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Quatro Vidas de um Cachorro: um filme clichê em meio a polêmicas
CINÉFILOS
26 jan 2017 | Por Jornalismo Júnior

Quando foram anunciados seus primeiros trailers, o longa Quatro Vidas de um Cachorro (A Dog’s Purpose, 2017) conquistou o público mesmo antes de estrear, com a promessa de ser emocionante e uma homenagem para os amantes de cães. Mas, pouco mais de uma semana antes de sua estreia, o site TMZ divulgou um vídeo que mostra um pastor alemão sofrendo maus tratos no set, gerando a maior polêmica e uma movimentação de boicote ao filme. Na cabine de imprensa em que o Cinéfilos assistiu ao longa, representantes da Universal Pictures no Brasil informaram que o caso está sendo investigado nos Estados Unidos e que, em defesa da produção, alertaram que o vídeo divulgado foi editado e gravado em 2015, vindo à tona só agora. Tirando toda a polêmica sobre os bastidores e a discussão se o cachorro foi ou não maltratado, Quatro Vidas de um Cachorro conta uma história muito igual a outras produções do tema.

quatrovidas

Assim como o livro homônimo que o inspirou, o filme é narrado pelo seu protagonista cachorro, que começa a trajetória como Bailey, um golden retriever que é adotado pelo garoto Ethan (Bryce Gheisar/K.J. Apa). Mas diferente da obra original, que trata todas as cenas apenas sobre o ponto de vista do animal, o longa é mais focado em mostrar as relações entre humanos e cães. Como o próprio nome já diz, Bailey morre e volta no corpo de outro cão, uma pastora alemã policial chamada Ellie. As reencarnações do animal servem para responder a pergunta essencial: Qual o sentido da vida? Qual é a nossa função na existência? Essas questões aparecem já nos primeiros segundos da projeção.

bailey

Mesmo com a ideia que parece inovadora, Quatro Vidas de um Cachorro não apresenta nada de novo. Tudo que está ali já foi visto e é muito parecido com outros filmes de cães, principalmente Marley & Eu (Marley & Me, 2008) e Meu Cachorro Skip (My Dog Skip, 2000). Mas o que é mais clichê no longa são os humanos. Nenhum dos personagens donos dos animais tem alguma profundidade, são todos rasos e que não geram quase nenhuma empatia com o espectador.

Falando novamente de outros filmes famosos de cães, a encarnação Ellie, que foi a protagonista do vídeo polêmico, é o segmento mais curto do longa, servindo apenas como uma grande homenagem para o icônico K-9 – Um policial bom para cachorro (K-9, 1989). Inclusive, a tal cena filmada na água é completamente desnecessária para o andamento da trama, o que pode gerar ainda mais revolta nos ativistas de direitos dos animais.

Mesmo com seus defeitos, o longa cumpre seu papel de emocionar quem ama seus cachorros e pode representar uma mudança drástica em como Hollywood trata os animais que participam de suas produções. Esperamos que para melhor. Quatro Vidas de um Cachorro estreia nos cinemas brasileiros no dia 26 de janeiro.

Assista ao trailer:

por Mel Pinheiro
mel.pinheiro.silva@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
Ali Serra
eu só tinha visto as críticas ao animal afogado, fiquei sabendo do filme por causa do vídeo da TMZ, mas sempre tenho mesmo um pé atrás com filmes sobre cachorrinhso fofinhos (justamente por ser fácil cair num filme bosta de sessão da tarde). Os comentários do artigo me reconvenceram a não perder tempo com esse filme. Também lembrei de um filme indiano que assiti, que no início (como aquelas mensagens de "qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência") diz que nenhum animal do filme sofreu maus-tratos durante a gravação. Hollywood podería copiar sua quase xará Bollywood e adotar essa preocupação também. Valeu palas reflexões!
27 jan 2017
 
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