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‘Ouija – Origem do Mal’ e o momento de quebrar o tabuleiro
CINÉFILOS
20 out 2016 | Por Jornalismo Júnior

O longa Ouija – Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil, 2016), do diretor Mike Flanagan, narra os acontecimentos que ocorreram com a família Zander, na mesma residência em que, anos mais tarde, forças sobrenaturais aterrorizaram um grupo de amigos na produção Ouija – O Jogo dos Espíritos (Ouija, 2014).

A situação inicial mostra as trapaças elaboradas pela matriarca da família Alice (Elizabeth Reaser), em conjunto com as filhas Paulina (Annalise Basso) e Doris (Lulu Wilson), para conseguir arrecadar dinheiro de pessoas que creem nela para se comunicar com os falecidos.

Nos primeiros momentos, o filme procura mostrar os artifícios utilizados pela família e a forma como cada personagem se apresenta perante a tristeza que assola aquele lar, ocasionada em virtude do falecimento do pai, vítima de um atropelamento. Enquanto a mãe procura os meios possíveis para manter a casa em ordem, as filhas demonstram um abatimento que não parece cessar. Em uma das cenas mais comoventes desse segmento, a angelical Doris, ao rezar, questiona Alice por qual motivo ela não fazia mais aquilo.

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Após o momento de drama familiar, de certa forma bem apresentado, a perspectiva do longa muda e o terror torna-se o foco. Ao comprar um tabuleiro Ouija como mais um de seus artifícios falsos, Alice coloca sua família em risco. A pequena Doris, no intuito de conseguir entrar em contato com o falecido pai, utiliza a ferramenta na calada da noite e, surpreendentemente, é bem sucedida. Com o passar das sessões, o contato com o outro lado aumenta e, num determinado dia, a caçula é possuída por uma entidade maligna.

Uma série de fenômenos estranhos começam a ocorrer na casa a partir de então. Ao mesmo tempo em que a mãe acredita que Doris tem um verdadeiro dom para a mediunidade e passa a usá-la em seus “atendimentos”, a irmã mais velha estranha a mudança de comportamento da irmã e passa a analisá-la, com o auxílio do padre Tom (Henry Thomas), amigo da família.

Nesse ínterim, uma série de clichês do gênero na última década é apresentado: a famosa puxada na coberta; o contorcionismo e a mudança de faceta da jovem possuída – os quais, de fato, numa produção em pleno século XXI, deixaram muito a desejar; a falta de vontade da vítima de sair de casa; a mudança na voz e os acontecimentos em frente aos espelhos.

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O diretor perdeu a oportunidade de apresentar o verdadeiro ambiente da década de 60, período em que a trama se passa. Somente as vestimentas e a televisão evidenciam, na maioria das tomadas, o momento retratado. Fato é que ele perdeu a oportunidade de repetir o belo trabalho que fez James Wan, no sucesso Invocação do Mal 2 (The Conjuring, 2016), ao retratar Londres, de modo fidedigno, nos anos 1970.  

Até a metade do filme, o enredo mostra consistência e atrai a atenção dos espectadores. Quando é pra mostrar as facetas do pavor, entretanto, peca de uma maneira grosseira. Com um final mais ou menos esperado para quem assistiu ao longa de 2014, somente a atuação das atrizes merece um reconhecimento – com destaque para a pequena Lulu Wilson, a qual, enquanto não estava sob efeitos e/ou maquiagens ruins, soube incorporar perfeitamente a expressão tanto de uma angelical criança quanto de uma representante do mal.

O filme estreia dia 20 de outubro. Confira o trailer:

por Rafael Paiva
paivaraffa@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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