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Os Fenômenos
CINÉFILOS
21 out 2014 | Por Jornalismo Júnior

por Vitor de Andrade
vitortheandrade@gmail.com

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Neneta: Você vai ver que trabalhar em horário fixo não é tão ruim assim.. Lobo: É, acho que sim.

Os Fenômenos (Os Fenómenos) é um filme espanhol de 2014, dirigido por Alfonso Zarauza que conta uma história que se passa durante a crise econômica da Espanha e é diretamente afetada por ela. Neneta (Lola Dueñas) mora há três anos com seu marido Lobo (Luis Tosar) e seu filho, o pequeno Roi, em uma van na costa de Almería, no sul da Espanha, sobrevivendo através da venda de braceletes e tornozeleiras “hippies”. No primeira dia em que Lobo se propõe a trabalhar em um emprego fixo, ele desaparece, deixando a esposa e o bebê sozinhos. Então Neneta dirige até a sua cidade natal, Ferrol, onde ela pretende se estabelecer para criar Roi. Lá, a jovem consegue se reconciliar com sua mãe e consegue um emprego inusitado: a protagonista vira assistente de pedreiro, que até era um bom negócio, dado o desenvolvimento rápido em que o mercado imobiliário se encontrava (que mais tarde causou a crise). Ela tem que aguentar o preconceito dos colegas de profissão, e ao mesmo tempo lidar com a falta de Lobo e o aparecimento de um antigo namorado, Furon(José Carlos Vellido).

Alfonso Zarauza, um jovem diretor desconhecido que está no seu terceiro longa, afunda ainda mais no poço da obscuridade com esta produção. Os Fenômenos é uma obra que não atingiu sucesso nas bilheterias, sucesso no universo cult ou qualquer outro tipo de sucesso. Fato que é compreensível: o filme é extremamente vazio de conceito e propósito. Apesar de conseguir atores talentosos como Lola Dueñas e Luis Tosar para os papéis principais, Zarauza dirige uma trama que falha em entreter ou comunicar com o espectador.endo extremamente superficial e também confuso, porque fatores chaves do filme como o sumiço de Lobo e a escolha de Neneta pelo emprego de assistente de pedreiro, e muitas outras situações, não são dignamente esclarecidos. Além disso, o roteiro consegue ser mais previsível do que o drama de um blockbuster qualquer e passa de raspão em situações que realmente poderiam fazer o filme melhor se tivessem sido desenvolvidas, como a aposentadoria de Avelino (Gonzalo Uriarte), a decepção amorosa de Curtis (Xose Tourinan) e a fé de Josué (Xulio Abonjo). Ao invés disso, o filme tem seu foco dirigido a situações levianas que se fecham com um final tão insatisfatório que simplesmente enterra o conceito do filme a sete palmos do chão, junto com o carisma que a personagem Neneta ganhara durante a trama.

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Neneta: Tem lugar pra eu me trocar? Benitez: Sim, vamos instalar o bidê ali e pintar isso tudo de rosa! [risos]

Apesar de todas as críticas, hei de admitir um fato: a composição visual do filme agrada. A combinação de cores, a fotografia, a iluminação e outros aspectos do tipo entretem os olhos. E os elogios param por aí. Além disso, de que adianta que o filme seja bonito aos olhos se em todas as outras dimensões não possui a menor congruência? Não dá pra saber se Zarauza queria fazer um filme comercial ou um filme alternativo, porém seja qual for a situação, o diretor falha miseravelmente, já que a obra decepciona no objetivo de divertir ou de levar à reflexão.

Se as minhas palavras lhe pareceram duvidosas e o caro senhor leitor ainda quiser ver o filme, ele será exibido no dia 22/10, às 15:45 no Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca. Confira esse e outros filmes da 38a Mostra Internacional de SP.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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