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O rock e a moda
Escuta Aí
09 jul 2014 | Por Jornalismo Júnior

De Elvis à Muse, o estilo de roupa sempre foi importante para caracterizar o rock.

Afinal, o que seria de Elvis sem suas roupas brancas com dourado, Beatles sem suas transcendentais roupas de sargentos, Ramones sem seus cabelos compridos e jaquetas jeans, e Kiss sem seus rostos pintados?

Para conhecer mais de perto os estilos e a importância do vestuário no rock, confira alguns exemplos dessa relação aqui na Sala 33.

Elvis

Referência e inspiração para muitos cantores, Elvis Presley é considerado o pioneiro e rei do rock.  Único em seu estilo, Elvis abre nossa reportagem com um look totalmente inovador, com seu topete marcante e macacões inesquecíveis, além do abuso das cores dourada e branca. Embora o topete tenha sido inspiração dos cantores de blues, as roupas são originais, e deixaram muitas fâs apaixonadas pelo mundo todo.

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Estilo marcante de Elvis. Foto: Reprodução.

The Beatles à parte

A banda mais famosa do mundo também usou e abusou do vestuário para criar sua imagem. E mais: as roupas seguiram o estilo musical de cada época da banda. Confira alguns exemplos de capas que  falam por si:

For Sale (1964)

No auge da carreira, a banda ainda incorporava trajes mais comportados, que estavam na moda. Terno e gravata davam à banda um ar mais clássico, mais educado.

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Capa do álbum For Sale. Foto: Reprodução.

Sgt Peppers Lonely Heart Club Band (1967)

Embora não fosse o “uniforme” oficial da banda, os trajes coloridos dos integrantes mostram o período do grupo: experimental (com a inclusão de novos instrumentos, como a cítara) e transcedental.

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Capa transcendental do Sgt Peppers. Foto: Reprodução

Abbey Road (1969)

Na capa do álbum, suas roupas mais despojadas e mais maduras mostravam a fase pela qual a banda passava: maturidade, mudanças e independência.

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Em Abbey Road vemos os Beatles mais maduros. Foto: Reprodução

O Rock e o preto

Por representar o “contra”, a cor do protesto, o preto foi escolhido pelos roqueiros, pois para eles, o rock é uma forma de protestar. Protestar contra o modelo consumista e “politicamente correto” dos outros ritmos. Com som mais pesado e elétrico, o rock conquistou o gosto dos jovens, que decidiram unir-se à “manifestação”. A “onda preta”, que se iniciou na década de 1980, toma conta do vestuário roqueiro até os dias de hoje.

Bandas de heavy metal, como  Iron Maiden, Def Leppard, Saxon, Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax adotaram a cor preta, influenciaram e ainda hoje influenciam milhões de jovens roqueiros. E não são somente os homens que usam a cor preta. As roqueiras, adotando esse look preto, aderiram também a acessórios darks, que lembram a morte, o sinistro. Por isso é muito comum ver roqueiros e roqueiras usando colares de caveira, por exemplo.

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O preto marca o estilo do Metallica e de diversas bandas de Heavy Metal. Foto: Reprodução

Embora o preto pareça ser unanimidade entre os rockeiros, nem sempre foi assim. Durante as décadas de 1960 e 1970 roupas coloridas, calças boca de sino e lenços chamativos faziam parte do look dos rockeiros. Afinal, como negar isso quando vemos uma foto de Jimmy Hendrix?

As roupas coloridas no rock surgiram na década de 1960, juntamente com o movimento hippie. Vale lembrar que no festival de Woodstock ocorreram muitas apresentações de rock. Ou seja, hippie era roqueiro também. E isso explica as escolhas das roupas de Janis Joplin, Jimi Hendrix e das bandas Creedence Clearwater Revival e The Who.

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O colorido de Janis Joplin. Foto: Reprodução

Kiss é único

A banda de hard rock fundada em 1974 é referência na moda roqueira. Seu estilo único caracterizado pelos rostos pintados e as roupas de couro deram um novo caráter ao rock. A banda consagrou a importância do estilo estético, transformando o rock em arte.

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O estilo único e marcante do Kiss. Foto: Reprodução

O Punk

A política DIY (“do it yourself”, ou “faça você mesmo”) pregava que músicos e fãs não dependiam de grandes corporações. Dessa ideologia, surgiram as gravadoras independentes e os fanzines, que ganharam popularidade e respeito. O DIY se expandiu para a moda e para o design – eram comuns pôsteres, flyers e roupas feitos à mão.

Precursora do movimento Punk, a banda The Ramones mostra a importância do se vestir.

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As roupas dos Ramones marcam o estilo Punk. Foto: Reprodução

Jeans, cabelos compridos e tênis são a marca registrada da banda, e serviram como inspiração para o look mais dark, generalizadamente conhecido como Punk.

Como principal característica da moda Punk, está a combinação de alguns elementos considerados típicos: alfinetes, patches, lenços à mostra no bolso traseiro da calça, calças jeans rasgadas, calças pretas justas, jaquetas de couro com rebites e mensagens inscritas nas costas, coturnos, piercings, tênis converse, correntes, corte de cabelo moicano (colorido ou espetado etc.) ou spike (espetado dos lados, atrás e em cima) e, em alguns casos, lápis ou sombra no olho.

Hoje

Se antes as roupas caracterizavam o rock e vice e versa, hoje não é diferente. Com novas vertentes do ritmo, as roupas também variam bastante. O grunge, a pioneira do rock alternativo, mostrou que não era necessário usar preto para tocar rock pesado ou um rock romântico. Nirvana é o maior e melhor exemplo disso.

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O estilo do Nirvana. Foto: Reprodução

O indie rock, outro exemplo do rock alternativo, tem como representantes as bandas Frans Ferdinand e Arctic Monkeys, que não seguem um padrão de roupa ou de estilo musical. Próximo ao pop, as roupas acompanham a moda geral, com tênis, calças apertadas, óculos e paletós.

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A moda do Artic Monkeys. Foto: Reprodução

O dance-punk, outra vertente do rock, abriga estilos variados até mesmo dentro de uma única banda. Queens of The Stone Age nos mostra isso:  Terno, cabelos compridos, blusa xadrez, estilo dark. Muitos estilos em uma só banda.

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O Queens Of The Stone Age mostra variedade nas roupas. Foto: Reprodução

Rock e moda dizem

Afinal, o que um músico quer nos passar quando ele coloca uma roupa preta, ou um terno feito sob medida? Ele quer nos comunicar, quer que a gente interaja com o que ele nos passa. Sua música torna-se mais conhecida, nos aproximamos dela através da roupa, do estilo e do que ele nos passa. Um fã de rock não escuta somente a música, ele também a sente. E sentimos a música, porque a ouvimos, a vemos.

Por Carolina Pulice
carolmppulice@gmail.com

Sala 33
O Sala33 é o site de cultura da Jornalismo Júnior, que trata de diversos aspectos da percepção cultural e engloba música, séries, arte, mídia e tecnologia. Incentivamos abordagens plurais e diferentes maneiras de sentir e compartilhar cultura.
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COMENTÁRIOS
Maria Claudia
Só um comentário sobre o punk: a Vivienne Westwood, hoje estilista de gente fina, junto com Malcolm McLaren, criador do Sex Pistols que foram os criadores do estilo punk que veio de Londres. Um livro mmto bacana é o Getting it On: The Clothing of Rock'n'roll, da Mablen Jones. Ela relata desde os 50's os figurinos de diversos artistas e faz um paralelo com mitologia, bem de leve. É ótimo pra quem estuda figurino de bandas.
08 maio 2015
 
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