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Os Órfãos: é possível inovar fazendo terror raiz
CINÉFILOS
29 jan 2020 | Por Danilo Moliterno (danilomoliterno@usp.br)

A expressão “terror raiz”, no imaginário do espectador, remete à algumas características: jump scare, furos de roteiro — clichê. Os Órfãos (The Turning, 2020), inspirado em “A Volta do Parafuso“, livro publicado por Henry James em 1898, tinha tudo para ser mais um destes. Contudo, Floria Sigismondi, diretora do longa, demonstrou sabiamente que até mesmo uma raiz, seca e mirrada, se bem cuidada, regada, pode floresce

O roteiro é o de sempre: Kate (Mackenzie Davis), uma jovem da cidade, aceita um emprego como professora particular de Flora (Brooklynn Prince), uma órfã. Na grande e, obviamente, mal assombrada casa em que a doce garotinha vive, também contracenam Miles (Finn Wolfhard), seu irmão, e uma  governanta, Mrs. Grose (Barbara Marten). Esta última é o personagem típico do terror: cheia de segredos, amargurada e extremamente complacente.

A primeira cena de Mackenzie Davis na mansão é reveladora de um dos principais pontos positivos do longa. Kate encontra Flora no estábulo da residência, e a doçura da garotinha confunde os que entraram na sala do cinema projetando nela o vilão da história. A maneira com que Flora foi escrita nos embaralha, nos faz questionar o filme inteiro: “ela, afinal, é boa ou má?”. A dúvida nos pega. Agoniza. Age como trunfo nos momentos de tensão.

Mackenzie Davis, Grace em Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Finn Wolfhard, Will em Stranger Things, e Brooklyn Prince estrelam o longa (Imagem: Divulgação)

E os momentos de tensão são muitos, e neste contexto encontramos a particularidade mais decisiva da obra: Miles. O garoto faz do filme algo que podemos chamar de “terror ininterrupto”. Enquanto as noites representadas na trama são assombradas pelo sobrenatural, os dias, normalmente momento de desenvolvimento de enredo em filmes do gênero, são perturbadas pela figura do menino interpretado magnificamente por Finn Wolfhard.

A maneira única, a qual Flora e Miles foram escritos, são temperos deliciosos de um arroz com feijão muito bem feito por Floria Sigismondi. Apesar das inovações pontuais, a diretora trabalha dentro de uma lógica clichê e previsível… até os últimos 20 minutos da narrativa. A partir dali, a tal raiz, bem cuidada e regada, é desmatada em uma machadada só. O plot twist repentino e medonho é, sem dúvida, de deixar sem pai, nem mãe.

O longa chega às telonas no dia 30 de janeiro. O trailer de Os Órfãos, você confere em:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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