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Rei Arthur: o grande desafio de reinventar velhas lendas
CINÉFILOS
17 maio 2017 | Por Jornalismo Júnior

Muitos filmes que retomam lendas se confundem dentro de suas próprias propostas em uma aparente indecisão, causada pela difícil decisão de escolher sob qual ótica retratar uma história já popularizada de diversas formas, inclusive no cinema. Não é o caso de  Rei Arthur: A lenda da Espada (King Arthur: Legend of the Sword, 2017), em que o diretor Guy Ritchie, de forma firme, optou pela fantasia aliada à ação para contar a história do líder medieval, deixando de lado pretensões românticas ou históricas, o que acresce muita qualidade ao todo.

Cercado pelas especulações a cerca de um possível fracasso de bilheteria,  Rei Arthur conta com um elenco estelar. O premiado Jude Law, duas vezes indicado ao Oscar, dá vida ao vilão, o rei Vortigem, tio de Arthur, interpretado por Charlie Hunnam, o astro de Sons of Anarchy (e também cotado para o papel de Christian Grey, em Cinquenta tons de cinza (Fifty Shades of Grey, 2015), há alguns anos). Completam a escalação de peso alguns rostos conhecidos dos viciados em séries, como Aidan Gillen e Michael McElhatton, de Game of Thrones, e Katie McGrath, a Lena Luthor de Supergirl, além da rápida participação do ex jogador de futebol David Beckham.

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O enredo gira em torno da vida de Arthur após o assassinato de seus pais, executados pelo antagonista após usurpar o trono do irmão. Condenado a crescer em um bordel, enquanto aprende a viver nas ruas de Londínio, o personagem vai guardando economias enquanto troca favores com comerciantes, vikings e prostitutas. A evolução do menino, que em certo momento passa a praticar lutas e se transforma em um homem forte e confiante, é mostrada de forma rápida mas assertiva. Ao crescer, apesar do abandono, ele consegue prestígio regionalmente e já assume um papel de liderança dentro de sua própria comunidade. Ao conseguir tirar a lendária espada de seu pai da pedra, se mostrando rei legítimo, Arthur estabelece novos elos e objetivos, contrastantes com os de sua vida anterior, e que trazem figuras secundárias interessantes e o dinamismo ao filme.

Um dos pontos altos do enredo foi focar na história de Arthur de maneira realista, com roubos, violência e tudo o que se espera de um mundo medieval. Também é interessante o fato de um romance não tomar as rédeas do longa, como costuma acontecer erroneamente em diversos filmes. Ademais, há o contexto político muito pertinente ao momento atual. Com rebeliões populares, massacres policiais e tiranias governamentais, O Rei Arthur: A Lenda da Espada traz a história clássica a um contexto contemporâneo, gerando discussões sobre o panorama sociopolítico mundial, com muitas similaridades ao da obra. Outro destaque do enredo é a mitologia bem amarrada, com magia da luz e das trevas e magos. O contexto de cada um dos seres é bem explicado de maneira que nenhum elemento está ali por acaso, mostrando uma relação entre passado, presente e futuro para a história.

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Apesar de contar uma história que já data de alguns séculos, o filme conta com recursos modernos e também não pretende se pôr como uma montagem de época. O recurso da câmera de ação, posta nos próprios atores, funciona na transmissão da tensão, e essa rapidez é vista também na forma de editar as cenas, com muitos frames por segundo e várias cenas intercaladas, o que confere fluidez e impede que o filme se torne enfadonho, apesar de suas 2h06min de duração.

A trilha sonora e a edição de som, outros pontos altos, contam com algumas batidas eletrônicas, momentos de música clássica, rock pesado, música escocesa e silêncios bem colocados para casar perfeitamente com os momentos de ascensão ou decadência dos protagonistas. Outro elogio à produção são os efeitos especiais, grandiosos, caprichados e utilizados na hora certa, com destaque para os efeitos com fogo e o ótimo uso do 3D. O bom uso dos recursos visuais também se aplica às personagens, como nas aliadas de Vortigem e a maga (Astrid Berges-Frisbey, que usa seu sotaque europeu em favor da personalidade exótica que performa), que tem sua caracterização auxiliada de forma convincente.

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A atuação também não deixa a desejar. Hunnam entrega a dramaticidade necessária em cenas de mais densidade emocional, assim como a maioria das personagens secundárias. Além disso, Jude Law impressiona como vilão, ao mostrar um lado tirano e egocêntrico, com referências até a Hitler, a fim de dar o tom certo para o antagonista.

Há mais um fator diferente em Rei Arthur. Apesar de contar com inúmeras cenas de violência, o sangue não está presente em nenhuma delas, essa sutileza demonstrada na abordagem dos confrontos esteve ausente em uma das dificuldades mais comuns do gênero de ação: o roteiro. Recaindo em clichês e alguns diálogos que se tornam cômicos -em contextos duvidosos – há certos elementos, nascidos juntos com a fórmula dos blockbusters, dos quais o filme não se esquiva e que o impedem de se tornar uma obra um pouco mais singular, mesmo que cumpra seu papel de entreter.

Rei Arthur: A lenda da Espada estreia nos cinemas no dia 18 de maio. 

Confira o trailer legendado:

Por Maria Carolina Soares e Pietra Carvalho
mcarolinasoares@uol.com.br
pietra.carpin@hotmail.com

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