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Pink Floyd: a psicodelia que invadiu as telonas
CINÉFILOS
07 jul 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Juliana Brocanelli
brocanelli.juliana@gmail.com

Pink Floyd. Apenas o nome bastaria para explicar a importância da banda para a história do rock mundial. Fundada em 1965, a banda contava, inicialmente, com os talentos de Syd Barrett, Richard Wright, Nick Mason e Roger Waters. Em 1968, Gilmour substitui Barrett e firma o quarteto que viria a influenciar a cena musical mundial pelas próximas décadas.

Marcado pela psicodelia e pelo rock progressivo, o Pink Floyd se consagrou como uma das mais aclamadas bandas de todos os tempos. Sua obra-prima “The Dark Side of The Moon” é, até hoje, o segundo álbum mais vendida na história da indústria fonográfica.

Em comemoração à Semana do Rock, o Cinéfilos traz um pouquinho da relação dessa icônica banda com o mundo do cinema e as curiosidades que rondam essa parceria de tanto sucesso.

Is there anybody out there?

Assim como o aclamado álbum “The Wall”, o filme, homônimo, sofre influência direta da Segunda Guerra Mundial e suas consequências. O filme, lançado em 1982 pela MGM, é muito bem visto entre a crítica e o público, uma vez que traduz, em imagens impactantes, o que o baixista Roger Waters havia produzido, de forma detalhada, musicalmente em 1979.The Wall” conta a estória de Pink (Bob Geldof), um astro do rock, a partir de um momento de alucinação. O filme passa pela infância do rapaz, desde sua relação conturbada com a mãe até as primeiras experiências sociais, e aponta os eventos traumáticos que o levaram ao marasmo. Durante o enredo, é possível acompanhar a imersão do personagem em sua próprio mundo, enclausurado, e em seu próprio descontrole emocional. A construção do muro nos propõe profundas reflexões filosóficas sobre as relações interpessoais e egóicas, sendo que os tijolos têm grande apelo metafórico.

the wall

O longa também conta com as habilidosas mente e mãos de Waters. A produção, que conta com a direção de Alan Parker e ilustrações de Gerald Scarf, é semi-autobiográfica e mescla cenas fictícias com a própria vida do músico. Os diversos traumas do compositor, que envolvem a perda do pai na Segunda Guerra Mundial, a superproteção de sua mãe, o abuso de drogas e até sua educação, formam o leitmotiv do filme e dão espaço para que as críticas (ao governo, à educação, às práticas bélicas e ao “gelo fino da vida moderna”) sejam feitas.

Uma das críticas mais contundentes – e óbvias, se destina à educação. “Another Brick in The Wall – parte 2” talvez seja a canção mais famosa do Pink Floyd e se propõe, com glórias, a delinear as incoerências da educação na década de 1980 e, por que não?, da época atual. Durante esta música, as crianças aparecem, no filme, com máscaras iguais e com comportamentos metódicos; até serem levadas a um moedor, que dá conta do serviço de alienar o pensamento jovem e, literalmente, transformar a todos em massa. É interessante como se propõe um questionamento sobre a relação do opressor com o oprimido. As cenas e a letra da música nos indicam que o professor – que representa a opressão, é apenas um reprodutor da opressão que sofre, como num ciclo vicioso eterno.

As ilustrações de Scarf são uma verdadeira obra expressionista. Ele captura de forma sublime a angústia do personagem, dos pensamentos e traduz, em imagens, a poesia lisérgica do álbum “The Wall”. Assim como a banda, o filme tem um tom de psicodelia e surrealismo. Isto se torna ainda mais explícito quando se considera que quem efetivamente fala, no longa, são as músicas.

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Eeverything under the Sun is in tune

Apesar de ter sido lançado em 1939, “O Mágico de Oz” fez parte da infância de todos nós. O filme conta a estória da garotinha Dorothy (Judy Garland), que vive na fazenda de seus tios, mas acaba indo parar na Terra de Oz depois de um tornado que leva a casa pelos ares. Para voltar para casa, Dorothy deve procurar a ajudo do Mágico de Oz (Frank Morgan). Nesta busca, se juntam a ela um espantalho cujo sonho é ter um cérebro (Ray Bolger), um homem de lata (Jack Haley) que deseja um coração e um leão covarde (Bert Lahr) que gostaria de ser corajoso. O quarteto passa por diversas aventuras e conflitos até o “final feliz”.

 magico de oz

 

Tudo isso nós sabemos, o intrigante é a relação que há com o filme e o oitavo álbum da banda, “The Dark Side of The Moon”, de 1973. Diversos fãs sugerem que há sincronia entre as obras, tanto em trechos das letras da músicas, quando em correspondência audiovisual. A semelhança ficou conhecida como “The Dark Side of The Rainbow”, em referência à canção “Over the Rainbow”, parte da trilha sonora original do filme.

Dark Side of the Rainbow

 

Os membros da banda foram questionados diversas vezes sobre o suposto encaixe entre as obras e afirmam incessantemente que é apenas uma coincidência. Durante o 25º aniversário do disco, o vocalista e guitarrista da banda, David Gilmour, negou que o Pink Floyd tenha pensado no álbum com a intenção de sincronizá-lo ao filme. “Algum cara com muito tempo livre teve essa idéia de combinar O Mágico de Oz com Dark Side of the Moon“.

Ainda que o paralelismo repercuta mundialmente e leve milhares de fãs a buscarem semelhanças, a sincronia parece não passar de puro acaso e, exceto por alguns momentos, poderia passar batido por conta de sua sutileza. Para que o acompanhamento seja perfeito, é preciso iniciar o CD quando o leão, símbolo da MGM, der a terceira rugida. O álbum tocará, aproximadamente, duas vezes e meia até o final do filme.

Lenda ou não, o Cinéfilos foi conferir e listou algumas coincidência para você conferir na próxima vez que assistir ao clássico:

– 07m50s: A música “Time” coincide com a chegada da bruxa. Os repiques e sinos na música mudam completamente o clima da cena e ainda se encaixam como sonoplastia para o som da bicicleta da velha;

– 15m50s: Quando o tornado se inicia, começa também “The Great Gig In The Sky” (O Grande Espetáculo No Céu), e a bateria pontua o vendaval que se desenrola no filme;

– 37m22s: A música “Brain Damage” (Dano Cerebral) se inicia durante a dança do espantalho, que não tem cérebro;

– 42m30s: A batida do coração inicia no mesmo momento em que Dorothy bate no peito do homem de lata, que diz não possuir um coração.

Além destes exemplos, os fãs já conseguiram listar mais de 100 sincronismos. Um deles, inclusive, extrapola o álbum “The Dark Side of The Moon” e se extende para o “Pulse”, lançado em 1995. A teoria é de que na capa do disco, que reproduz psicodelicamente um globo ocular, é possível encontrar desenhos da bicicleta da velha avarenta, Dorothy, o Leão, o Homem de lata, o Espantalho e a Bruxa.

pulse pink floyd  dark side of oz  pink floyd oz

 

Oh by the way, which one’s Pink?

Além de filmes ficcionais e estranhas conexões com clássicos do cinema, a banda também protagoniza alguns documentários. Um deles é o “The Story of ‘Wish You Were Here’”, lançado em 2012, que conta a história do conceituado nono álbum do Pink Floyd: “Wish You Were Here”, de 1975.

Para escrever e dirigir o documentário, o quarteto repete a parceria de sucesso com John Edginton, que já havia produzido o longa “The Pink Floyd and Syd Barrett Story”, de 2003, o qual também aborda a trajetória da banda.

O filme reúne depoimentos e entrevistas de Gilmour, Mason, Wright, gravados anos antes de seu falecimento, Waters, Roy Harper e Brian Humphries, engenheiro de som.  Além de nomes como o de Nick Kent, na época jornalista da NME, Storm Thorgerson, responsável pela capa do “The Dark Side of The Moon”, entre outros profissionais que mantinham contato com a banda durante o ano de gravação do álbum.

wish you were here pink floyd

Durante cerca de uma hora, os integrantes da banda deixam claro como o sucesso do Dark Side foi determinante na produção do disco seguinte. Mason menciona diversas vezes que eles estavam tentando recriar o álbum anterior e que essa pressão secava a fonte criativa do Pink Floyd. Assim como em “The Wall”, Waters assume a liderança e tenta cadenciar a produção do grupo.

Como o próprio título sugere, “Wish You Were Here” é um álbum alimentado pela ausência. A icônica canção “Shine on You Crazy Diamond” talvez seja a máxima manifestação desse sentimento. Escrita para Syd Barrett, um dos fundadores e, por muito tempo, a luz de criação e talento da banda, a música “é a expressão mais profunda de minha tristeza e minha admiração por seu talento”, segundo Roger Waters. Os versos “Remember when you were young? You shone like the sun” (“Lembra quando você era novo?Você brilhou como o sol”) são uma referência à genialidade do músico, assim como “Well, you wore out your welcome With randon precision” (“Bem, você desgastou suas boas vindasCom precisão aleatória”) falam sobre seu estado de desgaste.

Um dos pontos altos do documentário é, sem dúvida, a aparição de Syd no estúdio, durante a gravação do disco. Debilitado pelo uso de drogas, o músico aparece sem cabelo e com as sobrancelhas raspadas e choca seus companheiros de banda, que há muito não o viam. A aparência de Pink, no filme “The Wall” – também com as sobrancelhas raspadas – é uma alusão à Syd Barrett e mais uma forma de homenagem.

Musicalmente e cinematograficamente, Pink Floyd é um sucesso inegável. A banda arrebata milhares de fãs e fez muitos deles pregarem os olhos na telona para curtir verdadeiros shows audiovisuais. Pra Semana do Rock, nada melhor que estourar uma pipoca e curtir os longas, que são facilmente encontrados pela internet!

 

 

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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