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O Tradutor traz para as telas uma história que merece ser conhecida
CINÉFILOS
27 mar 2019 | Por Cinéfilos

Uma história tocante que merecia ser contada. E foi, da melhor maneira possível. O Tradutor (Un Traductor, 2019) acompanha a vida de Malin (Rodrigo Santoro), professor de literatura russa da Universidade de Havana convocado para trabalhar como tradutor no hospital cubano que recebeu as vítimas do acidente nuclear de Chernobyl.

Cativante pela narrativa e seu desenvolvimento, o filme apresenta dilemas palpáveis que fazem o espectador refletir sobre as diversas situações apresentadas 一 complexas e nem um pouco fáceis de serem resolvidas. Malin é designado para trabalhar na ala infantil e, logo no primeiro dia, desiste. Entretanto é forçado a continuar. A partir de então o envolvimento com as crianças e as famílias, que se encontram em situações horríveis por conta da radiação, aumenta. Se por um lado o professor passa a desenvolver afeto por essas pessoas, por outro começa a se afastar de sua família. Sua esposa, Isona (Yoandra Suárez), passa a ter dificuldades em cuidar do filho por conta de seu trabalho: curadora de exposições de arte.

A relação de Malin e Isona começa muito boa e apaixonante [Copyright Gabriel G. Bianchini]

Além disso, as circunstâncias de Cuba no período retratado pelo filme também são responsáveis por agravar esses problemas. A história se passa na década de 1990, exatamente durante a Queda do Muro de Berlim. A derrocada da União Soviética teve impacto direto em Cuba. O longa retrata, por exemplo, a crise no setor econômico com a falta de combustíveis, além de ambientar muito bem esse contexto histórico.

O ritmo da narrativa é um pouco lento, porém não é arrastada em momento algum. Isso se deve a construção densa do personagem de Rodrigo Santoro, capaz de criar um vínculo entre o personagem e aqueles que assistem. Malin começa cético em relação ao seu trabalho como tradutor. O tempo passa e logo ele muda de ideia. Passa a construir relações muito bonitas com as crianças, extrapolando até suas funções primordiais.

O professor, que deveria apenas intermediar a comunicação entre as famílias e os médicos, lê histórias para as crianças do hospital, conversa com elas, pede para que elas escrevam e desenhem sobre suas vidas. A relação mais forte que Malin desenvolve é com um garoto chamado Alexi (Nikita Semenov), que está em situação crítica e fica isolado dos outros por conta da debilidade de seu sistema imunológico.

Malin acompanha a enfermeira Gladys (Maricel Álvarez) na ala infantil do hospital [Copyright Gabriel G. Bianchini]

Em coletiva de imprensa, Rodrigo Santoro comentou sobre a experiência de aprender russo. O ator disse que precisou ir além, não só estudando suas falas, mas memorizando o que os personagens que interagiam com ele falavam para tudo parecer o mais natural possível. E no filme ele fala com a maior facilidade do mundo, como se já tivesse dominado o idioma. Além disso, comentou que fez uma imersão da cultura russa. Por interpretar um professor cubano de literatura russa, o espanhol é o outro idioma predominante.

Dirigido pelos irmãos Rodrigo e Sebastián Barriuso, filhos reais de Malin, O Tradutor traz aos holofotes uma história real investindo no desenvolvimento de personagem e na narrativa. O resultado final é um filme tocante que remonta muito bem um período histórico não tão longínquo.

O longa recebeu muito destaque no Festival de Sundance 2018 e chega aos cinemas brasileiros dia 4 de abril. Confira o trailer abaixo:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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