que ela é bem-sucedida, bonita e rica”, explica. Lucas considera o Twitter um espaço de convivência e acredita que é impossível estar em uma rede social, compartilhar a sua opinião e não ofender a ninguém com ela. Para ele, isso pode variar de pessoa para pessoa, mas é necessário “haver um equilíbrio entre o senso de humor e o respeito com o outro”.

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Foto de um dos teasers que a cantora Katy Perry, que buscou ambientar seu novo trabalho, o álbum PRISM. Foto: divulgação.

Para Guilherme Jayme, da equipe do Lady Gaga Brasil, maior fã site dedicado à cantora no país, Gaga é uma das celebridades que mais sabe usar as redes sociais ao seu favor, como por exemplo o Twitter, no qual ela já foi a usuária mais seguida do mundo. “O Twitter é a principal ferramenta para a divulgação do seu trabalho, é através dele que Gaga divulga informações sobre o álbum, onde estará nos próximos dias, detalhes sobre a próxima tour, o que está pensando e o grande trunfo de Gaga, a grande interação com os fãs. Recentemente, ela tem feito o que chamamos de “Perguntas e Respostas”, do inglês “Questions & Answers”, onde os fãs podem perguntar o que quiserem e ela irá escolher as melhores para responder e de certa forma, revelar novas informações”, explica. Para ele, a maioria dos famosos sabe usar as redes sociais, porém estas muitas vezes não são controladas somente por elas, mas por uma equipe responsável pela imagem do artista e marketing pessoal.

Por Fernando Souza

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