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Netflix: ‘Rebecca – A Mulher Inesquecível’
CINÉFILOS
03 dez 2020 | Por Aldrey Olegario (aldreyolegario@usp.br)

Rebecca –  A Mulher Inesquecível (Rebecca, 2020), do diretor Ben Wheatley, conta a história de uma jovem (Lily James) que, durante seu trabalho de dama de companhia de Mrs. Van Hopper (Ann Dowd), conhece Maxim de Winter (Armie Hammer), um homem rico por quem se apaixona e decide largar tudo para vivenciar sua paixão. A narrativa é uma releitura de Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940), dirigido por Alfred Hitchcock e que inspirou-se no livro de 1938 de mesmo nome da autora Daphne du Maurier para a produção. Esta versão venceu, em 1941, o Oscar de Melhor Filme e Melhor Fotografia Preto e Branco.

O longa ganha seu tom após a protagonista aceitar o pedido de casamento de Maxim e o casal se mudar para Manderley, a reconhecida mansão herdada pelo marido que até então havia ficado recentemente viúvo. Se por um lado a personagem de Lily James só ganha nome após o casamento, passando a ser chamada de Mrs. de Winter, a falecida esposa de Maxim de Winter, Rebecca, tem seu nome frequentemente lembrado.

No pôster de divulgação de Rebecca, A Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940), Laurence Olivier como Maxim de Winter e Joan Fontaine como Mrs. de Winter [Imagem: Divulgação/Selznick International]

Rebecca é apresentada pelos outros personagens como uma mulher que foi deslumbrante, habilidosa, responsável e acima de tudo o único amor de Maxim. E essa última característica, retomada inúmeras vezes pela governanta da mansão, Mrs. Danvers (Kristin Scott Thomas), se torna uma das principais preocupações de Mrs. de Winter, agora que já havia se desfeito de sua única estabilidade – seu trabalho –  em nome de sua recente paixão.

A tensão das cenas entre Mrs. de Winter e Mrs. Danvers acaba sendo mais interessante do que o próprio desenrolar do romance proposto no filme. Principalmente, porque as cenas românticas do casal já são esperadas e não se mostram tão emocionantes quanto os diálogos e olhares trocados pelas duas personagens. A apreensão causada pela postura séria e intrigante de Mrs. Danvers se contrapõe ao perfil demasiadamente inseguro e perdido de Mrs. de Winter.

Por se tratar de um filme que busca propor suspense em sua trama, as cores ganham destaque ao contribuírem com a construção de uma atmosfera mais tensa e sombria com tons de azul ou mais alegre com tons mais amarelados. A fotografia do filme se destaca também através do uso dos espelhos da mansão que dão ao espectador uma nova experiência de perspectiva e uma melhor noção de espacialidade.

Mrs. Danvers e Mrs. de Winter em um dos vários cômodos da mansão Manderley [Imagem: Divulgação/Netflix]

A preocupação de  Mrs. de Winter em saber se está sendo verdadeiramente amada por Maxim se reflete em sua preocupação em estar à altura do que foi Rebecca, que passa a estar sempre em seus pensamentos e ser uma assombração para ela. Em sua incansável busca por ser a melhor esposa, a protagonista se empenha em buscar fazer tudo aquilo que Rebecca fazia. Durante a obra, acompanhamos o processo em que Mrs. de Winter tenta desvendar a intrigante morte de Rebecca ao passo que também descobre mais sobre a personalidade de Maxim.

A polêmica que envolve a história de Rebecca – A Mulher Inesquecível está relacionada ao livro que deu origem ao filme. A controvérsia envolve um suposto plágio que teria sido feito por Daphne du Maurier da obra brasileira A Sucessora escrita por Carolina Nabuco.

O livro de Carolina foi escrito em 1934, isto é, quatro anos antes da publicação de Daphne. As semelhanças no enredo das duas histórias são bem próximas. Na obra de Nabuco, uma jovem chamada Marina se casa com um empresário viúvo, Roberto, e se muda para a casa do marido milionário. Nessa nova realidade, Alice, que é análoga a personagem de Rebecca, é a esposa falecida que se torna parâmetro para Marina. Essa proximidade das histórias também foi relatada em 1941 no New York Times por Frances R. Grant.

Livro “A Sucessora” de Carolina Nabuco [Imagem: Reprodução/Editora Instante]

A história de A Sucessora rendeu uma novela de mesmo nome exibida em 1978 pela Rede Globo. A obra era estrelada por Suzana Vieira, no papel de Marina, e Rubens de Falco, como o marido Roberto Steen. Conforme o Memória Globo, o sucesso da novela de Manoel Carlos foi grande e ela chegou a ser vendida para cerca de 50 países.

Abertura da novela A Sucessora (1978) criada por Hans Donner, Sérgio Liuzzi e Nilton Nunes [Imagem: Reprodução/ Youtube – Rede Globo]

Rebecca – A Mulher Inesquecível é um longa estadunidense que procura combinar romance com suspense. A obra é distribuída pela Netflix e já se encontra disponível na plataforma de streaming.

Confira o trailer:

*Capa: [Imagem: Divulgação/Netflix]

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