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Playlist: O que toca na Sala33
Escuta Aí
27 fev 2018 | Por Jornalismo Júnior

O Sala33 se juntou e trouxe uma playlist recheada de música boa recomendada por cada repórter do site. Aqui você confere a justificativa de cada um pra ter escolhido esse som e tem a chance de conhecer um monte de música de vários estilos diferentes.

 
Sarah Jeffe – Clementine (Mariangela Castro)

Eu sabia que queria indicar alguma música da Sarah Jaffe, descobri essa cantora incrível faz 3 anos e desde então é a única que ouço toda vez que tenho que virar a noite trabalhando. Ela é uma artista extremamente diversa: algumas de suas músicas são cheias de efeitos, outras são apenas voz e violão. Mas, de todos os modos possíveis, são carregadas de sentimentos e me trazem muita paz, calma e pensamentos. As letras, apesar de simples, sempre parecem esconder alguma história e uma confissão.

Clementine foi a primeira dela que ouvi (é também a mais famosa) e toda vez que alguém me pede uma indicação de música é essa que eu escolho. A melodia é bem simples e leve, eu gosto do som do violão, da voz rouca da Sarah e do modo sincero como ela canta. Fala sobre mudanças, escolhas e arrependimentos, e toda vez que eu paro para escutar penso em nas oportunidades que perdemos e nas decisões que tomamos conforme crescemos. E nunca consegui decidir se acho essas oportunidades perdidas e escolhas tomadas uma coisa boa ou ruim.

 

Mitski – Townie (Bárbara Reis)

Alguns dizem que o rock morreu e outros dizem que ele se tornou “feminino demais”, mas eu acho que ele está vivíssimo e, de fato, nas mãos de mulheres (e não do Bono, ainda bem). Mitski é uma artista americana que faz parte de uma pequena cena de mulheres asiáticas-americanas (Japanese Breakfast, Jay Som) que estão inovando dentro do gênero. Ela tem uma voz fantástica que consegue ir do grave para um belíssimo agudo em segundos e eu diria que sua grande temática é a vida no limbo dos vinte e poucos. A parte universal da sua obra se mistura à sua experiência racial específica nos Estados Unidos em alguns momentos, o que deixa tudo mais interessante. Suas letras têm uma honestidade emocional maravilhosa e ela é mestre em fazer versos simples que articulam sentimentos muito complexos e bagunçados. E ah: em seus álbuns, ela é quem toca todos os instrumentos.

Townie, do terceiro álbum dela, mostra tudo isso muitíssimo bem: é uma música sobre estar perdida, querer tudo e sentir que nada é suficiente, mas mergulhar de cabeça na vida pra tentar descobrir. É provavelmente a mais rápida e explosiva da carreira dela e uma das minhas favoritas!

 

Big Thief – Real Love (Giovanna Querido)

Eu conheci essa banda porque meu pai musical, Bob Boilen (host do podcast All Songs Considered – NPR) elegeu como um dos melhores álbuns de 2016. Desde então, não passo um dia sem ouvir alguma música desse álbum, Masterpiece (nome bem propício, inclusive). Escolhi Real Love, porque acho uma boa porta de entrada, diferente do resto do álbum essa música é preenchida por vários solos de guitarra, mais agressiva, crua. Adrianne Lenker, a vocalista, tem a capacidade de cantar palavra por palavra, verso por verso, como se fosse  uma faca entrando para dilacerar nosso coração. O meu sempre se encontra despedaçado depois do verso: Having a bad week?/ Let me touch your cheek/ I will always love you. É isso, espero que vocês chorem 🙂

ps: eles já tem um álbum novo que chama Capacity (bonzão também)

 

Scorpions – Wind of Change (Luis Franco)

Francamente, eu acho essa uma das músicas de rock mais bonitas que eu já ouvi. Eu sempre tive um fraco por bandas mais antigas, mas nunca tinha me aproximado tanto do rock até uns dois ou três anos. Wind of Change foi a música que me conquistou, principalmente por ter um tom mais devagar e melancólico, e eu sinto que ela carrega uma mensagem muito forte de esperança.

No geral, Scorpions é uma banda que se distancia um pouco do padrão do hard rock. Outras músicas e bandas desse gênero são mais voltadas para o som alto, a gritaria e a ideia de raiva pelo qual o rock acaba sofrendo críticas, e essa música me parece fugir um pouco a esse conceito e permitir uma reflexão mais calma sobre o que está sendo dito. Além disso, créditos para o assobio no começo da música.

 

The Maine – Black Butterflies and Dèjá Vu (Gabriela Bonin)

É uma das minhas músicas favoritas do The Maine e ela começa dizendo “what would you say / if you could say everything you needed to / to the one you needed to?“. Uma vez eu li uma entrevista do John O’Callaghan, vocalista, que me fez gostar mais ainda dela, porque ele dizia que a música era “para os momentos, lugares ou pessoas que de alguma forma transformam a sua língua em pedra. Aqueles momentos em que as palavras realmente não possuem o poder de expressar adequadamente uma situação”. Ele também disse que ela representava um momento em que, para ele, “o mundo ficou claro por apenas um instante… Quando os problemas se dissipavam e não era possível se expressar usando as vinte e seis letras que conhecemos”.

 

Castello Branco – Necessidade (Natan Tovelli Tu)

Se você quiser conhecer os frutos daquela MPB (das letras maiúsculas), Castello Branco pode ser um bom nome. Com arranjos que mesclam percussão, cordas, voz, e algumas distorções, Castello mistura influências do imaginário do interior brasileiro, das cantigas de roda, do rock e da tal MPB. Suas composições costumam tratar sobre afeto, espiritualidade, memória e empatia. Autor de dois álbuns e um livro de poesias, ele sempre faz shows bem baratinhos pelas principais capitais do Brasil! Se curtir Necessidade, vá de Crer-Sendo, Tem Mais Que Eu e Do Interior.

Permitir é um gesto sagrado” – Castello Branco, no livro Simpatia (2016)

 

Taylor Swift – You Are In Love (Maria Carolina Soares)

Eu queria ter razões técnicas para indicar essa música, que é uma das minhas favoritas da vida. Queria poder falar sobre voz, arranjo e melodia para, quem sabe, intrigar um pouco quem me lê. Mas eu só consigo descrever You Are In Love com sentimento. Ela é relativamente desconhecida (infelizmente), mas me toca de uma maneira que eu não consigo explicar muito bem. Ela me passa paz, não sei exatamente o porquê. Essa música consegue, ao mesmo tempo, me alegrar, me dar uma saudade de algo que eu não sei bem o que é (ou se eu já vivi) e me tirar facilmente de uma crise de ansiedade. De novo, eu queria poder dar razões mais técnicas, mas é como se You Are In Love fosse cheia de alma. Com isso, ela se conecta diretamente com a minha.

 

Ennio Morricone – Love Theme (Beatriz Gatti)

Assisti Cinema Paradiso algumas vezes com a minha mãe quando eu era criança e depois nunca mais. Essa música é daquelas que te fazem sentir verdadeiramente um filme. Daquelas que te lembram da exata sensação que ele causou em você. Ninguém vai sentir o mesmo que eu, mas queria compartilhar com vocês que na terça-feira eu tinha a TV ligada nas Olimpíadas de Inverno e a música começou a tocar do nada. E do nada também eu e minha mãe fomos correndo pra ‘assistir à música’ com a patinação artística.

E desde então, estou com uma vontade louca de rever o filme! É isto!

 

The Donnas – Revolver (Mel Pinheiro)

Fiquei um tempo pensando que música ia colocar porque faz tempo que não conheço alguma banda nova, tudo que ando ouvindo são singles dos anos 80 e também pensei em colocar algum deles. Mas né, qual o problema de ser óbvia e colocar a banda favorita? As Donnas estiveram em atividade do fim dos anos 90 até 2012, e foram a trilha sonora do meu coming of age. Tudo que eu sei sobre feminismo e empoderamento feminino foi por causa delas, pois elas estavam lá sendo fodas em uma época que não se falava quase nada sobre isso. Hoje em dia elas deixaram a banda de lado para se dedicar aos estudos na universidade. Revolver é minha música favorita da banda.

 

The Corrs – Toss The Feathers (Júlia Mayumi)

É um grupo meio desconhecido, acho; são quatro irmãos da Irlanda que têm músicas INCRÍVEIS com violino, flauta e bateria ao mesmo tempo, é muito mágico. Toss The Feathers é a instrumental mais famosa deles (não sei se é deles mesmo ou se eles fazem algum tipo de versão) e é absolutamente maravilhosa, na minha opinião.

 

Coldplay – A L I E N S (Gabriel Bastos)

Bom, eu poderia fazer inúmeras sugestões… mas quis focar em algo que (para mim) tivesse alguma conexão com o resto da playlist. Essa musica ficou na minha cabeça por muito tempo nos últimos dois meses. A interpretação que eu dou pra música é que ela fala sobre perder-se e querer se encontrar. Ela se comunica muito comigo e é daquelas que você sente te invadindo, tomando conta de você. Ela me toca bastante e é por isso que acho que deveria estar aqui.

 

BIGBANG – FXXT IT (Ingrid Luisa)

Se hoje grupos de K-pop fazem a Billboard lançar oito capas diferentes para a revista ao mesmo tempo — nosso querido BTS ganhou uma capa para cada integrante e outra com todos juntos — é graças a grupos clássicos que, há décadas, moldaram e consolidaram todo o estilo. Um desses grupos icônicos é o BigBang, que conta com mais de dez anos de estrada e hits no topo dos charts. Aproveitando o gancho gerado pelo alistamento militar obrigatório do integrante G-Dragon, no dia 27 de fevereiro, que vai fazê-lo ficar dois anos longe dos palcos, vale conhecer o último sucesso do grupo antes do hiato: Fxxk It. Essa música encerrou a famosa série M.A.D.E, uma empreitada marketeira responsável por lançar as músicas do novo álbum aos poucos, junto com as letras do título: foram liberados os single-albuns M, A, D, e E, e só depois um MADE full version, com todas as 8 músicas já lançadas e mais três inéditas (e as pessoas acham que americanos que sabem fazer dinheiro rs).

Fxxk It era a tão aguardada música chave da full version, e vinha com a difícil tarefa de ser algo diferente e único, por ser a despedida do grupo antes da pausa. Para a alegria do V.I.P (fandom do BigBang), Fxxk It é um hino: a voz angelical de Taeyang abre a música com um estilo melódico esquisitinho e curioso, o rap anasalado de GD e o pré-refrão de Daesung sobem o ritmo na medida até culminar num refrão despretensioso e chiclete, fazendo a música cativar logo na primeira ouvida. O clipe, sobrepondo cabelo verde, rosa, roxo e azul com muito contraste de luz e roupas coloridas, encerrando com uma festança, cria uma última imagem marcante do grupo para os fãs guardarem na memória até a volta. Simples, genial e imperdível. (aliás, recomendo o álbum inteiro hehe)

 

Thiago Pethit – Nightwalker (Matheus Souza)

Eu lembro bem das primeiras vezes em que ouvi essa música. Foi com o clipe que, anos atrás, passava sempre na falecida MTV Brasil. Desde então, ela se tornou familiar pra mim, mas foi só mais tarde que parei pra ouvir com atenção ela e seu intérprete, o Thiago Pethit, que logo se tornou um dos meus artistas brasileiros favoritos.

Nightwalker é uma das faixas mais “good vibes” de Berlim, Texas, um disco todo baseado em sentimentos tristes. Ainda assim, ela tem um tom tragicômico que mantém a melancolia característica do álbum. Apesar de a letra remeter a uma desilusão amorosa, a sensação que a música desperta vai para além disso. Pra mim, ela é a trilha sonora de quando a gente tá passando por um problema difícil de superar e tenta fazer algo pra esfriar a cabeça: sair pra beber, ver um filme, comer uma comida gostosa, algo assim. No fundo, sabemos que o dia seguinte vai ser difícil, e as coisas vão demorar pra melhorar, mas por um momento nos permitimos ouvir uma música alegre, dançar e fazer piada com a situação toda.

 

Sara Bareilles – 1000 Times (Victoria Martins)

Eu pensei muito tempo em qual música ia mandar aqui, mas acabei optando pela Sara porque sinto que ela é muito underrated (subestimada). Talvez vocês se lembrem da música Love Song, que estourou alguns atrás — é dela. Acontece que depois dessa música, ela lançou coisas ainda melhores e se consolidou como uma excelente compositora, mas muitos ainda não a conhecem. Eu escolhi 1000 Times primeiro porque o The Blessed Unrest, último CD dela, é definitivamente o meu favorito e, segundo, porque essa é a minha música favorita pra quando eu quero chorar internamente um pouquinho por amores não correspondidos (quem nunca, né?) (depois de ouvir eu geralmente me sinto acolhida). Enfim, deem uma chance à Sara <3

 

Bleachers – Let’s get married (Carolina Unzelte)

Essa nem é uma música boa. gosto dela quando estou me sentindo apaixonada e também quando não estou tanto. Mas é uma música que acho necessária por ser muito simples, pura, boba, dá vontade de sair dançando com o jeitinho 80’s dela e pedir as pessoas em casamento. Os versos take me so breathless we could be reckless valem os três minutos 🙂

 

Husky Loops  – Tempo (Henrique Votto)

Eu descobri essa música passeando pelo YouTube em uma madrugada improdutiva de férias. Quando achei a banda, fiquei ouvindo direto e essa foi a música que não saiu da cabeça. Apesar de simples, a letra é profunda e a melodia é bem dark, me lembrou um pouco o som de uma das minhas bandas favoritas, Queens of the Stone Age! Depois disso, a madrugada de sono perdido valeu a pena hehehehe!

 

The Cranberries  – Tomorrow (Fredy Alexandrakis)

Tomorrow é do sexto álbum de estúdio dos Cranberries, Roses, lançado em 2012. O disco teve recepção morna da crítica, compreensivelmente: a banda não demonstrava nenhum sinal de evolução depois de tantos anos de estrada. Dane-se: Tomorrow me lembra as grandes baladas melosas que fizeram o nome da banda nos anos 90. E, droga, o refrão de “tomorrow could be too late” traz um aperto no coração um pouco real demais depois da morte precoce da vocalista Dolores O’Riordan em janeiro. Por mim, já vale só por ouvir a voz incrível dela, cantar junto, chorar junto.

 

Vance Joy – One Of These Days (Giovana Christ)

De Vance Joy eu só conhecia a que todo mundo conhece: Riptide (nome da turnê acontecendo no momento). Um dia, pelo Lollapalooza 2017 acabei parando no show desse mocinho e foi só amores, mesmo não conhecendo quase nada. Depois disso, descobri que ele é meu match musical perfeito e acredito que seríamos muito amigos se nos conhecêssemos. Essa música foi a que eu mais me encontrei no álbum novo dele (que saiu agora dia 23).

Ontem foi anunciado que em outubro tem show no Brasil!

 

Linn da Quebrada – Necomancia (Igor Soares)

“Necomancia” é a sexta faixa do primeiro álbum da Linn da Quebrada, “Pajubá”. Ela conta com a participação da drag queen e rapper Gloria Grove que abre a música, trazendo suas rimas ágeis e certeiras. Logo em seguida, Linn entra brincando com as palavras e os vocais, de um jeito divertido e irônico, mas ao mesmo tempo forte e crítico. Não apenas essa faixa, como todas as outras do álbum, podem causar um estranhamento nos ouvidos mais polidos. E esse choque é proposital. Linn não tem nenhum tipo de filtro, ela fala na lata, sem nenhuma vergonha ou pudor. Ela definitivamente fala das coisas como elas são e faz suas críticas explicitamente, sem qualquer receio. “Necomancia” é criativa, esperta e acidamente engraçada, assim como todo o “Pajubá”. O disco faz uma mistura de palavras e de sonoridades, trazendo vários neologismos e trocadilhos despudorados e absurdamente geniais. Ele vai do hip hop ao eletrônico, dá uma passada no funk carioca e até mesmo na MPB, criando uma obra genuinamente experimental, provocativa e musical e politicamente necessária.

 

Miley Cyrus – Thinkin’ (Fernanda Teles)

O final de 2017 marcou a volta de Miley Cyrus para o cenário musical. Com o CD entitulado “Younger Now”, Miley voltou para as listas de mais tocadas, mas dessa vez com um ritmo mais country do que pop. Entre as músicas mais conhecidas do álbum estão o single de mesmo nome do CD e Malibu, que mostra uma menina mais meiga, bem diferente de Cyrus na época Bangerz.

Thinkin’, no entanto, não virou single (pelo menos por enquanto), nem foi muito notado pela mídia ou, até mesmo, pelos fãs, mas é uma das melhores músicas do álbum. Essa é, com certeza, a música mais pop de Younger Now e merece alguns minutinhos da sua atenção.

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