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Retablo mostra junto à tradição, o preconceito
CINÉFILOS
07 nov 2019 | Por Mariana Carrara (marianacarrara@usp.br)

Retablo (2017), pré-indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, conta a história de Segundo (Junior Béjar Roca), menino de 14 anos que se prepara para seguir os passos do pai, Noé (Amiel Cayo), na arte folclórica de construir retablos — caixas artesanais portáteis que retratam histórias, cenas religiosas ou eventos cotidianos. Nos Andes peruanos, Segundo reverencia o ofício e o pai, mas começa a ficar inquieto ao perceber que o peso de carregar o legado da família irá mantê-lo na montanha para sempre. 

Ao acompanhar uma tradicional comunidade andina, o longa mostra a realidade da vida nos Andes e tem a cultura se manifestando a todo momento: desde a arte dos retablos, até as festas populares e a língua indígena quíchua falada. Nos sons, isso não é diferente. Na maior parte do filme, o som ambiente da vida na montanha, como os animais, predominam. A música é rara, mas quando ela aparece, é fiel à cultura peruana e se soma à preocupação de toda a equipe em retratar de forma autêntica o país.

Retablo inicia com a tela preta e a descrição de uma cena por Segundo, brincando com a imaginação do espectador e deixando para este a construção da imagem narrada. A descrição e o detalhismo são elementos interessantes do filme que, também necessários ao trabalho do artesão que o filme demonstra, aparecem em cada cena gravada na serra de Ayacucho.

Cena em que Noé está treinando Segundo para ser artesão. Ele tampa os olhos do filho que deve lembrar e descrever cada detalhe da imagem que está a sua frente para reproduzir depois em um  retablo. [Imagem: Divulgação]

Para o espectador, o longa pode ser um pouco parado às vezes. Mas, como todo bom drama, Retablo trata de questões interiores das personagens e levanta questões como: o que acontece quando a figura paterna que admiramos entra em colapso? Como isso afeta nossa busca por nossa própria identidade? Como lidamos com essa experiência aos 14 anos de idade? 

Essas questões guiam os momentos de drama intenso. Eles são acompanhados pelo movimento da câmera, que deixa de lado a estaticidade e, assim como a inquietação dos pensamentos das personagens, desestabiliza e balança.

O preconceito em contraste com a tradição e a religião é o principal ponto do filme. Ao descobrir um segredo do pai, o protagonista tem dificuldade de absorver, se distancia dele e passa a enfrentar a realidade crua de sua paisagem profundamente religiosa e conservadora. O filme mostra como na tradicional comunidade andina o preconceito influenciou a vida da família e teve o poder de provocar tragédias.

Retablo explora o peso da herança familiar, os limites do amor e a dificuldade de lidar com a ordem tradicional e convencional e estabelecida. O filme do diretor Alvaro Delgado-Aparicio tem data de estreia para 7 de novembro. Confira o trailer

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