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Que Estranho Chamar-se Federico!: indefinido e brilhante
CINÉFILOS
05 jun 2014 | Por Jornalismo Júnior

Por Ana Luísa Fernandes,
ana08m@gmail.com 

Que Estranho Chamar-se Federico! – Scola Conta Fellini (Che Strano Chiamarsi Federico!,- Scola Racconta Fellini, 2013) que estreia no dia 6 de junho,é um filme sem gênero definido, oscilando entre documentário, biografia e ficção. Mas essa indefinição faz parte da graça do filme, que é uma bela homenagem a um dos mais importantes cineastas italianos: Federico Fellini. O filme foi dirigido e idealizado por Ettore Scola, também consagrado como um dos mais importantes cineastas italianos e amigo pessoal de Fellini.

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Em uma Itália Fascista, no ano de 1939, o jovem Federico de apenas 19 anos decide se aventurar na redação de um jornal com teor satírico, publicando seus desenhos e contos. Ao mesmo tempo uma criança de 8 anos lê o mesmo jornal para o avô cego. Essa criança era ninguém menos que Ettore Scola, que com 16 anos também decidiu levar a vida com seus desenhos e textos naquele mesmo jornalem que Federico havia trabalhado. Fellini, que já entrava aos poucos no mundo do cinema, conheceu Scola através de amigos em comum e das visitas à redação. Então começa uma amizade que percorre os anos e uma paixão pelo cinema igualmente duradoura. Ambos se tornaram cineastas conceituados e ganhadores de vários prêmios, sendo que Fellini dirigiu um dos filmes mais importantes do século XX: A doce Vida (La dolce vita ,1960), ganhador de um Oscar.

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Mas, quem espera que o filme se limite ao desenrolar da história de Federico ou Ettore, vai se decepcionar – ou se surpreender positivamente: a vida pessoal de ambos é pouco explorada, e a atenção é voltada para a produção artística,  o que mostra que a intenção real do filme não é documentar, informar e muito menos se enquadrar em alguma definição. É na verdade uma intimidade entre dois velhos amigos, e a saudade que Fellini deixou ao morrer em 1993.

Mistura-se imagens coloridas com preto e branco, cenas reais e ficção, passado e presente. O narrador deixa de ser uma voz para aparecer nas cenas de verdade, contando as histórias protagonizadas individualmente ou pelos dois. As cenas mais curiosas são as vividas dentro do carro de Fellini, que sofria de insônia. Ele vagava pelas ruas com o amigo Scola à procura de qualquer um que aceitasse suas caronas e, deles, tiravam histórias fantásticas. Além disso, é interessante como o funeral de Fellini é retratado: parte com cenas reais e parte com cenas gravadas em estúdio, sendo claramente intencional.

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O filme Que Estranho Chamar-se Federico é uma homenagem sensível que permite entender um pouco mais sobre o fascínio que Federico Fellini exerceu sobre o mundo do cinema. Ele, que já se assumiu como “grande mentiroso”, no sentido que, em seus filmes, fantasia e realidade se confudem, sem saber onde termina uma e começa a outra, só é capaz de ser compreendido por olhos tão saudosos quanto os do amigo.

 

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