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Que número é esse?
ARQUIBANCADA
11 jun 2018 | Por Jornalismo Júnior

Por Larissa Vitória

A numerologia é uma pseudociência que estuda o significado oculto dos números e sua possível influência no destino dos homens. O basquete, atividade surgida em 1891 que consiste em jogar a bola em uma cesta para marcar pontos, é um dos esportes mais populares do mundo. Você sabe qual é a relação entre esses dois elementos?

Todos os jogadores de basquete recebem, por norma, um número que os identifica durante o jogo. Muitas vezes, os números são escolhidos por superstição ou por carregarem algum significado especial, como a data de nascimento de um ente querido ou a conquista de uma premiação. Porém, em alguns casos, o número ultrapassa a barreira dos quatro quartos de uma partida e se torna a identidade do atleta.

Um exemplo perfeito é o número 23, do time americano Chicago Bulls, utilizado por Michael Jordan durante 13 temporadas. Essa é uma das camisetas mais vendidas da história da NBA e continua conquistando fãs até hoje. As performances elogiadas de Jordan, que é considerado por muitos o melhor desportista do basquete de todos os tempos, levaram à “aposentadoria” – a numeração não pode ser adotada por nenhum outro jogador – do número 23 na equipe em sua homenagem.

Michael Jordan e a lendária camisa 23. (Imagem: AFP)

Confira a seguir mais curiosidades sobre o misticismo nas escolhas dos números das camisetas de basquete.

As origens da numeração livre

De acordo com as regras vigentes desde 1960 até 2014 da Federação Internacional de Basquete (Fiba), – os uniformes dos atletas deveriam ser confeccionados da seguinte maneira: cores dominantes iguais nos calções e camisetas e números de 4 a 15 na frente, de no mínimo 10 centímetros de altura, e nas costas, de 20 centímetros. Na  National Basketball Association (NBA) liga profissional mais importante da América do Norte e uma das mais populares do mundo, porém, os atletas sempre puderam escolher entre os números 0 e 00, e de 1 a 99.

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo de dezembro de 1999, Hortência foi precursora no uso da numeração livre no Brasil. Quando jogava na Ponte Preta, em 1993, a atleta, que sempre usou o número 4, se deparou com um problema: Paula, sua colega de equipe, já havia adotado a numeração. Ela, então, passou a jogar com o 44 e seu time foi campeão paulista daquele ano.  

Hortência e Magic Paula disputaram o mesmo número na Ponte Preta e na seleção brasileira (Imagem: Hortência/ divulgação)

Ainda, segundo a reportagem, a temporada de 1999 do Campeonato Paulista de Basquete marcou um aumento no número de atletas que adotavam as práticas disseminadas pela NBA e pela Confederação Brasileira de Basquete, que, ao tornar obrigatório o nome do atleta acima do número na camiseta para fins estatísticos, forçava as equipes a darem números acima de 15 a seus jogadores.

Naquele ano, cinco das 12 equipes do torneio masculino e seis das nove participantes do feminino apresentavam essa característica, totalizando 38 atletas. José Medalha, treinador do Unisanta, tinha metade de seus atletas naquela condição e disse que o número identifica os atletas: “É uma característica, como o sobrenome”.

Afinal de contas, por que os números são escolhidos?

A data de nascimento dos filhos, a idade que tinha quando começou a jogar basquete, a altura que consegue atingir em um salto e até a porcentagem de gordura corporal do corpo: os motivos mais diversos possíveis são citados pelos jogadores como influência na hora de definir o número que levarão em suas camisas. Números dobrados também costumam ser populares por questões supersticiosas, como o lendário jogador Kareem Abdul Jabbar, por exemplo, que jogava com o número 33.

Campeão da temporada 2016/2017 do Novo Basquete Brasil (NBB) o Bauru Basketball veiculou em seu canal oficial do Youtube, um vídeo no qual vários de seus atletas falam sobre suas escolhas. Demétrius Ferracciú, técnico do dragão, optou pelo número 9 durante sua carreira em uma homenagem ao pai, que também jogava com o numeral. Ele explica que o número da camisa, como uma herança de pai para filho, era tão importante que chegava a ser uma cláusula em seus contratos para mudança de time.

“Eu não sei como foi esse romance com a camisa 10, mas, desde as categorias de base já usava. A camisa 10 é uma camisa de responsabilidade, é uma camisa, vamos dizer, diferente. No futebol, o cara do jogo é o camisa 10. É a camisa que me dá sorte, na seleção sempre fui 10”, explica Alex Garcia, ala do Bauru e jogador da Seleção Brasileira de Basquete.

Campeão pelo Bauru e um dos destaques do Vasco atualmente, o ala Gui Deodato conta, em entrevista ao ARQUIBANCADA, que sempre jogou com a número 9. “Comecei com ela porque na categoria de base não podíamos escolher, então a única coisa que pedi foi um número ímpar. Logo depois, descobri que gosto de apenas um dígito na camisa. Quando voltei para o Bauru já tinha um novo dono da nove, aí acabei pegando a 1, que me trouxe muita sorte. Desde então sou o número 1”.

Deodato com a camisa 1 do Vasco (Imagem: Paulo Fernandes – Divulgação/Vasco)

Uma história curiosa é a do espanhol Pau Gasol, do San Antonio Spurs. Como a antiga regra permitia que os jogadores atuassem apenas com números entre 4 e 15, o jogador não pôde escolher e recebeu o 16 para “esquentar o banco” do F.C Barcelona. No ano seguinte, no entanto, quando passou a atuar efetivamente pela equipe, o número lhe trouxe sorte e o acompanha até hoje.

Números imortalizados

Junto com a escolha livre da numeração para seus atletas, a NBA criou outra tradição no basquete mundial: a aposentadoria de camisas. Feita como homenagem a jogadores que trouxeram grandes contribuições para seus times e para o esporte, a prática se disseminou e 150 números já foram imortalizados pela liga até 2017.

Alguns atletas até mesmo receberam a honraria duas vezes. Julius Erving aposentou o 32 do New Jersey Nets e o seis do Philadelphia 76ers; Michael Jordan, além da 23 do Chicago Bulls, imortalizou também o mesmo número no Miami Heat, por seus serviços prestados à evolução do esporte, mesmo nunca tendo atuado pela franquia.

Michael Jordan e Shaquille O’ Neal: camisas imortalizadas (Imagem: Larissa Vitória/Jornalismo Júnior)

Até mesmo pessoas que não jogavam a bola ao aro podem ser homenageadas através da prática. O número 613 da franquia New York Knicks, por exemplo, foi imortalizado em homenagem ao total de vitórias do treinador Red Holzman no time. Outra aposentadoria fora do comum foi feita pelo Orlando Magic e Sacramento Kings: o número 6 foi afastado das quadras em homenagem ao “sexto homem” em campo, a torcida.

Atualmente, jogadores como LeBron James, do Cleveland Cavaliers, Stephen Curry e Kevin Durant, do Golden State Warriors são alguns nomes, entre outras estrelas, que brilham nas quadras.Os atletas marcam seus números na memória dos torcedores e nos fazem imaginar se chegará o dia em que os números de 0 a 99 estarão aposentados e três dígitos começarão a ser utilizados nas camisetas. Para a graça do esporte e o brilho do jogo, não seria nada ruim se isso viesse a acontecer.

 

Arquibancada
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