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Refém do Jogo: boa premissa, péssimo roteiro
CINÉFILOS
23 nov 2018 | Por Cinéfilos

Um grupo terrorista tranca todas as saídas de um estádio de futebol durante uma partida decisiva e planta várias bombas no local. Eles só têm uma demanda: a localização de um traidor que está escondido no meio da torcida. A salvação de todos fica por conta de um ex-militar que adquiriu habilidades mortais durante sua carreira e estava no estádio por acaso. Parece um bom enredo, não? É o que todos devem ter pensado até ele chegar nas mãos desta equipe de roteiristas, que não conseguiu elaborar uma história factível a partir da premissa.

Em Refém do Jogo (Final Score, 2018), Michael “Mike” Knox (Dave Bautista) é o ex-militar que acaba de desembarcar na Inglaterra para visitar Danni (Lara Peake) e sua mãe. Isso porque o pai de Danni serviu sob a autoridade de Mike em uma missão que acarretou em sua morte, e a culpa do veterano pelo ocorrido o leva a visitar as duas com uma certa frequência e a tratá-las como família. A razão pela qual o filme optou pelo tio Mike não ser realmente tio de Danni ainda é um mistério.

Refém do Jogo

(Imagem: Lionsgate)

Knox leva a sobrinha a um jogo de futebol importante, uma semifinal entre West Ham e Dynamo FC, mesmo não gostando do esporte. Para infelicidade de todos em Refém do Jogo, Arkady (Ray Stevenson) e sua gangue decidem tomar conta do estádio e procurar por seu antigo líder Dimitri (Pierce Brosnan), que havia forjado a própria morte. E como eles descobriram que Dimitri estava assistindo àquela partida? Eles não descobriram. Simplesmente mataram algumas pessoas, plantaram umas bombas e cometeram atos inegáveis de terrorismo internacional baseados em um simples palpite.

A história desse grupo russo é tão bizarra que não é de se espantar que os irmãos Arkady e Dimitri sejam interpretados por atores britânicos. Inclusive, Pierce Brosnan foi escalado para ter cinco falas, sendo uma delas uma metáfora sobre sacrifício envolvendo uma galinha caolha, e morrer.

Refém do Jogo

(Imagem: Lionsgate)

Mas tudo bem, porque deve ter sido impossível encontrar algum russo que concordasse com os papéis. Não só seu povo é mostrado como capaz de ir a outro país cometer atrocidades em nome de sua própria nação, como o longa faz parecer que a Rússia é um lugar em eterna revolução separatista. Mais que isso, os personagens falam em inglês entre si o tempo todo, exceto uma vez, para mostrar que Mike conhece o idioma. Fato esse que não teve relevância nenhuma durante o filme.

E se já estava ruim quando percebemos que os terroristas de Refém do Jogo agem sobre um palpite, fica pior quando descobrimos suas reais intenções. Arkady não quer matar Dimitri, quer sua ajuda na revolução. Não poderia haver um jeito melhor de reencontrar seu irmão perdido? Um que não envolvesse terrorismo internacional, talvez? Não havia muita gente na torcida visitante e o reconhecedor facial não serviu pra nada, será que não era mais prático cada membro da gangue comprar um ingresso e apenas procurar? Dimitri nem sabia que estava sendo procurado até meia hora antes de o filme acabar! Você pode pensar que não seria eficiente, mas nem o método deles foi.

Refém do Jogo

(Imagem: Lionsgate)

Mas bem, depois de se indignar com essas e outras cenas absurdas, podemos pelo menos admitir que em uma coisa Refém do Jogo acertou: Faisal Khan (Amith Shah). O funcionário do estádio, e alívio cômico, que acaba servindo como escudeiro de Mike durante o incidente, conquista a todos com seu jeito irreverente e irônico. Ainda mais, dá a oportunidade de o filme fazer uma crítica pertinente aos ocidentais que acreditam no estereótipo do árabe que é uma bomba. Apesar de que, considerando o resto do filme, é mais provável que tenha sido sem querer.

Refém do Jogo estreia dia 22 de novembro nos cinemas. Confira o trailer:

por Bruno Menezes
brunomenezesbaraviera@gmail.com

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O Cinéfilos é o núcleo da Jornalismo Júnior voltado à sétima arte. Desde 2008, produzimos críticas, coberturas e reportagens que vão do cinema mainstream ao circuito alternativo.
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