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Prazer, Fernando “Esporte” Fernandes
ARQUIBANCADA
09 out 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Pedro Ezequiel

Tetracampeão. Quatro estrelas. Conquistas que ficam marcadas na vida de uma seleção, de um grupo ou de um atleta. Mais do que isso, Fernando Fernandes não se define por quatro títulos mundiais de paracanoagem ou pelas três vezes no topo  do pódio na disputa pan-americana, além das quatro no sul-americano, ou ainda o penta brasileiro. Suas conquistas são detalhes de uma vida de esporte, esporte e mais esporte.

A paracanoagem levou Fernando ao topo do esporte olímpico. (Imagem: Jonathan Higino / Divulgação)

O paulista conheceu a paracanoagem em meados de 2009, em recuperação, depois de sofrer um acidente de carro. Mas antes disso, Fernandes já praticava outras modalidades, sendo até profissional no futebol. Contudo, foi ali na água, após uma remada e outra, que seus olhos brilharam e sua lista de motivação ganhou mais um tópico. Tão grande foi a paixão pela canoagem que, meses depois, FF estava no lugar mais alto do  mundo da modalidade. E foi assim mais três vezes. Uma ascensão rápida e gloriosa. Obviamente que isto é resultado de uma disciplina inflexível e efetiva. De fato, é. Mas, ainda, tem um outro viés, mais poético e não menos realista: o puro amor ao esporte.

“Fernando Fernandes se tornou uma lenda dentro da paracanoagem”, são as palavras do técnico de paracanoagem da Seleção Brasileira, Thiago Pupo. O comandante da equipe já conquistou junto dela três medalhas de ouro no Panamericano no Canadá, além de  outras seis douradas e quatro pratas em outras edições. Também levaram prata no Mundial na Rússia, prata no Europeu da República Tcheca, bronze no Mundial na Itália, ouro no Mundial na Alemanha, bronze na 16, ouro no Mundial em Portugal e mais dez ouros sul-americanos.

Com um extenso hall de medalhas da equipe, o técnico se sente orgulhoso com o atual momento da paracanoagem e  ressaltou, em entrevista ao Arquibancada, a importância que FF teve com este esporte: “Foi pioneiro da modalidade. Buscou novos barcos e adaptações para a melhoria do esporte, sendo várias vezes campeão mundial. Ele até hoje é fonte de inspiração para as pessoas, pois mostrou um poder de superação incrível. Já ouvi inúmeras vezes pessoas falando sobre o quanto se inspiram nesse atleta”.

Fernando levou a paracanoagem a um patamar de reconhecimento incrível. O atleta contou um pouco sobre isso em entrevista à Revista Trip, em abril do ano passado: “Depois de um ano e um mês de lesão, fui campeão mundial de paracanoagem. Mas não adiantava ser campeão de um negócio que ninguém conhecia. Aí comecei a disseminar o esporte para o mundo. Eu levava informação para os meus adversários: mostrava como se rema, como deve ser o banco, como deve ser a adaptação, etc. Pouco depois do meu primeiro mundial, foi anunciado que o esporte entraria nos Jogos Paralímpicos de 2016. A paracanoagem cresceu e foi lindo participar disso”. Em paralelo, a vida de Fernando parece se misturar sempre ao esporte.

E como a modalidade que participava – e era extremamente reconhecido – entraria nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, existia uma expectativa grande sobre FF competir em águas brasileiras. Contudo, devido ao sistema de escolha a partir da capacidade funcional para competir nos Jogos do Rio, não foi possível realizar esse sonho. Mas não havia problemas. Tinham outros desafios para serem superados, novas histórias para serem escritas com pinceladas de remos, com rodas de handbike, com pranchas de surf ou com várias outras infinitas possibilidades.

Assim, o  incansável Fernando continuou na sua rotina nômade de realizar diferentes modalidades e práticas esportivas. Para o seu programa Além dos Limites, do Canal OFF, Fernandes atravessou o deserto de handbike, remadas em corredeiras, entre outros. Porém, antes do programa, o atleta já fazia reportagens especiais para o Esporte Espetacular, da TV Globo, cumprindo desafios de tirar o fôlego.

FF percorrendo o deserto de sal na Bolívia de Handbike. (Imagem: Felippe Caçula/Divulgação)

Mas, algo mais palpável deveria existir para transmitir essas experiências. E não só os conhecimentos práticos, mas os valores também. Algo mais pessoal, passado das letras para os olhos. Fernandes já tinha escrito páginas de um diário na época da recuperação do acidente sofrido e em 2017, junto com seu colega jornalista Paulo Miyazawa, o atleta lançou a biografia “Inquebrável”, pela editora Paralela.

O inquebrável precisava quebrar barreiras no que diz respeito à inclusão. Para ele, não se deve criar um espaço onde só pessoas com alguma deficiência frequentem ali. Tinha que ser algo mais conjunto e efetivo, e como sempre, através do esporte. Dessa forma, em 2013, nasceu o Instituto Fernando Fernandes: um local onde se realiza a não-exclusão, onde pessoas que detêm deficiências e pessoas que não apresentam tais, praticam canoagem na represa do Guarapiranga,no bairro Interlagos, São Paulo.

Mesmo  não competindo mais nas modalidades paralímpicas, não significa de FF está parado. Isso nunca. Sem rotina monótona. E sempre tem que ter aquele gosto de fazer coisas desafiadoras e radicais. Fernando mostra no seu perfil do Instagram justamente essa sua rotina insana. E as fotos não precisam de legendas para descrever o que se está fazendo, o que ele sente ao realizar tais práticas ou, para um desconhecido que está explorando o feed de notícias, quem é Fernando Fernandes. Ele é o esporte no seu mais puro estado, com todos os valores possíveis. Ele, Fernando Fernandes, é um esportista, um atleta, um ser humano que dispensa apresentações.

O atleta lançou uma biografia, em 2017, contando o processo de superação do acidente e a vida no esporte. (Imagem: Daniel Sigaki)

Arquibancada
O Arquibancada é a editoria de esportes da Jornalismo Júnior desde 2015, quando foi criado. Desde então, muito esporte e curiosidades rolam soltos pelo site, sempre duas vezes na semana. Aqui, o melhor de todas as modalidades, de todos os pontos de vista.
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