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Peter Pan: Válvula de escape da imaginação
CINÉFILOS
07 out 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Bianca Kirklewski
biancakirklewski@gmail.com

peter pan 1A grande dádiva da infância está na nossa capacidade constante de imaginar. Nossas fantasias atuam como lentes fotocromáticas, que esperam o menor dos estímulos para alterar aquilo que vemos, tornando o vivido mais vívido e colorido. Com o passar dos anos, no entanto, as micropartículas que formam essa lente invisível vão se pulverizando, e aos poucos perdemos esse dom até então natural. É inevitável. Na tentativa de sentir, mesmo que passageiramente, um suspiro do ar que antes nos envolvia, buscamos a arte. O teatro, a pintura, a música, a fábula, o cinema. Peter Pan (Pan, 2015) consegue entrelaçar tudo isso. E é com graça e alívio que filmes como esse merecem ser recebidos.

Não se trata de uma refilmagem da clássica história conhecida por todos aqueles que um dia foram crianças. O longa pretende, na verdade, contar a história que antecede essa história.

A trama tem início durante a Segunda Guerra Mundial, num orfanato de freiras. Peter (interpretado por Levi Miller) é um garoto travesso que não conheceu sua mãe, mas mesmo assim a ama e tem a certeza de que um dia vai encontrá-la. Certo dia, ele percebe que alguns colegas órfãos estavam desaparecendo. Com o intuito de descobrir o que está acontecendo, resolve passar a noite em claro e então descobre o inusitado: piratas estavam invadindo o gigante dormitório. Pelo teto, com cordas, num único salto, fisgavam os meninos de suas camas e os levavam para um navio flutuante.

A caracterização e movimentos dos piratas evocam os personagens de algum espetáculo do Cirque du Soleil, dando ao filme um positivo ar teatral.

peter pan 2

Os meninos sequestrados são então levados à Terra do Nunca e acolhidos por Barba Negra (Hugh Jackman) e seus serviçais, que trabalham numa gigante mineradora, em busca de um material proveniente de fadas. Na recepção, todos os habitantes cantam uma versão arrepiante da música Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, gerando uma das cenas mais memoráveis do longa-metragem.

As crianças raptadas são então obrigadas a trabalhar nessa mineradora, e é assim que Peter conhece Hook (Garrett Hedlund), que se tornaria mais tarde o famoso Capitão Gancho. Os dois se tornam amigos e traçam um plano de fuga juntos. Pode-se questionar o excesso de caipirice do personagem Hook: talvez seja resultado de uma indelicadeza interpretativa do ator, talvez seja uma necessária acentuação característica de histórias de fantasia.

Enquanto prisioneiro de Barba Negra, Peter descobre possuir a habilidade de voar, e isso assusta o pirata: uma antiga profecia dizia que um menino com tal virtude lideraria uma rebelião contra ele.

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Peter Pan é um filme que emociona mesmo aqueles não tão chegados em contos de fadas. Seus efeitos especiais são em sua maioria convincentes, possibilitando uma imersão agradável. A maquiagem e vestimenta dos personagens mais fantasiosos não buscam o realismo, mas a experimentação (num âmbito comercial).

A perda de ritmo sentida a partir da metade do filme e a presença de cenas bizarras, longas e desnecessárias, como quando os personagens estão na água e ocorre uma proliferação de sereias com o rosto da Cara Delevingne (?!), não prejudicam a totalidade do longa.

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A todos aqueles que buscam mergulhar num cosmo fantástico, Peter Pan acaba por permitir que a tela do cinema substitua temporariamente nossas lentes fotocromáticas imaginativas.

Veja o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Julie
O que que tem as sereias interpretadas por Cara? São sereias gêmeas, oxe!
21 mar 2017
 
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