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Produzindo um documentário
CINÉFILOS
20 set 2012 | Por Jornalismo Júnior

Leia a seguir o depoimento de Luiz Santoro, produtor de documentários.

“A equipe produziu dois documentários: um para o palmeiras em 1999, sobre a Copa Libertadores da América, e o outro para o Corinthians, em 2002, sobre as conquistas da Copa do Brasil e Campeonato Paulista.

Os dois trabalhos apresentam um formato semelhante. Nós propusemos o projeto para os clubes,  conversamos com os jogadores, com as diretorias e, de uma maneira pioneira e inédita, conseguimos fazer um trabalho que ninguém acreditava que fosse possível. Isso porque os clubes não pagam essa conta e tivemos a iniciativa de bancar, no risco, esses documentários, vendendo o produto e dando a porcentagem de licenciamento para os clubes.

No caso do Palmeiras a coisa foi mais emocionante e interessante, afinal apostamos na Libertadores que era um título inédito para o time. Nós viajamos com o clube o tempo inteiro e tivemos uma aceitação muito interessante por parte dos jogadores e do próprio técnico, Felipão, que  entendeu o projeto e confiou na equipe,  no nosso  profissionalismo.

Mas o trabalho foi no risco. O financeiro não era uma coisa tão importante porque, nesse mundo de futebol, o dinheiro que rola é muito superior ao dinheiro da parte de vendas. Um DVD, sem pensar na pirataria, se vendido a mais de 20,00 já pode ser considerado como um valor alto.

Olhando sob esse aspecto, o distribuidor em geral, banca de jornal, internet  tem 45% desse valor. Também há custo físico da cópia, como a embalagem, e o licenciamento do clube que gira em torno de 10%. Ao excluir todas essas coisas sobra-se entre 4 e 5 reais, e esse dinheiro tem que pagar toda sua produção e todo o dinheiro investido.

Se você vender 10 mil cópias, fatura 40 mil reais, o que não paga, nem de longe, o custo da produção. Para começar a ganhar dinheiro é preciso vender de 25 a 30 mil cópias e é muito difícil chegar a esses números.  O ideal é ter um patrocinador para essas produções e nós nunca tivemos. E se o time perde o campeonato? Ninguém vai arriscar.

Hoje a maioria dos documentários são feitos depois da conquista do título, não acompanhando cada jogo, e possuem um objetivo de propaganda muito forte. Toda a emoção do momento  também acaba se perdendo porque ninguém quer arriscar seguir um campeonato inteiro e o time cair na final.

Por isso, eu acredito que o documentário do Palmeiras apresenta momentos únicos e a imprensa na época recebeu muito bem tudo isso. Até 1999, o máximo que tínhamos era um resumo dos gols, mas não havia a emoção e um acompanhamento de perto.

Depois do Palmeiras,  eu fiz documentários com o Corinthians pela Libertadores. O time perdeu para o Palmeiras dois anos seguidos, em  2000 e 2001, e eu engoli o prejuízo. Assim, acabamos lançando o do Corinthians, um ano depois, sobre a Copa do Brasil e Campeonato Paulista.

Sob o ponto de vista conceitual e jornalístico, nós resolvemos fazer trabalhos em que o torcedor pudesse  entrar e observar. O repórter, com luz e microfone, se torna um elemento destoante que interfere na realidade. Hoje, o jogador tem assessor de imprensa. Quando você liga a câmera e o microfone eles mudam o discurso para algo pré-definido e redundante. Percebendo isso, resolvi eliminar todas as coisas desse tipo e utilizar algo simples como mostrar um jogador lendo a bíblia, fazendo a barba e dar a sensação para o torcedor de estar observando o time. São pequenos detalhes que nunca são mostrados que resolvi valorizar nos dois trabalhos.

Na realidade, nosso processo foi de conseguir a confiança do clube, dos jogadores e, o mais importante, do técnico. Ambos os vídeos mostram uma faceta desses profissionais que não é a conhecida.

No Corinthians nós tínhamos cenas muito legais também, mostrando os jogadores dentro do ônibus, pessoal comemorando, tomando cerveja. Quando se trabalho com a TV comercial essas coisas não aparecem, pois eles se recusam a deixar gravar com medo de como a imagem será veiculada, o que farão com elas.

Na realidade, nosso processo foi de conseguir a confiança do clube, a confiança dos jogadores e, o mais importante, a confiança do técnico. Ambos os vídeos mostram a faceta desses profissionais que não é a faceta conhecida.

Eu realmente gostei muito de ter realizado esses trabalhos exatamente por conseguir mostrar, e a imprensa reconheceu isso na época, esse outro lado de uma maneira inédita e pioneira.”

Leia aqui mais sobre documentários sobre times de futebol.

Depoimento concedido a Susana Berbert
susanaberbert@gmail.com

Cinéfilos
O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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