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Partes ora quentes, ora frias de Katy
CINÉFILOS
31 jul 2012 | Por Jornalismo Júnior

Hot N’ Cold, Firework, I Kissed a Girl, Last Friday Night (T.G.I.F.), California Gurls… A probabilidade de você estar com, pelo menos, o refrão de uma dessas músicas tocando agora em sua cabeça é muito grande. Isso comprova que, pelo bem ou pelo mal, a cantora americana Katy Perry se tornou uma grande artista da música pop atual. E é justamente essa sua grandiosidade que Katy Perry: Part of Me (Idem. EUA. 2012.) pretende captar.

Part of Me é basicamente um documentário que acompanha Katy nos bastidores de sua turnê de 2011, California Dreams, mesclando histórias de sua carreira e acontecimentos de sua vida pessoal. Embora seja estruturalmente sem falhas, já que segue um (seguro) modelo padrão de documentários, o filme apresenta uma sequencia de altos e baixos quanto à apresentação de seu conteúdo.

Logo no início, após uma explosão de créditos iniciais coloridos e imagens de Katy ensaiando e preparando seus shows – embalados pela música que dá nome ao documentário –, somos apresentados a uma das partes realmente interessantes do filme: a história do início de sua carreira. Sim, você poderia achar essa história tranquilamente em uma boa pesquisa na Internet, mas o uso de depoimentos de familiares e de fotos e vídeos pessoais dão mais vida a ela.

Acompanhamos uma Katy Perry criança, cantando em corais religiosos por determinação de seus pais pastores evangélicos, sua adolescência com a música gospel e a descoberta de novos estilos musicais e o início de seu sucesso com uma particular música (nem um pouco evangélica) sobre um beijo seu com outra garota. Tudo isso entremeado por depoimentos da própria Katy, de seus irmãos, amigos e de seus pais.

Como já dito, quer queira, quer não, Katy Perry se tornou uma cantora reconhecida, com várias músicas nos topos das paradas, e ver como foram os primeiros passos de uma artista desse naipe é bastante interessante. E olha que este que vos escreve é fã de rock…

Menos interessante, mas compreensível, é o tratamento dado pelo filme aos bastidores da turnê. O documentário pretende mostrar-nos a grandiosidade de Katy Perry e este acaba sendo o foco da cobertura dos bastidores. Deparamo-nos com cenas cujo objetivo principal é mostrar-nos como ela trabalha duro em turnê, fiscalizando cada parte integrante de seus shows. Em outras, vemos seus dançarinos recebendo instruções para agirem com a mesma energia dela durante seus números. Ou seja, tudo é muito focado na “estrela Katy Perry”.

Como a maioria esmagadora do público desse filme será de fãs, é compreensível que ele se volte para a figura do “ídolo”, mas seria mais interessante se algumas vezes fossemos apresentados ao processo de montagem de uma turnê grande como essa: o brainstroming de ideias sobre o roteiro dos shows, a produção de cenários e figurinos, iluminação, as dificuldades encontradas. Porém, ao invés disso, ficamos com uma supervalorização do papel de uma só pessoa na turnê, mesmo que essa pessoa seja a cantora a se apresentar.

Contudo, não é só de carreira e de vida profissional que esse filme trata. Também há momentos que focam na vida pessoal de Katy, mais especificamente em seu casamento com o comediante inglês Russell Brand, que chegou ao fim no ano passado. Os produtores de Part of Me tiveram uma sádica sorte, pois conseguiram captar momentos antes e após o divórcio do casal, que se casou em outubro de 2010.

O resultado é a construção de uma espécie de melodrama romântico: as cenas e depoimentos sobre o amor entre os dois fazem com que o público – que, em sua grande parte, já sabe sobre o divórcio – fique com pena da “mocinha Katy” e anseie pela fatídica cena em que ela recebe o pedido de divórcio do marido momentos antes de subir ao palco para seu show em São Paulo, em setembro do ano passado, e, mesmo abalada, resolve (muito corajosamente, na opinião deste humilde escritor) fazê-lo.

Agora, não anseie muito. Na realidade, você pode assistir somente a esse trailer lançado no meio do mês passado, pois ele mostra, basicamente, todas as cenas importantes desse momento. É relativamente decepcionante ver um estúdio utilizar das boas cenas de um filme, mesmo que essas cenas mostrem algo triste, para vendê-lo e não entregar nada de novo no filme em si.

Katy Perry se apresentando na pré-estreia do documentário sobre o início de sua carreira

Finalmente chegamos ao verdadeiro divisor de águas desse documentário: o 3D. Sim, há aqui a opção pelo efeito 3D, que se apresenta como uma faca de dois gumes. Por um lado, Part of Me apresenta um dos melhores usos do 3D que já vi: não é muito original, porém é muito bem feito. Não há aqui a impressão que muitos filmes em 3D dão de se estar olhando duas camadas de filmagem ao mesmo tempo, mesmo com os óculos especiais colocados. O uso do efeito nas muitas cenas do próprio show (o que se traduz em muitas músicas de Katy pelo filme todo) e em pequenas partes, como entrevistas e fotos, é de qualidade surpreendente e, em alguns momentos, de tirar o fôlego. Porém, por outro lado, como a maioria dos filmes em 3D atuais, nem todas as cenas possuem esse efeito. A maioria das cenas de bastidores são em 2D, o que acaba enganando o público, que imerso no filme, nem percebe essa mudança de dimensões.

Além disso, há a questão do preço de um filme 3D. O ingresso provavelmente custará o valor médio de um filme com esse efeito, algo em torno de 30 reais a inteira. E, sem dúvida, o filme não compensa esse preço. Aliás, só compensaria para fãs fervorosos de Katy Perry ou de música pop. Para pessoas que não se encaixam nesses grupos, mas ainda assim querem assistir à Part of Me, melhor procurar pela versão 2D. Já para pessoas que odeiam tanto pop quanto Katy Perry, a recomendação é redobrada: passe longe desse filme, em qualquer dimensão. Definitivamente, toda essa doce viagem colorida, cheia de glitter e bolhas de sabão, não foi feita para todos.

Fotos: Divulgação

Por Daniel Morbi
daniel.morbi@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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