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Os ingleses mais engraçados de todos os tempos
CINÉFILOS
08 set 2013 | Por Jornalismo Júnior

No final dos anos 60, surgiu na Inglaterra um grupo que revolucionou os conceitos do humor circulante até então. Trata-se do Monty Python, um grupo composto por notáveis comediantes britânicos que não se contentavam em fazer suas piadas dentro do padrão conservador do período. Foi subvertendo as formulas que eles conseguiram marcar seu nome como um dos mais satíricos e irônicos grupos de todos os tempos, se tornando uma lenda e um exemplo para todos os jovens humoristas. E mostrando que não é necessário se conformar para conseguir atingir o grande público. As criações da trupe se estendem por terrenos bastante diversos: uma série, quatro longa-metragens, duas gravações de performances ao vivo e mais que 10 álbuns musicais.

O Monty Python era composto por cinco ingleses (Eric Idle, John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin e Terry Jones) e um americano (Terry Gilliam). A união se deu em períodos distintos para cada membro. Idle, Chapman e Cleese se conheceram participando de um grupo de teatro na Universidade de Cambridge, o Footlights club, que reunia os jovens estudantes interessados em apresentações cômicas no estilo dos antigos cabarés. Já Michael Palin e Terry Jones se conheceram na em Oxford, e juntos começaram a escrever roteiros de peça e se aproximar do universo teatral. O último membro, Terry Gilliam, que nasceu nos Estados Unidos acabou entrando em contato com John Cleese enquanto esse apresentava o humorístico “Cambridge Circus” no Greenwitch Village, bairro nova iorquino.

Monty+Python

Foi numa competição de teatro chamada Edimburgh Festival que os jovens começaram a se relacionar e se interessar pelas criações uns dos outros. Ainda separados de acordo com as faculdades eles começam a ser chamados para produzir os roteiros de programas televisivos independentes. até quando foram convidados para o programa Frost Report, de David Frost, que reunia os mais promissores jovens talentos da comédia britânica. Lá estavam todos os membros da trupe, que foram muito produtivos, chegando a escrever cerca de 90% do material que ia às telas. Após esse contato mais profundo, eles resolveram propor um programa novo para a emissora BBC, ainda sem nenhum plano concreto.

Com o aval de um produtor do canal, que viu o potencial criativo acumulado naqueles garotos, que surgiu o Monty Python’s Flying Circus a série televisiva que fez a fama e trouxe a trupe para um público maior. Tratava-se de um projeto bastante inovador para o que se tinha até o momento na tv, britânica e mundial. A inspiração do projeto eram alguns programas de rádio ouvidos por eles na infância, como o The Goon Show, que foi o primeiro a praticar um humor experimental no rádio, usando o silêncio e diversos tons de voz para fazer a audiência rir. O Flying Circus tinha cerca de 30 minutos, nos quais o grupo apresentava esquetes, cenas de alguns minutos e sem uma ordem lógica, usando situações absurdas para explorar um humor surreal e satírico.

A série teve um início singelo mas já no quinto e sexto episódio apresentou uma média de público, principalmente jovem, razoável para a faixa de horário que o canal disponibilizou. Mesmo com constantes mudanças de horário impostas pelo canal, o programa conseguiu cativar uma audiência fiel e cada vez maior. Com o passar do tempo Flying Circus se tornou um dos programas mais assistidos da Grã Bretanha, com cada vez mais liberdade de criação. Surgiram clássicas esquetes como as do papagaio, da clínica de discussão, da piada mais engraçada do mundo, entre inúmeras outras. Podemos ver a tremenda influencia da série, a partir da apropriação que houve, pela internet, da palavra spam. Essa expressão que hoje designa os e-mails não desejados enviados principalmente por empresas, foi, na verdade, baseada em uma esquete da série. Um grupo de vickings em um restaurante repete constantemente o nome de uma carne enlatada, SPAM, para um casal de clientes.

O programa, que foi iniciado em 1969, teve fim em 1974 com a saída de John Cleese. O ator posteriormente justificou o abandono por considerar que não tinha como contribuir mais com nenhuma esquete original e criativa. Os outros membros conseguiram manter mais meia temporada, mas depois declararam a série extinta, após 45 episódios divididos em três temporadas e meia. Mesmo com os apelos dos produtores para que continuassem a produzir sem Cleese, os outros atores preferiram manter a integridade do seu trabalho.

Os filmes do Grupo
A experiência do Monty Python com o cinema teve início em 1971 com um filme chamado And now for something completely different, que era basicamente a reunião de diversas esquetes refilmadas visando a divulgação do material em território americano. Todos os membros consideraram o filme um fracasso, principalmente pela baixa qualidade das imagens e pela falta de originalidade.

Foi apenas em 1974, com o fim do programa televisivo que eles realmente conseguiram entrar no universo cinematográfico, com o filme Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1974). A direção ficou a cargo de Gilliam e Jones, o que deu maior liberdade de criação e permitiu que o grupo quebrasse ainda mais os padrões que regulavam a comédia. A película acabou se tornando uma obra prima da comédia escrachada, sendo composta de diversas esquetes acompanhando os cavaleiros da távola redonda em sua busca pelo cálice sagrado. A ação se dá em plena idade média, com os personagens passando por situações e diálogos que ironizam o período.

O segundo grande filme feito pelos comediantes é A vida de Brian (Monty Python’s Life of Brian, 1979) . Dessa vez há uma linha cronológica mais definida, usada para contar a história de Brian, um menino que ao nascer foi confundido com o messias, passando por muitas adversidades comicamente surreais para provar que é somente um homem comum. A cena final do filme é memorável, com o personagem cantando o tema “Always look on the bright side of life”. Essa musica se tornou tão icônica que foi cantada no fechamento dos jogos olímpicos de 2012, em Londres, pelo próprio Eric Idle.

O musical O sentido da vida (Monty Python’s The Meaning of Life, 1983) é o ultimo longa feito pelo Monty Python. Trata-se da obra com a maior carga de humor negro feita pelo grupo. Muitos tacharam o filme de excessivamente ofensivo, mas isso não abalava os humoristas que viam nesse repúdio o quanto sua produção conseguira ser subversiva. Seu sucesso não se equiparou ao do filme anterior e como todos os seis membros já estavam envolvidos em outros projetos pessoais, esse acabou se tornando a ultima colaboração unindo todos. Em 1989 Graham Chapman faleceu, o que deu por encerrada qualquer possibilidade de reviver a trupe.

Monty+Python

Mesmo depois de 30 anos de sua última produção conjunta, seu legado se mantém moderno, criativo e subversivo. O timing e a extravagância dessa trupe diferenciada continuam sendo um exemplo e uma base para os comediantes modernos. Seja pela importância do grupo no contexto cultural do final do século XX ou pela atualidade do humor, que continua hilário para a audiência atual, vale a pena ver os filmes deles, obras que ficaram marcadas para sempre no universo humorístico.

por Pedro Passos Guijarro
pedropassos.guijarro@gmail.com

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