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O teto rachado de O Castelo de Vidro
CINÉFILOS
23 ago 2017 | Por Jornalismo Júnior

O Castelo de Vidro (The Glass Castle, 2017), dirigido por Destin Cretton, propõe-se a ser uma envolvente e emocionante narrativa sobre superação e delicadas relações familiares. Entretanto, raros são os momentos em que o espectador se conecta e se identifica o suficiente para atingir tal grau de ligação com o filme. O longa gira em torno da trajetória da jornalista e escritora Jeannette Walls, interpretada pela ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Brie Larson, desde a infância praticamente miserável aos cuidados dos pais, os tão negligentes quanto carismáticos Rex e Rose Mary Walls, vividos por Woody Harrelson e Naomi Watts, até a vida adulta, quando ela já se encontra bem estabelecida e tenta desvencilhar-se de seu passado traumático.

Em dois ou três momentos de O Castelo de Vidro é possível sentir a magnitude de emoções que assistir a uma vida tão conturbada deveria proporcionar até ao observador de mais duro coração, mas a previsibilidade da sequência de acontecimentos, a mal feita tentativa de um humor leve, que não combina com a seriedade do tema do filme, e a trilha sonora, muitas vezes totalmente alheia às situações de tensão em que está inserida, enfraquecem em muito o efeito de sensibilização, ponto forte da narrativa. Ainda é necessário ressaltar que, não fossem as estelares atuações de Larson e Harrelson, dificilmente o filme teria tais momentos de profundidade.

A grande falha do longa é justamente não explorar mais a universalidade das conturbadas relações da família Walls, tão bem expostas pelas nuances das atuações de Harrelson e Larson. De fato, ali estão retratadas situações extremas, as quais grande parte do público nunca foi exposto, mas, para que O Castelo de Vidro se realizasse em todo o seu potencial, seria necessário que o filme mais do que mostrasse, fizesse o espectador sentir o desesperante cenário vivido pelas personagens durante a maior parte das duas horas e sete minutos do longa.

Ainda a conclusão é bastante falha ao surgir de repente, com pouco, ou quase nenhum desenvolvimento que levasse as personagens a tal ponto da narrativa. Como resultado, a resolução do conflito central parece dar-se de forma apressada e antes que o público esteja preparado para aceitá-la.

Apesar de tais falhas, em nenhum momento o filme torna-se entediante ou difícil de assistir e, mesmo não sendo uma transformadora e excelente obra cinematográfica, não deixa de ser um bom programa para passar o tempo. O Castelo de Vidro estreia dia 24 de agosto e você pode conferir o trailer abaixo:

Por Rebecca Gompertz
rebecca.gompertz@usp.br

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