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Queremos paz para nós em nossos sonhos
CINÉFILOS
01 jun 2016 | Por Jornalismo Júnior

por Juliana Lima
juslimas@gmail.com

Chega ao Brasil, pela primeira vez, um filme do aclamado diretor lituano Sharunas Bartas. Paz para Nós em Nossos Sonhos (Ramybė Mūsų Sapnuose, 2015) – exibido em diversos festivais, inclusive no Festival de Cannes (Quinzena dos Realizadores). Tal produção é um bom exemplo do trabalho do diretor, com boa estética e uma reflexão sobre a vida e os sentimentos de cada pessoa.

paz para nós em nossos sonhos 1

O longa gira em torno de uma família: um homem, sua atual companheira e filha. Ao passarem um tempo em sua casa de campo, todos imergem em uma viagem introspectiva, fazendo muitas reflexões sobre a fragilidade do relacionamento que mantêm. Os vizinhos da família também se mostram tão problemáticos quanto Por meio de suas ações e palavras, deixam claro que também não mantêm boa relação.

Pouco se sabe sobre a vida ou o passado de cada personagem, pois o longa trata especialmente da reação dessas aquele. Apesar de termos conhecimento da morte da mãe da garota, o que ganha atenção são os problemas da garota com o fato; Também, a madrasta enfrenta problemas emocionais, mas estes são demonstrados por meio de seus atos, ao invés de palavras ou buscando uma contextualização para o fato.

paz para nós em nossos sonhos 2

Sharunas Bartas é conhecido por economizar palavras. Essa característica é o eixo principal no filme, porém isso não interfere na riqueza de significado dos diálogos. Durante o longa, os personagens conversam sobre confiança, imaginação, realidade e sonhos. A sinceridade presente em cada fala levanta uma reflexão sobre tais assuntos no expectador, o que pode trazer muitas emoções à sala de cinema.

A emoção é ainda mais presente quando se conhece o que há por trás das câmeras. O homem é interpretado pelo próprio Sharunas Bartas e a garota, por sua filha Marija Bartaité. Segundo o diretor, a conversa entre seus personagens sobre imaginação e realidade é uma gravação de uma conversa real entre ambos. Em outro momento do filme, eles assistem vídeos antigos da mãe da garota. As gravações são, na verdade, de Katia Golubeva, mãe de Marija Bartaité falecida em 2011.

Mais um ponto interessante do longa é que nenhum dos personagens é nomeado, o que os aproxima muito mais da realidade. Eles não são personagens particulares, podem representar qualquer pessoa. Essa foi a forma encontrada pelo lituano de explorar cada personagem, sem fazer com que a oposição “eu” e “eles” fosse gritante, já que, segundo o mesmo, a história é baseada nele e seu lugar no filme é muito claro.

O filme estreia no Brasil no dia 02 de junho e promete emocionar com sua profundidade.

Confira o trailer!

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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