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O Último Lance e a simplicidade que comove
CINÉFILOS
16 abr 2019 | Por Cinéfilos

Por Ana Luiza Cardozo
analuizavazcardozo@gmail.com

Dirigido pelo finlandês Klaus Härö, O Último Lance (Tuntematon Mestari, 2018) conta a história de Olavi (Heikki Nousiainen), velho vendedor de obras de arte que, percebendo o declínio de seu negócio e o avançar da idade, decide se aposentar. Antes de abandonar o mercado das artes, resolve dar um último lance em leilão a um quadro desconhecido que acredita ser extremamente valioso e pertencente ao famosos pintor Ilya Repin.

Com a autoria da pintura não comprovada, Olavi mergulha numa investigação, com a ajuda de seu neto Otto (Amos Brotherus), em busca da confirmação de sua suspeita. Tal investigação expõe cicatrizes da abalada relação familiar com o neto e com sua filha, o que envolve também sacrifícios financeiros e afetivos com o objetivo de realizar o grande feito de sua vida: a glória alcançada pelo grande reconhecimento de seu ofício.

O filme conquista por sua simplicidade, tanto no resultado final nas telas quanto por seu roteiro genuíno e descomplicado. A delicadeza notável na maior parte do longa é encontrada desde a composição da trilha sonora, presente apenas em momentos minuciosamente selecionados, até a estética escolhida pelo diretor, que agrada por sua harmonia de cores e refinamento discreto.

Otto e seu avô, Olavi [Imagem: Cineart Filmes – Divulgação]

A interação entre o comerciante e seu neto também se apresenta como um dos pontos-chave na obra. Temos o já conhecido confronto entre o Velho e o Novo. Este vínculo poderia ter sido explorado com maior profundidade, principalmente, em relação à busca pelo misterioso autor do quadro. A solução do enigma ocorre de maneira um pouco apressada e repentina, por meio de uma pesquisa feita pelo mais jovem numa ferramenta de buscas da web, junto com pitadas de sorte e acaso, fazendo com que o espectador sinta falta de aventura. Apesar disso, vemos uma divisão marcante entre a experiência e o conhecimento de Olavi e a astúcia e malandragem de Otto, que nesse caso se complementam e garantem uma bela dinâmica aos olhos do público.

O grande destaque vai para a atuação de Heikki Nousiainen que transmite de maneira certeira e despretensiosa a personalidade minimalista e ranzinza de Olavi, cativando o espectador já nos primeiros minutos de exibição. É ele também o responsável pela cena mais memorável e aguardada do filme, referente ao título da produção. Com direção fantástica de Härö, a passagem possui uma aura de tensão e suspense criada sem grande alarde, sendo impactante e coerente com o restante da obra.

Contrabalanceando a sensibilidade com que os demais personagens foram construídos, temos aqui, como um dos poucos pontos negativos, a figura plana e exageradamente maquiavélica de um leiloeiro, que age como o vilão. Podemos notar um maniqueísmo escancarado, que não dialoga com a veracidade da narrativa. Também podemos citar os momentos finais do filme, com uma conclusão apresentada de modo excessivamente dramático se comparada à sutileza presente durante boa parte da história.

O Último Lance vale a pena ser apreciado por sua concepção singela, que consegue comover o espectador sem muitas firulas. O filme tem sua estreia no Brasil prevista para o dia 18 de abril e você pode conferir o trailer aqui:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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