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Ocupa Ouvidor 63 e a arte em meio ao abandono
Moldura
01 ago 2014 | Por Jornalismo Júnior

Resultado do desinteresse de proprietários, falência de empresas, e negligência com a regularização de edifícios antigos, a paisagem do centro de São Paulo é sombreada por muitos prédios abandonados.

Entre eles, estão, por exemplo, o número 911 da Prestes Maia, próximo à estação da Luz, que, comprado por um empresário há 21 anos, depois da falência de uma companhia de tecidos, não foi regularizado, e, desde então, ocupado algumas vezes pelo MSTC (Movimento dos Sem – Teto do Centro). Próximo também, fica o 354 da rua Mauá, onde antigamente era ativo o Hotel Santos Dumont, que, após a morte do seu proprietário, foi deixado ao seu filho e desocupado por muitos anos, hoje, com a inscrição da famosa frase do anarquista Proudhon “a propriedade é um roubo” em sua fachada, é sede do MSTC. O número 63 da rua do Ouvidor é outro exemplo semelhante, porém, foi ocupado de maneira diferente.

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Fachada do prédio na rua Ouvidor, 63. Foto: Reprodução.

Antiga sede da Secretaria de Cultura, o prédio foi ocupado em 1997 para moradia, e em 2005 desocupado novamente por ação judicial. Em 2007 foi concedido à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), a quem pertence até hoje. Desde 2005, porém, permanece vazio.

A ideia da sua ocupação atual começou com um grupo de “multiartistas” de Porto Alegre que procuravam espaço para produzir. Publicaram o projeto em redes sociais e vieram a São Paulo, iniciando a divulgação no Estúdio Lâmina, estúdio de criação e residência artística, também no centro da cidade, planejando o festival de abertura do prédio e abrindo inscrições para grupos artísticos se apresentarem.

No dia 1º de Maio o prédio foi aberto e começou a sua ocupação sob o título “Ocupa Ouvidor 63”. Os participantes do projeto se reuniram para limpar o local e deixá-lo apto a utilização. No dia dez do mesmo mês aconteceu o Festival de Revitalização Holística do Centro Histórico de São Paulo, o evento de abertura, que contou com a presença de exposições, saraus poéticos e várias bandas. Desde então o prédio funciona como espaço de livre produção e residência artística.

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As intervenções artísticas encontraram lugar em meio ao abandono do centro da cidade. Foto: Reprodução.

A cada andar do edifício é possível encontrar diferentes lados da presença artística: esculturas, pinturas, pessoas tocando instrumentos, painéis de fotos, e locais com projetores de filmes. O prédio tem no total 13 andares, cada um com características únicas, personalizados de acordo com a sua utilização. No seu topo, fica uma vista única do centro de São Paulo.

Além da produção dos moradores e frequentadores do prédio, são organizados vários eventos abertos e workshops. Há mostras de filmes e fóruns de debate sobre arte, cultura, cinema e rock n’ roll semanalmente, e recentemente foram organizadas oficinas de teatro e escrita criativa, aulas de bambolê e meditações ao pôr do sol. Frequentemente há festivais de música e apresentações de bandas formadas pelos participantes do projeto. A divulgação acontece por meio da página do movimento no Facebook.

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Painel de fotos e textos da ocupação. Foto: Roberta Vassallo.

O urbanismo participativo e a manifestação da arte livre é o que move os participantes da ocupação. A cidade de São Paulo tem mais de 200 prédios abandonados, e a ocupação, além de oferecer um espaço para a livre produção, apresenta um protesto tanto contra a lógica de propriedade no ambiente urbano, quanto contra a comercialização da arte, que é muita vezes impossibilitada de ser realizada e acessada.

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Cada andar da ocupação tem um tipo de expressão em forma de arte. Foto: Reprodução.

As oficinas e atividades organizadas no prédio, portanto, são abertas a quem tiver interesse, funcionando como um espaço livre. Geralmente são organizadas e ministradas pelos próprios participantes do projeto, que se reuniram em prol do exercício artístico. Vale a pena conferir essa forma diferente de observar e praticar a cultura.

Por Roberta Vassallo
robertavassallob@gmail.com

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COMENTÁRIOS
eliane dornelles
Bem utilizado o prédio, necessitamos de espaços culturais e não de esqueletos de prédios antigos. Se o Estado não tem interesse em recuperá-lo deixem a cultura entrar.
16 set 2014
 
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