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Pixar e a elaboração de enredos de animações infantis
CINÉFILOS
05 jul 2018 | Por Jornalismo Júnior

Que a Pixar é uma das maiores produtoras de filmes animados no mundo, isso não é segredo para ninguém. Porém, quando assistimos seus filmes depois de crescidos, começamos a perceber um padrão de escolhas em suas temáticas. Os filmes normalmente abordam questões muito elaboradas para a mente da criança de uma maneira lúdica ou se baseiam no “e se” de alguma premissa conhecida.

Pixar

[Imagem: Giovana Christ/Comunicação Visual – Jornalismo Júnior]

A empresa começou como um braço da Lucasfilm, produtora da saga Star Wars, mas logo foi vendida para Steve Jobs, criador da Apple. Mas, ao contrário do que muitos acreditam, ela começou produzindo computadores com algoritmos responsáveis por fazer animações. Depois que investiram na elaboração de curtas e comerciais, foi comprada pela Disney, adentrando de vez no mercado de animações. Nesse processo, a Disney cuida da divulgação e a Pixar, da produção, formando uma parceria que mudou o mundo do cinema.

Questões elaboradas

Pixar

[Walt Disney]

Muitos dos filmes da Pixar se encaixam nessa categoria. Um exemplo claro é Divertida Mente (Inside Out, 2015). Aqui temos a resposta para a pergunta de como nossa cabeça funciona. Como falar de cérebro, neurotransmissores e sinapses para crianças não seria viável, foi criada a ideia de que somos controlados por pequenas pessoas que comandam uma central de controle do nosso corpo, controlando nossas ações. Na cabeça de Riley, a personagem principal, temos a Alegria, a Tristeza, a Nojinho, o Raiva e o Medo.

Pixar

[Buena Vista]

Além desse, um sucesso mais antigo da empresa também retrata um tema importante de maneira mais divertida: a desobediência. Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003) retrata as aventuras de um peixe, o pai Marlin, em busca do filho Nemo que o desobedeceu e acabou sendo capturado por um mergulhador. Com isso, as crianças veem de maneira mais lúdica as consequências de tomar decisões impulsivas.

Pixar

[Walt Disney]

Outro longa que aborda um tema importantíssimo é Wall-E (Wall•E, 2008). Em futuro não tão distante assim, a Terra foi despovoada pois o excesso de lixo e a falta de preocupação com o meio ambiente tornaram-na inabitável. Nela, restam apenas robôs que se encarregam de fazer a limpeza para que um dia a raça humana, exilada em uma nave e completamente sedentária, possa retornar. A história ressalta por diversas vezes a importância da reciclagem, dos exercícios físicos e da diminuição da poluição, temas que seriam ignorados pelas crianças, se não fosse o apelo visual e o enredo cativante.

E se…

Pixar

[Buena Vista]

Um dos maiores sucesso da empresa é o filme que conta a história de Sully e Mike, monstros que trabalham assustando crianças para produzir energia. Esse é um dos exemplos de “e se”. Ao analisar o longa, vemos o pensamento por trás da máxima infantil de que existem monstros dentro do armário: “e se contássemos tudo da perspectiva dos monstros” e é essa a base. O enredo explora a vida desses personagens e o porquê de eles assustarem crianças.

Pixar

[Buena Vista]

Outro exemplo desse grupo é o longa Toy Story – Um Mundo de Aventuras (Toy Story, 1995). Nele temos a premissa de “e se meus brinquedos ganhassem vida quando eu não estou olhando?”. Woody, Buzz e todos os outros brinquedos de Andy tem relações e sentimentos bem humanos quando ninguém está olhando e precisam retornar até a casa de seu dono antes de ele se mudar, já que, por conta de uma briga, acabaram caindo pela janela.

Pixar

[Buena Vista]

Também na classe dos “e se” temos Os Incríveis (The Incredibles, 2004), que explora um outro lado dos super-heróis. Estamos acostumados a vê-los de capa e uniforme salvando o mundo, mas o filme retrata o cotidiano desses personagens, enquanto família. Temos competições escolares, empregos enfadonhos e brigas de irmãos, além de um grande salvamento em família no final. A premissa aqui é “e se super-heróis fossem pessoas normais?”.

Pixar

[Buena Vista]

Por último nesse texto, já que, se falássemos de todos os filmes da Pixar, ficaríamos aqui pra sempre, Ratatouille (Ratatouille, 2007) conta a história de um ratinho gourmet, pode-se dizer. A ideia é “e se um rato, ao invés do que todo mundo acha, fosse limpo e gostasse de cozinha?”. Remy é a ovelha negra de sua família. Ele não rouba comida de lixo ou anda de quatro patas, como seus irmãos. Ele assiste programas de culinária e mistura temperos. Porém, ele se perde de seu bando e acaba como ajudante de cozinha (secreto) de um dos mais famosos restaurantes de Paris.

por Maria Carolina Soares
mcarolinasoares@uol.com.br

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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