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Poderia Me Perdoar? é um drama que parece simples, mas surpreende
CINÉFILOS
05 fev 2019 | Por Cinéfilos

Quando o nome de Melissa McCarthy é mencionado, os primeiro filmes que nos vem à cabeça são comédias. Poderia Me Perdoar? (Can You Ever Forgive Me?, 2018) não se enquadra nessa regra. Baseado em uma história real, McCarthy dá vida a Lee Israel, escritora que está passando por problemas financeiros e que acha uma saída falsificando cartas de personalidades famosas.

O grande trunfo do longa é, com certeza, a atuação e caracterização da protagonista. Lee não é uma pessoa carismática e, muito menos, fácil de se gostar. Mas, mesmo com essas características, o espectador acaba entendendo suas motivações, ainda que erradas, sendo quase cúmplice de seus crimes.

Alguns pontos levantados por ela são de fácil adesão, como os problemas com a agente que dá preferência para a publicação de pessoas famosas, carismáticas e já conhecidas no meio editorial, independente do teor dos livros. Por um lado, tendo-se em mente os lucros, é compreensível. Por outro, questionável, já que muitos escritos de cunho preconceituoso podem tirar o lugar de outros livros. A protagonista não consegue um adiantamento para escrever seu novo livro e, por conta disso, passa a fazer falsificações de cartas de pessoas famosas, chegando ao ponto de tentar roubar originais para que os compradores não desconfiem.

Lee usa diversas técnicas para fazer as cópias das cartas [Copyright 2018 Twentieth Century Fox]

A sexualidade da personagem é tratada pelo roteiro como algo natural e intrínseco. No decorrer da trama ela conhece Anna (Dolly Wells), que se torna uma das compradoras das cartas falsas. As duas começam a se envolver e a relação afetiva é mostrada como algo normal. O foco da história não é esse e tal característica é apenas uma parte da vida da escritora.

Da mesma maneira a orientação sexual de Jack Hock (Richard E. Grant), amigo de Lee, não é posta em discussão. Ele é um dos melhores personagens do filme, protagonizando os momentos mais divertidos. Com grande carisma e personalidade, Hock não poupa esforços para ajudar a amiga na empreitada criminosa 一 da maneira mais divertida possível.

Outra relação muito interessante é a de Lee com sua gata. O grande apego emocional ao animal é uma forma de humanizar a protagonista. Existem motivos pessoais para esse grande apego que são explicados mais para o fim do filme em uma conversa que faz com que o espectador entenda melhor quem é a escritora.

Poderia Me Perdoar? traz uma trama dramática e interessante, que ganha grande dimensão ao dar palco para as atuações incríveis de Melissa McCarthy e Richard E. Grant. Não à toa, McCarthy foi indicada para melhor atriz e Richard para melhor ator coadjuvante no Oscar 2019.

O longa tem estreia prevista para o dia 7 de fevereiro no Brasil. Confira o trailer:

por Marcelo Canquerino
marcelocanquerino@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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