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Playmobil — O filme: Um retrato da fantasia que existe em nosso interior
CINÉFILOS
19 dez 2019 | Por Edson Júnior (edsonjuniormcz@usp.br)

Trazendo a temática de um dos brinquedos mais famosos dos anos 1980, Playmobil — O filme (2019) vem aos cinemas como uma das grandes apostas das férias de fim de ano. O longa traz a jornada dos irmãos Charlie (Jason Bateman) e Marla (Anya Taylor-Joy) no mundo dos bonecos playmobil. Eles se transportaram para este mundo após mexer em seus brinquedos preferidos dentro de um parque de diversões. Chegando na outra dimensão, Charlie entra no “corpo” de um guerreiro viking, e Marla no de uma jovem comum.

O filme utiliza dois estilos de filmagem, a animação e o live-action. Há um ato em live-action durante o início do longa, que é seguido pela animação, a qual perdura a maioria do tempo de tela. Logo nas primeiras cenas, é apresentada uma linda fotografia, enquanto são mostrados os personagens em live-action. Após isso, no mundo dos brinquedos, prevalece a animação, que conta com recursos técnicos de qualidade.

Sente-se um inserimento no mundo mágico de playmobil, pois os irmãos tinham um ar fantasioso em suas falas de conhecer o mundo e se aventurar. Porém, o humor presente nessas ações não se dá com êxito; são utilizados clichês e piadas nada inovadoras para tentar desenvolver o alívio cômico no público. O tom lúdico e alegre do início do filme se quebra com a fatalidade de que os pais da família morrem e agora Marla teria que cuidar de seu irmão mais novo sozinha.

Já dentro do mundo de playmobil, há uma mudança no tom do longa. Os pontos de humor já se mostram diferentes e mais bem aproveitados, agora com recursos da animação. Destaca-se uma virada de ação que surpreende: a todo momento, o enredo caminhava para que Charlie – agora no corpo de viking – fosse o protagonista, mas, na verdade, esse papel é exercido por Marla. Isso acontece porque o viking é capturado por piratas clandestinos, e Marla entra na difícil missão de salvá-lo. Essa é a motivação que acompanha praticamente o filme inteiro. Assim, seguindo uma linha atual de protagonistas femininas no cinema, Marla configura a heroína de Playmobil, que irá passar por momentos de descoberta, a fim de resgatar o irmão.

A partir daí, o filme se divide em dois arcos, o de Charlie e sua vida preso, e o de Marla em seu resgate. Nos dois, são apresentados uma quantidade enorme de novos personagens, dos quais alguns não têm papéis aparentes dentro do longa. É uma quantidade estrondosa de informação que pode não ser bem absorvida pelo público. Marla, por exemplo, passa por diversas mini-tramas em sua jornada, como faroeste, cidade grande, terra das fadas, entre outros. Em todos esses pequenos mundos, há novos personagens e novas problemáticas a se resolver, passando a impressão de que o enredo não se prossegue efetivamente. 

Dentro de toda essa informação, alguns personagens se estabelecem como ajudantes de Marla em sua saga, como o caminhoneiro Del (Jim Gaffigan) e o agente secreto Rex Dasher (Daniel Radcliffe). Este é um dos que mais tem carisma do longa, pois apresenta uma personalidade singular de um agente: é engraçado e inspirado em figuras clássicas de agente secretos no cinema, como James Bond. Em coletiva de imprensa sobre o filme, o diretor Lino Disalvo afirmou que Rex é o personagem com maior potencial de ganhar um filme solo.

Rex Dasher [Imagem: Cinemaginando]

As músicas têm um importante papel na construção do longa e são totalmente originais. Em meio às cenas de ação, de vitória e de derrota, as músicas retratam o acontecido em tela por meio de um ritmo único, que dialoga com a cena específica. Como exemplo, podemos retratar duas cenas. Uma ocorre no início do filme: quando os irmãos falam sobre viajar o mundo, eles cantam alegremente sobre o fato. Outra acontece quando Marla está desiludida com a própria força na terra das fadas, e a fada madrinha canta, num tom de superação e ritmo mais lento, sobre o poder interior que Marla possuía.

Playmobil — O filme define melhor onde deseja chegar com a história na segunda metade do longa, em que as personagens relevantes estão definidas e já são esclarecidas a maioria das dúvidas do enredo. É uma experiência interessante. Pensando no público-alvo – o infantil –, o longa tem mais êxito no diálogo com o espectador, devido ao seu caráter fantasioso e à grande quantidade de piadas que produz melhor efeito com crianças. Além disso, a nostalgia de quem brincava de playmobil nos anos 1980 e agora vê os brinquedos representados em tela pode ser um fator de sucesso.

No fim, o longa é uma experiência de reencontro e união familiar, carregado de simbologias sobre viajar o mundo e nunca deixar morrer o caráter lúdico interior. Apesar dos problemas no andamento do enredo, Playmobil — O filme traz boas lições no conjunto da obra.

O longa estréia dia 19 de dezembro nos cinemas nacionais. Confira aqui o trailer:

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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