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Por trás de um jogo de futebol, o caso Diego da Silva
ARQUIBANCADA
24 mar 2019 | Por Jornalismo Júnior

O texto abaixo faz parte de um novo projeto experimental da Jornalismo Júnior.

Por Crisley Santana e Mariana Arrudas

Assistir a uma partida de futebol pela televisão já é uma experiência emocionante: torcer e vibrar pelo time do coração é algo que só quem gosta desse esporte consegue explicar. Porém, ver um jogo diretamente do estádio multiplica tudo o que sentimos ao ver nosso time entrando em campo.

O grito da arquibancada, os cantos puxados pela torcida organizada, aqueles lanches de dar água na boca enquanto a partida não começa, ver todos a sua volta de certa maneira “uniformizados”, esperando ansiosos pela entrada dos dois times que naquela noite irão fazer história.

Mas para que o espetáculo aconteça, há uma preparação por trás de tudo. Os estádios devem ter infraestrutura caso algum imprevisto aconteça, e foi o que ocorreu no último domingo (17), quando o torcedor Diego da Silva sofreu uma parada cardiorrespiratória.

Diego, de 23 anos, assistia à partida Corinthians contra Oeste, na Arena Corinthians, quando ocorreu o fato. O torcedor teve os primeiros socorros feitos por brigadistas e pela equipe médica presentes na Arena, e logo foi encaminhado de ambulância ao Hospital Santa Marcelina, na Zona Leste de São Paulo, mas não resistiu.

Mortes de torcedores em estádios de futebol não são tão comuns. Frequentes, no Brasil, são os casos ocasionados por brigas entre torcedores de clubes rivais. Como ocorreu em novembro do ano passado, em que um homem morreu após ser baleado num conflito entre flamenguistas e botafoguenses antes do clássico no Rio de Janeiro.

Se por um lado os clubes não podem responder pelas brigas de seus torcedores, por outro, possuem extrema responsabilidade no que diz respeito à vida deles dentro do estádio, enquanto a partida acontece. Mesmo assim, não há informações a respeito da segurança relacionada à saúde dos torcedores nos sites dos clubes paulistas que possuem estádio na cidade de São Paulo.

Ao tentar contato, por telefone e e-mail, não obtivemos resposta por parte dos estádios: Arena Corinthians, Allianz Parque (Arena Palestra Itália) e Morumbi (Estádio Cícero Pompeu de Toledo). Tentamos falar também diretamente com os clubes São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Os dois primeiros pediram que enviássemos e-mails para o setor de comunicação, que não foram respondidos até o fechamento desta matéria. Não conseguimos maiores informações com o clube palmeirense.  

O único local a se pronunciar, brevemente, sobre o assunto foi o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), que afirmou que a responsabilidade sobre o atendimento de emergência é dos times que irão realizar a partida, mas que costumam haver sim ambulâncias durante os jogos.

Por trás de cada partida, os torcedores (Foto: Reprodução/Twitter/A_Corinthians)

Palavra do especialista

Conversamos com Alexandre Ribeiro, 44, que trabalha no SAMU (Serviço Móvel de Urgência) há nove anos. Apesar de ter atendido mais de trinta casos de parada cardiorrespiratória, em locais como hotéis, asilos e casas, Alexandre disse nunca ter atendido um caso como o que ocorreu com Diego, dentro de um estádio de futebol.

Para ele, casos de parada cardíaca não ocorrem somente por conta de “fortes emoções” sentidas pelo paciente, mas por outros motivos: “Geralmente, há pré existência de alguma doença ou algo como sedentarismo, tabagismo, ou alcoolismo. Então quando acontece o infarto, acaba não tendo muito o que fazer”.

Mesmo sem termos obtido resposta por parte dos times, Alexandre acredita que os clubes estejam preparados para atender casos de emergência, já que em jogos de futebol costumam haver multidões, e fatos, como este ocorrido com o torcedor do Corinthians,  serem isolados.

Alexandre ainda deu uma breve explicação sobre como agem os socorristas nesse tipo de emergência: “Iniciam procedimentos de RCP [sigla para reanimação cardiopulmonar] e pedem apoio imediatamente para o 192 ou 193 (números do SAMU e Corpo de Bombeiros)”. Ele também disse que qualquer pessoa com treinamento é capaz de  realizar os primeiros socorros: “Verificar sinais vitais, ter certeza de que a vítima está parada e iniciar imediatamente compressões torácicas”.

Para o socorrista e motorista do SAMU, o Brasil deve melhorar muito no que diz respeito ao conhecimento sobre primeiros socorros, pois, em países como a Alemanha e Estados Unidos, grande parte da população possui esse conhecimento, algo que não ocorre em nosso país, mas ajudaria na preservação de vidas. “Não só em Centro de Formação de Condutores (CFC), mas no geral. Se acrescentasse na grade curricular das escolas, desde a infância até o nível superior, talvez futuramente pudesse ajudar mais pessoas. É uma coisa que precisa ser tratada a longo prazo”.

Nota de pesar do clube

No dia da ocorrência com Diego da Silva, o Timão  publicou uma nota de pesar em seu site. “A Arena Corinthians informa que o torcedor Diego da Silva, de 23 anos, passou mal ao final do primeiro tempo do jogo entre Corinthians e Oeste, iniciado às 16h em Itaquera.

Ele estava no setor Norte do estádio e teve uma parada cardiorrespiratória, tendo sido atendido imediatamente por brigadistas e pela equipe médica, que realizaram o primeiro atendimento. O torcedor foi encaminhado de ambulância para a Unidade de Pronto-Atendimento do Hospital Santa Marcelina, mas infelizmente não resistiu e faleceu.

O Sport Club Corinthians Paulista se solidariza com familiares e amigos de Diego neste momento difícil.”

 

Arquibancada
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