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Obsessão: Apesar de boas atuações, enredo fraco estraga o longa
CINÉFILOS
12 jun 2019 | Por Anderson Lima (anderson.marques.lima@usp.br) e Isabel Teles (isabel.teles@usp.br)

Uma jovem, recém chegada a Nova Iorque encontra uma bolsa no metrô e resolve devolvê-la pessoalmente à dona. Esta é a premissa simples e o que desencadeia os acontecimentos de Obsessão (Greta, 2018).

Estrelado por Chloë Grace Moretz no papel da inocente Frances e Isabelle Huppert como Greta, o filme retrata o desenvolvimento do relacionamento entre duas mulheres que têm em comum a solidão, e isso devido a perdas familiares vividas por cada uma.

O ponto alto do longa são as atuações de Huppert e Moretz, apesar de suas personagens caírem frequentemente em estereótipos de gênero, como o da garota ingênua e o da mãe superprotetora. Tais estereótipos são expostos a todo momento, seja com a amiga de Frances falando como ela “será engolida pela cidade grande devido a sua bondade” e com Greta comentando a todo momento que “precisa proteger sua nova “filha”.  

A solitária professora de piano, vivida por Isabelle Huppert no filme A Professora de Piano (Le pianiste, 2001), que rendeu à atriz uma indicação ao César, ficaria envergonhada da personagem desenvolvida no roteiro dirigido por Neil Jordan, apesar do gosto semelhante pelo piano e música clássica. De qualquer forma, não há como negar a qualidade da atuação da atriz, que em muitos momentos parece um verdadeiro espírito atormentando a vida da indefesa Frances, apesar do filme não tratar de assuntos sobrenaturais.

Em diversas passagens do filme, clichês como “no fundo estamos todos sozinhos” e “somos feitos para amar” conferem um tom forçado à relação breve estabelecida entre as duas e entediam o espectador, que consegue prever a maioria dos acontecimentos sem ser surpreendido pela narrativa.

O foco em personagens femininas, que deveria ser o diferencial do filme, não contribui para destacar a obra de outras produções sobre stalkers e psicopatas. A trama é tão morna que mesmo as decisões irracionais de Frances, que deveriam provocar uma “torcida” no público, são prejudicadas.

A personagem consegue sempre escolher as piores opções em momento decisivos, o que seria um clichê comum para filmes de suspense/terror, mas que nesse caso acaba ocorrendo em excesso. Isso acontece quando Frances tenta fugir de seu cativeiro e escolhe o porão para tentar escapar, algo que menospreza a capacidade de pensar do espectador.  

Frances vê em Greta uma figura materna [Foto: Divulgação]

Algumas cenas são bobas a ponto de despertarem risos da audiência, ao invés da tensão habitual dos filmes de suspense. A edição de som também não contribui, uma vez que marca excessivamente os momentos sombrios do filme e deixa a trama carregada e previsível. Há um uso em demasia da música clássica (Liszt, Chopin, entre outros), tanto em momentos de tensão, quanto em momentos de calmaria; entretanto, o que poderia dar um ar sutil e de classe para o longa, acaba entediando devido ao uso desregrado do recurso.

Essa sutileza e classe é demonstrada especialmente através da fotografia do filme, que nas cenas em plano aberto, mostra paisagens bonitas como quando Frances passa de bicicleta por pontes e ruas lotadas de pessoas.

O longa deixa pontas soltas que podem tanto sinalizar um gancho para uma sequência quanto um descuido no roteiro. A julgar pelo que Neil Jordan apresentou ao longo dos 98 minutos de Obsessão, a segunda hipótese é a mais provável.

O filme tem estreia prevista para 13 de junho nos cinemas de São Paulo. Confira o trailer:

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