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‘Orange is The New Black’ – vida em prisão feminina americana em produção Netflix
Controle Remoto
13 nov 2013 | Por Jornalismo Júnior

Orange is the New Black – ou OITNB, abreviatura conhecida pela internet – é uma série do Netflix que estreou em julho deste ano e obteve enorme sucesso, mas também gerou importantes discussões. Ela é baseada em um livro homônimo, escrito por Piper Kerman, que conta suas experiências durante o período que passou em um presídio feminino. O nome é um jogo com a expressão fashionista de que “alguma cor é o novo preto”; no caso, o laranja do uniforme das presidiárias americanas.

OITNB 2

O enredo

A série segue a vida de Piper Chapman, interpretada pela atriz Taylor Schilling, que é condenada a passar 15 meses na prisão federal feminina de Litchfield (NY) por transportar dinheiro oriundo de tráfico de drogas, crime cometido dez anos antes. Na ocasião, Chapman era namorada da traficante, Alex Vause (Laura Prepon), mas, por não estar envolvida diretamente no tráfico e esse ser seu único delito, recebeu uma pena curta. O crime volta à tona com uma denúncia e Piper é enviada à prisão. A atmosfera logo de início é de que ela é um elemento que não se encaixa lá: de classe média, estudada, noiva, em vias de montar o próprio negócio. Essas características, inicialmente, a afastam de suas companheiras de prisão. Nesse cenário, Piper enfrenta vários desafios, enquanto precisa entender as novas dinâmicas sociais. Também é forçada a repensar o relacionamento que mantém à distância com seu noivo, Larry Bloom (Jason Biggs), quando descobre que terá que conviver com a ex-namorada. É uma jornada de altos e baixos, em que ela passa não só a enxergar as novas personagens em sua vida de uma forma diferente como também muda a percepção que tem de si mesma.

Diversidade em vários níveis

Apesar de a série apresentar um núcleo principal focado em Chapman, o diferencial de OITNB é a diversidade e a profundidade das personagens femininas. A prisão apresenta, inicialmente, três núcleos que parecem bem demarcados: caucasianas, negras e latinas. No entanto, essa imagem é, em certa medida, quebrada quando os relacionamentos se mostram mais complexos. Ainda, são apresentadas as razões de algumas delas terem sido presas – o que as humaniza – e as diferentes personagens são exploradas em suas particularidades.

Há Tasha Jefferson,”Taystee”, uma jovem negra que trabalha na biblioteca e aparenta ser mais inteligente do que sempre deram crédito a ela. Tiffany “Pennsatucky” é uma mulher branca que acredita apresentar poderes semelhantes aos de Jesus e ser sua porta-voz. Daya, uma garota latina, se apaixona por um dos seguranças da prisão, com quem mantém um relacionamento.

Janae says she is not scared of Miss Claudette

Janae Watson era estrela do time de corrida em seu colégio antes de ser presa roubando uma loja por diversão. Sophia Burset é negra, transexual e tem uma mulher e um filho. Há até uma freira e uma instrutora de yoga entre as presas.

Esses são alguns exemplos, mas há uma quantidade maior personagens, cada uma com suas características, paixões e sofrimentos. E o interessante é ver esses tipos tão diversificados e fora do padrão das mocinhas ganharem popularidade entre os telespectadores. É um bom estímulo à empatia pela ficção e à maior diversidade de representação.

A própria criadora da série, Jenji Kohan, define Piper Chapman como uma isca para possibilitar tudo isso. “Você não chega a uma rede e vende um show sobre histórias muito fascinantes de mulheres negras, latinas, velhas, criminosas. Mas, se você pega essa mulher branca, um peixe fora da água, e coloca nesse espaço, você pode expandir esse mundo e contar todas essas outras histórias”, afirmou Kohan em entrevista à National Public Radio (NPR).

Teste Bechdel aprova

Apesar de conter certo conflito amoroso pela relação de Piper com o noivo que a espera fora da prisão ao mesmo tempo em que ela tenta entender os sentimentos que ainda mantém por Alex, OITNB passa facilmente pelo teste Bechdel.

O que é o teste Bechdel? É um teste sobre a representação das mulheres na ficção. Passam pelo teste aquelas que apresentarem três elementos: presença de mais de duas mulheres; que falam uma com a outra; e sobre assuntos além de homens. O teste ganhou esse nome por causa da cartunista Alison Bechdel, que o tornou famoso em uma graphic novel.

Parece absurdo de cara, mas muitas obras ficcionais atuais não passam por esses critérios.

Outro ponto interessante da série é que Piper se relaciona tanto com um homem como com uma mulher de uma forma natural. Não parece algo questionável para ela mesma e não parece algo forçado para ser um fetiche para a audiência masculina. É uma boa expansão da representação da sexualidade humana.

A história original

Piper Kerman, da história original, explicou, em entrevista à rádio norte-americana CBC, que decidiu escrever o livro quando percebeu que o mundo das prisões interessava às pessoas apesar do enorme desconhecimento e que seria importante conscientizá-las do que acontecia por lá. Segundo ela, a expectativa era de que quem lesse a história poderia parar para refletir quem são essas pessoas que estão encarceradas atualmente, quais são as histórias que as levaram até lá e o que acontece de fato com elas por trás das grades.

Atualmente, Piper serve no conselho da Women’s Prison Association, além de trabalhar como consultora de comunicação para organizações que não visam lucro e organizações de interesses públicos.

Curiosidade: Kerman apresentou uma fala recentemente em evento da TEDx

Por Bárbara D’Osualdo
bdosualdo@gmail.com

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