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Quem tem medo de se apaixonar?
CINÉFILOS
25 mar 2015 | Por Jornalismo Júnior

por Thaís Matos
thais.matos.pinheiro@gmail.com

São Paulo é urgente, o Rio é calmo. São Paulo é frenético, o Rio é brisa. Amanda trabalha duro, Bruno faz arte. Amanda tem grana, Bruno tem liberdade. Amanda e Bruno, São Paulo e Rio de Janeiro têm muito mais em comum do que pensam: a capacidade de se reinventar, acolher, transformar e ser transformado, e, principalmente, de apaixonar e se apaixonar.

Transformação, cidade… e o amor. É disso que fala o filme Ponte Aérea (2015), que estreia nesta quinta (26) em 60 salas do Brasil. Dirigido por Júlia Rezende (também diretora de Meu Passado Me Condena, 2013), ele levou quatro anos para ser realizado. “É um retrato da nossa geração, sobre os nossos amigos e os nossos relacionamentos. Fala da dificuldade e do medo de criar compromissos e ao mesmo tempo do desejo de ter um amor verdadeiro”, comenta a diretora.

1O casal formado por Bruno (Caio Blat) e Amanda (Letícia Colin) já se encontra em um desencontro. Um voo do Rio para São Paulo é cancelado devido a um mau tempo e eles se veem obrigados a passar uma noite em Belo Horizonte. Os dois se amam – no sentido carnal da palavra – durante essa noite. No dia seguinte, a liquefação do amor, que escorre e se traduz em outro desencontro: vão para São Paulo em voos diferentes e se perdem na cidade onde tudo é possível. Não por acaso, Amor Líquido de Zygmunt Bauman foi a inspiração da diretora para escrever o roteiro.

Bruno é um pintor carioca sem emprego fixo e Amanda, uma publicitária paulistana bem sucedida que acaba de ser promovida. Desajustados, eles se reencontram e decidem viver esse amor urgente. A relação torna-se complicada quando as vidas dos dois se cruzam e os fazem não só viver o amor, mas conviver.

Suas diferenças, inseguranças e medos atrapalham o relacionamento, que passa a ser sério demais. O que faz com que ele balance na corda bamba não são as diferenças ou dificuldades, mas a impossibilidade de se lutar contra essas diferenças e inseguranças. A comodidade do seu próprio mundo faz com que o mundo do outro pareça hostil e complicado demais, numa área da vida em que só queremos facilidade e aconchego. E aí desistimos. Esse é o principal diagnóstico do filme.

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Love, sex and the city

A ligação entre os personagens e a cidade é muito forte. Desnudar Bruno e Amanda para além de suas cascas, de quem eles são quando vistos de fora e a exposição de seus desejos e medos mais íntimos também se reflete entre São Paulo e Rio de Janeiro. Muito mais que estereótipos, as cidades não são estáticas, elas mudam e são mudadas por quem as habita. Além disso, são singulares e imprimem sensações diferentes para cada pessoa.

O amor transformador, o amor que transa, o amor que manda mensagem de madrugada, o amor que se preocupa, o amor que se cansa e o que teme são o mesmo. E o casal passa por todos esses estágios, enfrentando a maior dificuldade num relacionamento: os próprios relacionados. Lidar não com o outro, mas com seu medo em relação ao outro e com em quem você se transforma pela ação do outro parece ser o principal desafio de uma geração que tem tanta confiança em si mesma ao mesmo tempo que é tão frágil.

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Ponte Aérea representa você na tela. Se você é um jovem trabalhando e estudando mais do que devia e se preocupa demais com o futuro, se você é revoltado com o sistema, não se encaixa nas regras e não quer se ver atado a correntes da vida adulta, ou se você é uma mistura dessas duas representações, esse filme é realmente sobre você.

Por isso ele toca tanto. Por falar do amor que nós vivemos ou gostaríamos de viver. Por falar das vezes que desistimos de tanta coisa por acomodação, justamente nós que somos tão efusivos. Por falar dos nossos medos de forma tão sutil que nos faz acordar do transe e repensar a vida. Não a vida inteira, mas essa que se passa agora.


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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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COMENTÁRIOS
marilia
Agora estou louquinhaaa para assistir!! Excelente matéria!! E não é puxa saquismo rsrsrsrs
26 mar 2015
 
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