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Quando o esporte está dentro de casa
ARQUIBANCADA
06 out 2015 | Por Jornalismo Júnior

Por Cesar Isoldi

bernardinho

(Imagem: Folha de S. Paulo)

Bernardinho e Bruninho. Hortência e João Victor Oliva. Bia e Branca. Todos eles têm em comum o fato de dedicarem sua vida ao esporte. Mas não só isso: de se dedicarem ao esporte “em família”. O treinador da seleção masculina de vôlei é pai do jogador do time. Hortência, campeã mundial de basquete, é mãe de João Victor, medalha de bronze no Pan de Hipismo Adestramento. Bia e Branca, as famosas irmãs do nado sincronizado brasileiro.

Certamente você já ouviu falar de histórias como essa. Existem muitas. E a ciência tenta explicar possíveis motivos para isso. Antes, porém, tente imaginar a vida de um atleta. Uma carreira esportiva é composta por várias fase – ou seja, períodos com características próprias – e transições, definidas como um conjunto de eventos que desequilibram essa trajetória. A passagem do amadorismo para o profissional, na qual há um planejamento e ações antecipadas, é um exemplo disso. No entanto, existem transições que acontecem de forma inesperada, como uma lesão, por exemplo.

Essas transições, planejadas ou não, afetam a carreira e o rendimento esportivo de um atleta. É intuitivo, então, pensar que o fato de se ter, na família, pessoas envolvidas com o esporte facilitaria isso. No entanto, não é bem assim. A professora Ana Lúcia Padrão, da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, explica que não é só a experiência que basta, mas como ela foi vivida. “O fato de um familiar ter ou não sido atleta não garante que o apoio será adequado, pois dependerá muito de como este adulto vivenciou a experiência de ser atleta”, afirma.

(Imagem: Geoff Burke/Reuters)

O mesmo vale para a influência que os pais têm na escolha dessa carreira. Na infância, os pais e os irmãos são os que exercem maior influência na criança e, no caso da carreira esportiva, ela pode ser exercida para os dois lados. “Caso a experiência tenho sida positiva para o seu desenvolvimento, provavelmente eles podem estimular os filhos à prática esportiva. Porém, no caso de experiências negativas, é possível que os pais queiram afastar os filhos [disso]”, explica a professora.

Ela ainda diz que a motivação é fator muito importante para que uma pessoa siga e se mantenha na carreira, além dela ser algo particular, o que poder tornar a influência dos pais não tão direta assim. “O que motivou os pais a desejarem praticar esporte pode não ser a mesma dos filhos, e a motivação impacta a intensidade da dedicação ao esporte e a continuidade na carreira esportiva”, diz Ana Lúcia.

Sobre a genética, a professora explica que existem mesmo características que facilitam a atuação no esporte. Apesar de existirem muitas modalidades e cada uma ter as suas particularidades e demandas, é possível falar nisso quando pensamos no esporte de alto rendimento. “Se a questão é referente ao esporte de alto rendimento, neste caso sim, alguns fatores genéticos podem ser cruciais em cada modalidade”, explica, ressaltando, porém, que a evolução de alguém na carreira envolve uma estrutura muito complexa, que relaciona fatores atléticos, psicológicos, sociais, educacionais e vocacionais. “Atribuir a permanência ou desistência a um único fator de maneira isolada é um equívoco que impede a interpretação da real situação”.

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