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Os humilhados serão exaltados em Arábia
CINÉFILOS
03 abr 2018 | Por Jornalismo Júnior

Vencedor do Festival de Brasília 2017, Arábia (2018) é o mais novo filme do diretor mineiro Affonso Uchoa, conhecido pelo longa A Vizinhança do Tigre (2016). Assim como nesta obra, Uchoa continua com a tendência de utilizar o cinema para expor realidades pouco conhecidas pelo grande público e o faz de modo curioso em Arábia, dando voz a um tipo de personagem pouco explorado no mundo da ficção.

O protagonista do filme é Cristiano (Aristides de Sousa), um operário que acabou de sofrer um acidente em uma fábrica de alumínio em Ouro Preto, Minas Gerais, e está em coma. Sua jornada é contada em retrospectiva através de um caderno repleto de informações acerca de sua vida antes de vir parar na pacata cidade mineira, que é encontrado por um jovem morador da vila operária. Dessa forma, a história é baseada em cenas que já aconteceram, nas quais se misturam ações e falas do Cristiano do passado com comentários narrativos e críticos do Cristiano do momento em que escreve o diário.

ARÁBIA

O artifício do caderno cria um distanciamento do narrador muito comum na literatura mas que também se mostra muito eficiente no cinema. O protagonista de Arábia é de origem humilde – segundo ele mesmo, havia quase vinte anos que não pegava em uma caneta – e sua história não é das mais emocionantes. Por isso mesmo, o que a torna especial e interessante para o espectador são os pensamentos e comentários tecidos pelo narrador ao longo de sua jornada. Dessa maneira, não é curioso saber do relacionamento amoroso de Cristiano com Ana (Renata Cabral) em certo ponto da história, mas como o término ainda o atormenta e influencia no seu caráter. De outro lado, não nos interessa saber do trabalho tedioso do protagonista nas fazendas de mexerica, mas como a monotonia foi importante para que Cristiano fosse impelido à mudança.

Mas sem dúvida o que mais se sobressai no filme é seu caráter mundano. Em um universo cinematográfico atual no qual os protagonistas são sempre excepcionais, belos ou minimamente diferentes, o filme brasileiro transforma o mais comum dos personagens em um herói que muitos poderão se identificar. E mais do que isso, Arábia faz com que ouçamos, por pouco mais de uma hora e meia, os pensamentos deste ser humano indistinto, e reflitamos, sem nem nos darmos conta do que estamos fazendo.

Arábia estreia dia 05 de abril nos cinemas brasileiros. Assista ao trailer abaixo:

por Bruno Menezes
brunomenezesbaraviera@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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