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Os vícios que destroem um herói
CINÉFILOS
06 fev 2013 | Por Jornalismo Júnior

No filme O Voo (Flight, 2012), Whip Whitaker (Denzel Washington) é visto como um verdadeiro herói após ter pousado um avião em queda de maneira a reduzir as mortes. Todos os noticiários estão empenhados em mostrar como o acidente teria sido fatal caso Whitaker não houvesse realizado o seu “pequeno” milagre. É um ótimo piloto, que foi colocado em um avião defeituoso.

No entanto, desde o início a imagem de Whitaker é construída de maneira a mostrar o seu pior lado: viciado em drogas e álcool, pai ausente e arrogante. A sua bebida é o que leva o público do filme a uma série de dúvidas: ele é mesmo um herói? O acidente não poderia ter sido causado por ele? O avião estava mesmo com defeito como ele alegou?

Para quem não conhece seus vícios, sua imagem é imaculada. A imprensa americana o pinta em cores de um herói, um herói que sofre em silêncio e prefere ser deixado em paz, por isso não dá entrevistas. Para quem o realmente conhece, ele inspira medo e pena. O seu alcoolismo é um problema grave que compromete o seu futuro.

A construção do personagem é o melhor aspecto do filme. Os paradoxos de sua personalidade envolvem o público em um drama profundo. O jogo de valores apresentado cria expectativas de um desfecho, seja bom ou ruim – dependendo apenas do julgamento moral de cada um. É o típico filme que causa discussões, devido ao assunto polêmico e aos pontos de vista contrastantes.

Denzel Washington não deixa a desejar no papel de Whitaker. É um personagem severo, consistente em suas ações e principalmente humano. Ele se deixa errar, se consumir e acha que esse é o caminho certo. Não acredita estar errado, mesmo que todos a sua volta digam o contrário. É o típico homem que precisa de cuidados, mas não deixa que cuidem dele.

Como comic relief, o traficante de drogas, Harling Mays (John Goodman), dá as cartas. Grande, deslocado e excêntrico, ele aparece para salvar Whitaker sempre que necessário.

O voo é dirigido por Robert Zemeckis, conhecido principalmente pela direção da trilogia De Volta Para o Futuro (Back to the Future), Forrest Gump, o contador de histórias (Forest Gump, 1994), Náufrago (Cast Away, 2000) e O Expresso Polar (The Polar Express, 2004). Bem dirigido, bem roterizado e bem atuado, é uma ótima estréia para o período das férias.

O filme conta com drama e ação na medida certa. Cenas espetaculares dentro do avião podem traumatizar quem tem medo desse meio de transporte.


por Rúvila Magalhães
ruvila.m@gmail.com

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