Home Lançamentos O Quebra-Cabeça: um jogo é capaz de mudar uma vida?
O Quebra-Cabeça: um jogo é capaz de mudar uma vida?
CINÉFILOS
15 nov 2018 | Por Jornalismo Júnior
O Quebra-Cabeça

(Imagem: Sony)

Agnes (Kelly Macdonald) é uma senhora norte-americana por volta dos 40. Católica, desde a morte de sua mãe vive para os “homens de sua vida”: seu pai, marido e filhos. É uma dona de casa típica, desligada de tecnologia, completamente dedicada aos afazeres domésticos e mais empregada do que parte de sua família. Até que, no dia do seu aniversário, ganha um quebra-cabeça. O jogo muda os rumos da vida pacata de Agnes e e a personagem começa um processo de redescoberta de si mesma.

A personagem de Kelly descobre que tem um dom de montar quebra-cabeças muito mais rápido que a maioria das pessoas e esse se torna seu mais novo vício. Ela se vê, então, obrigada a sair de sua cidade e ir até Nova York, coisa que admite não fazer há muito tempo, para comprar um jogo novo depois de ter montado e desmontado seu presente inúmeras vezes.

Quando está na loja de jogos, Agnes vê um anúncio: um antigo campeão procurava uma nova parceira para participarem de competições de montagem de quebra-cabeça. Ela, depois de um tempo refletindo, lhe envia uma mensagem e começam a se encontrar para praticar e aperfeiçoar os dons naturais da moça.

Neste momento a vida de ambos começa a se transformar. A personagem central muda sua personalidade aos poucos e seu casamento vai desmoronando, ela já não aceita as ordens do marido e começa a se impor também. Seu parceiro de jogo, Robert (Irrfan Khan), passa a enxergá-la como algo além de uma amiga. Assim, começa a surgir entre os dois um laço que vai além da montagem de quebra-cabeças.

O Quebra-Cabeça

(Imagem: Sony)

O Quebra-Cabeça (Puzzle, 2018) tem um enredo lento que não deixa de prender a atenção do espectador. Agnes tem um processo de transformação que acontece devagar, de forma gradual e sem grandes reviravoltas. A personagem dá um passo de cada vez, se libertando aos poucos de suas antigas amarras. Essa construção é percebida pelas pequenas coisas que ela vai deixando de fazer aos poucos, como se preocupar se seu marido vai ficar mais cinco minutos ou uma hora na cama.

As vestimentas da personagem mudam junto com suas atitudes. Ela começa com vestidos e sapatos clássicos, seu cabelo semi preso, vestida como se vivesse no século XX. Aos poucos se moderniza e se torna mais moderna, assim como seu jeito de agir. Se antes vivia apenas para a sua família e colocava as vontades de todo mundo acima das suas, depois passa a viver como uma mulher mais moderna, que mostra e impõe sua vontade. Isso é fantástico, mostra às mulheres que elas podem se desprender de amarras e colocações impostas nos séculos passados e que cada uma tem seu tempo de mudança.

O filme tem uma construção e um enredo muito bonito. Ele passa longe dos romances clichês que trazem um casal que depois de muitos empecilhos ficam juntos. Ele trás uma proposta nova, no qual a personagem está dividida entre o velho (seu marido) e o novo (seu parceiro de jogos). E no fim acaba por fazer uma decisão inesperada sobre os rumos de sua vida.

As imagens acompanham a beleza do enredo. Os enquadramentos, ângulos, paisagens e construções de cenários são simples, mas de uma beleza inexplicável. É como se estivesse diante de uma obra de arte, com focos precisos e planos de fundo deslumbrantes, nada ricos e cheio de coisas, ao contrário, costumam ser cenários naturais, o que os tornam ainda mais belos.

O Quebra-Cabeça é especial, principalmente, pelos seus detalhes menores. Não é um clichê, nem algo completamente inovador. No entanto, não é um filme morno. Ele fica, marca e impressiona a sua maneira e talvez o mais importante, mostra que um jogo é capaz de mudar não apenas uma, mas várias vidas.

O Quebra-Cabeça estreia no Brasil em 15 de novembro. Veja o trailer:

por Thaislane Xavier
thaislanexavier@usp.br

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*