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Por dentro da obra e da cabeça de Saint Laurent
CINÉFILOS
12 nov 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Luiza Magalhães
ambluiza@gmail.com

A escolha oficial para representar a França na categoria de Melhor Filme Estrangeiro da 87ª edição do Oscar, Saint Laurent (2014), é uma cinebiografia de Yves Saint Laurent dirigida por Bertrand Bonello. O filme, que estreia nos cinemas do Brasil no dia 13 de novembro, mostra detalhes da vida do estilista francês no período de 1967 a 1976, durante o ápice de sua carreira.

Com bastante cor e extravagância, somos levados a conhecer mais a fundo o trabalho do homem que revolucionou o modo de vestir das mulheres da época e foi um dos precursores do prêt-à-porter. É retratado desde o processo de criação até a chegada às passarelas, passando até mesmo pelo lado burocrático. As cenas são permeadas de referências artísticas, citando inúmeras vezes pintores como Matisse e Mondrian (cuja arte foi inspiração para um vestido icônico de Saint Laurent) e mostrando sua amizade com Andy Warhol, com quem trocava correspondências. Além disso, o filme utiliza um interessante recurso de divisão de tela para contrapor a evolução de suas coleções e os acontecimentos políticos da época, como o desenrolar dos protestos na França em maio de 1968.

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Seu trabalho, porém, é apenas uma das facetas presentes no longa. É bastante explorada a relação de Yves com as pessoas que faziam parte do seu círculo (sobretudo Pierre Bergé, seu parceiro nos negócios e no amor), além de seus problemas emocionais. Quanto mais o filme avança, mais o diretor nos faz entrar na cabeça do protagonista. Podemos observar, então, como o estilista vai perdendo o controle de sua vida, deixando-se levar pelo consumo excessivo de drogas. Questionado sobre a razão de ter escolhido o período representado no filme, o diretor afirmou que esses foram “os anos mais densos e mais criativos da vida dele”.

A atuação de Gaspard Ulliel, que interpreta o personagem principal, não deixa a desejar – ele traz a excentricidade e o carisma necessários para o papel. Uma de suas falas mais marcantes no filme é quando fala sobre concorrência: “Não tenho concorrentes, esse é meu drama; eu criei um monstro e agora tenho que viver com ele”. A frase revela o conflito trazido por ser um dos estilistas mais influentes do mundo e ter que se esforçar para manter a qualidade esperada de sua produção.

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O filme, apesar de longo, consegue prender a atenção. Não há grandes reviravoltas na trama, mas ele cumpre o papel de representar a vida de Saint Laurent de forma complexa, podendo atrair tanto os interessados por moda quanto os que apenas estão curiosos em relação à vida particular desse ícone do século XX.

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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