Home Corpo e Mente Para além das crenças: os princípios da medicina holística
Para além das crenças: os princípios da medicina holística
Corpo e Mente
13 nov 2019 | Por Mariana Catacci de Oliveira (mariana.catacci@usp.br)

“A terapia holística é como ler um livro sobre você mesmo. Refletimos muito sobre nós, nos vemos representados e tornamos aquela situação consciente. Estamos nos curando o tempo todo”. É assim que a terapeuta Giulia Anguiano começa a descrever o mundo dos tratamentos que a medicina tradicional reconhece como alternativos ou complementares. 

Apesar de escrituras chinesas, indianas e egípcias evidenciarem o uso de medicinas alternativas há mais de 6000 anos, foi apenas recentemente que essas técnicas passaram a ganhar popularidade e espaço no mundo ocidental. A palavra “holístico” significa tudo e todo e é exatamente nesse sentido que as terapias holísticas têm se tornado tão populares enquanto contrapontos da medicina tradicional: procurando entender a formação integral dos indivíduos.

A medicina holística relaciona a saúde física do paciente com o seu estado mental e emocional, além de analisar as influências do ambiente externo sobre ele. Dores crônicas, por exemplo, são geralmente interpretadas pelo terapeuta holístico como um reflexo físico de um problema emocional. Em um processo contrário à medicina tradicional, tais terapias buscam acessar a causa primordial de qualquer desequilíbrio em vez de apenas remediar sua manifestação física.

Mas afinal, quais são as terapias holísticas? Bom, são tantas as formas de tratamento que muitas se sobrepõem, e os profissionais da área geralmente dominam mais de uma delas. É comum que, em uma sessão de thetahealing, por exemplo, o terapeuta aplique um pouco de reiki, ou vice-versa (continue lendo para entender melhor as particularidades das terapias citadas). Na maioria das vezes, as terapias estão intimamente ligadas a elementos da natureza e à espiritualidade, na medida em que canalizam uma energia de cura, mas seus benefícios podem ser aproveitados por todos, inclusive aqueles que escolhem não relacioná-las com o sobrenatural.

 

Reiki

Uma das técnicas mais conhecidas, o Reiki é uma terapia energética em que, segundo a explicação mística, o praticante (reikiano) consegue coletar a energia universal, canalizá-la dentro do próprio corpo e direcionar, por meio das mãos, para o corpo da pessoa que está sendo atendida. A prática da imposição de mãos renova a energia do corpo, diminui a ansiedade, promove equilíbrio e relaxamento. 

As mãos emitem energia, frequência de calor, que aquece a região e estimula a circulação, melhorando a reação do organismo quanto à área tratada. Pode ser usado para acessar problemas emocionais e físicos.

Fonte: Healthy Magazine

Em entrevista para o programa Bem-Estar, a hematologista Regina Chamon diz que “quando o paciente está mais relaxado, ou seja, quando atinge a homeostase, que é o equilíbrio do organismo, ele responde melhor a qualquer intervenção que seja feita, seja um medicamento, um procedimento cirúrgico ou uma quimioterapia”. Ricardo Caponero, oncologista, complementa dizendo que o indivíduo suporta melhor o tratamento, tornando-se menos suscetível a faltas e atrasos, o que melhora a resposta às intervenções da medicina convencional.

O Reiki já é oferecido por algumas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e é recomendado como prática integrada aos tratamentos tradicionais.

 

Thetahealing

A terapeuta Giulia conta que essa é uma técnica de meditação que coloca o indivíduo no estado theta, em que o inconsciente é predominante, como em um sono profundo. Assim, é possível acessar coisas que estão escondidas. Diferentemente do Reiki, o Thetahealing não está relacionado a reações fisiológicas do corpo, apenas a respostas emocionais que podem otimizar o tratamento.

 No theta, não se entra de fato em sono profundo, mas alcança-se um estado parecido de consciência. A partir do reconhecimento de alguns pensamentos, o thetahealer, profissional da técnica, aplica um comando espiritual para que algumas crenças e sentimentos específicos sejam liberados. Não é preciso crer na espiritualidade para receber os benefícios do thetahealing, apenas entendendo alguns padrões de pensamentos que causam sensações ruins já se abre um caminho para a resolução delas.

Existem inúmeros outros exemplos, como a cromoterapia, que analisa o impacto que a exposição a determinadas cores tem no corpo humano e a aromaterapia, que procura instigar sensações prazerosas por meio do aroma de óleos essenciais. Também são utilizadas plantas medicinais nos fitoterápicos e florais. Christiane Silvério Frazatto faz e recebe tratamentos da medicina holística e trabalha muito com cristais. Ela explica que estes objetos encontrados diretamente na natureza carregam uma frequência, como as ondas de um telefone, e ao serem colocados em um ambiente específico ou sobre alguma parte do corpo liberam essa energia natural da qual estão carregados. O misticismo relaciona cada cristal com aspectos emocionais e espirituais, como a proteção, a coragem, o amor, etc.

Mesmo com a popularização da medicina alternativa nas últimas décadas, ainda existe um enorme tabu em relação a essa prática. “As terapias holísticas só não cresceram tanto ainda porque as pessoas estão muito presas nesse paradigma materialista de ‘se não vejo, não existe’. No Brasil, isso é muito forte: o que não é convencional, é duvidoso, é mentira. A gente carrega a destruição disso, como por exemplo da cultura indígena, em que os conhecimentos são, muitas vezes, vistos como ‘bruxaria’”, afirma Giulia.

 Nos últimos minutos de entrevista, a terapeuta resume bem o conflito entre a invalidação da profissão e os efeitos positivos observados na vida dos praticantes:  “Em qualquer trabalho as inseguranças e medos aparecem, mas principalmente em serviços menos convencionais. Eu não estou oferecendo um móvel que você consegue ver, estou oferecendo algo mais profundo, imaterial. Trabalhar com terapia holística é como trabalhar com qualquer outra coisa, mas eu sinto que tenho mais oferecer ao mundo, aos outros, e a mim mesma nesse campo. Trabalho, para mim, é isso, algo que você troca com o mundo.”

Laboratório
O Laboratório é o portal de jornalismo científico da Jornalismo Júnior. Apaixonados por curiosidades, nosso objetivo é levar a informação científica o mais próximo possível do público leigo. Falamos sobre saúde, meio ambiente, tecnologia, ficção científica, história da ciência, escrevemos crônicas, resenhamos livros, cobrimos eventos e muito mais!
VOLTAR PARA HOME
DEIXE SEU COMENTÁRIO
Nome*
E-mail*
Facebook
Comentário*