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Paraíso Perdido mostra as paixões e saga familiar ao ritmo do brega em São Paulo
CINÉFILOS
29 maio 2018 | Por Jornalismo Júnior

Na São Paulo da diversidade de estilos, ainda há espaço para histórias e desencontros amorosos, tramas familiares e o som do brega? O filme Paraíso Perdido(2018) consegue provar a que a música brega nunca foi tão atual e provoca o espectador sobre a diversidade dos relacionamentos, além das questões como a violência contra mulheres e LGBTs. É uma saga familiar marcada por encontros e desencontros, com histórias entrelaçadas que revelam pouco a pouco um enredo em que os laços de afeto sustentam os personagens e dão força para que lidem com seus traumas e continuem seguindo em frente. A casa noturna do filme é uma espécie de paraíso perdido no tempo, que funciona como um antídoto à violência de fora.

Paraíso Perdido 01

José canta com os netos / Divulgação

A trama do filme possui como cenário principal a boate Paraíso Perdido, situada na Rua Augusta, em São Paulo. É lá que José (Erasmo Carlos) e sua família trabalham à noite cantando clássicos da música brega como Reginaldo Rossi, Belchior, Roberto Carlos e até Raul Seixas, trazendo de volta a nostalgia de grandes cantores desse cenário musical, sem cair no melodrama e monotonia que se espera do gênero.

O ex-professor de literatura José (Erasmo Carlos) é pai de Ângelo (Júlio Andrade) e Eva (Hermila Guedes). Ele tem um filho adotivo, Teylor (Seu Jorge), seu confidente. A família se completa com seus netos Celeste (Julia Konrad), filha de Ângelo, e a drag queen Imã, filho de Eva (interpretado emocionantemente pelo cantor e compositor paraense Jaloo, em sua estreia como ator). Em torno desse núcleo, estão o policial Odair (Lee Taylor), sua mãe, Nádia (Malu Galli), o professor de inglês Pedro (Humberto Carrão), o namorado de Celeste, Joca (Felipe Abib), e a misteriosa Milene (Marjorie Estiano), companheira de Eva no presídio.

Paraíso Perdido 02

Diretora Mônica Gardenberg (ao centro) com o produtor musical Zeca Baleiro (à esquerda) com o elenco na coletiva de imprensa do filme realizada em São Paulo. Foto: Beatriz Cristina/Cinéfilos

 

Na trama, após Imã ser salvo pelo policial Odair de um ataque homofóbico, José o contrata para proteger o neto. O policial vivia isolado com a mãe, uma ex-cantora que ficou surda após agressões de seu ex-marido, até entrar em contato com o mundo da Paraíso Perdido. O cantor Ângelo lamenta não ter perdoado a traição de sua mulher, que desaparece no mundo sem deixar rastros. Apaixonado, ainda não consegue esquecê-la trinta anos depois. Sua irmã, Eva, está prestes a ser solta após vinte anos na cadeia, por matar o homem que a espancou quando estava grávida de Imã.  O viúvo José faz de tudo para garantir a felicidade do seu clã e conta com a cumplicidade de Teylor. E ainda, Celeste descobre estar grávida de Joca, mas tem apoio de Imã e de sua família para levar a gravidez em frente.

O filme cria aquela sensação de continuação e subjetividade, formada pelo tempo em que reviravoltas e descobertas acontecem a todo o momento na vida dos personagens, tanto nos romances e experiências sexuais como na forma em que a família está relacionada nisso. O cenário e a fotografia são outros pontos positivos, além da dedicação dos atores. A forma como o filme aborda as questões de violência no passado e presente dos personagens, usa da união e cumplicidade familiar para seguir em frente, mas sem um certo aprofundamento e militância sobre as questões do problema da violência, conseguindo passar a reflexão na forma da indignação e compaixão por espectador pelas personagens.

O filme possui roteiro e direção de Monique Gardenberg, conhecida por filmes como Ó Pai Ó (2007), Jenipapo (1995) e Benjamin (2004), e direção musical de Zeca Baleiro. Estreia dia 31/05 nos cinemas nacionais. Confira o trailer abaixo:

Por Beatriz Cristina
beatrizcristina.sg2000@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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