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Roubaram minha bicicleta!
ARQUIBANCADA
02 jul 2016 | Por Jornalismo Júnior

Por Rafael Castino

Era um bela tarde de outubro. O ano, 1954. Um garoto de  12 anos e seu colega estavam em um evento organizado pelos comerciantes negros de Louisville. Bebiam e comiam de graça em todas as barracas, tudo ia bem. Na hora de ir embora, um deles percebeu que sua bicicleta, uma Scwinn branca e vermelha, que custava em torno de 60 dólares, havia sido roubada. Foi o suficiente para despertar a ira no menino, que prometeu se vingar, prometeu se tornar o rei do mundo.

O modelo da bicicleta de Ali: uma Scwinn branca e vermelha (Foto: reprodução)

O modelo da bicicleta de Ali: uma Scwinn branca e vermelha (Foto: reprodução)

Parece uma história fictícia, mas esse é o início da carreira do maior boxeador de todos os tempos, Muhammad Ali. Em sua infância, o ainda Cassius Clay teve sua bike furtada durante uma festa no Columbia Auditorium. Vingativo, Clay foi na busca de um policial que pudesse lhe ajudar no caso. Joe Martin, que se encontrava no Columbia’s Gym, foi indicado pelos populares como o mais próximo. Ao chegar na academia onde Joe ficava, Cassius foi proferindo as mais árduas ameaças ao ladrão que o roubara e pedindo ajuda ao oficial aposentado. Percebendo toda ira na fala do garoto, junto a falta de técnica para exercer tudo aquilo que havia prometido caso encontrasse o meliante, Martin convidou o menino a treinar boxe para que, dessa forma, pudesse se vingar com autoridade. Daí em diante, Ali não passou mais nenhum dia de sua vida sem respirar boxe.

Com enorme dedicação, o garoto levantava cedo todo dia para correr, costume que se estendeu durante toda a carreira. Na medida do possível, tentava se alimentar de forma regrada; carregava até uma garrafa de água com alho que tomava, dizendo ser um ótimo regulador para pressão arterial. Toda dedicação e talento levaram Clay a um cartel juvenil de 100 vitórias e apenas 8 derrotas no alto de seus 18 anos, marcas que permitiram-no disputar a Olimpíada de Roma, em 1960.

Podemos dizer que o primeiro grande desafio da jornada de Cassius Clay no mundo esportivo foi enfrentar o voo até a Itália, para disputar os Jogos Olímpicos. O resto foi tranquilo: medalha de ouro. O mundo começara a ver uma lenda crescer ante aos seus olhos.

Foram três títulos mundiais, calando todos os jornalistas preconceituosos que, primeiramente, desmereciam Ali por ser um atleta negro e, posteriormente, achavam inaceitável o fato de um peso pesado lutar com velocidade, dançando no ringue. Presavam que os heavyweights deveriam ser duros, dar e aguentar socos de extrema força, nada de esquivas nessa queda de braço.

Float like a butterfly, sting like a bee (Foto: reprodução)

Float like a butterfly, sting like a bee (Foto: reprodução)

Float like a butterfly, sting like a bee(Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha). Este bordão foi criado e perfeitamente executado por Muhammad Ali.  Contrariando os padrões, treinadores e especialistas diziam que Muhammad era o peso pesado mais rápido de toda história da categoria. Ali dizia ser o boxeador mais rápido de toda história, independente da categoria analisada.

Os versos e poesias também fizeram parte da vida do lendário boxeador. Mesmo que não muito talentoso para literatura, o lutador criava pequenas estrofes antes de cada combate prevendo em que round iria vencer seu oponente. Muitos viam aquilo como soberba ou indício que as lutas estavam sendo armadas. Muhammad Ali via aquilo como um desafio, seu maior medo era não cumprir com o que havia dito e ser taxado de mentiroso. O que aos olhos do mundo parecia apenas uma brincadeira, na verdade era o combustível para o campeão.

Muhammad Ali tem um cartel profissional de 62 lutas, com apenas 5 derrotas e 57 vitórias, sendo 37 delas por nocaute. Dentre os triunfos, Ali venceu Sonny Liston, George Foreman, Joe Frazier, o racismo, o tabu por se tornar Muçulmano e a fama de desertor por recusar defender os Estados Unidos na guerra do Vietnã.

O maior boxeador de todos os tempos foi um homem apaixonado pela vida e pela história. Adorava falar, dar entrevistas, debater, lutar… Ali amava viver, e mais que isso, era fascinado por registros. Gostava de tirar fotos e gravar conversas com seus filhos e filhas para que, quando adultos, pudessem escutar e recordar os bons momentos.

No dia 3 de junho de 2016, Muhammad Ali nos deixou, conquistando tudo que estava a seu alcance, seja no ringue ou no aspecto social. Ali se tornara um herói ao seu povo, uma lenda do esporte e o maior lutador da história. Tudo que Muhammad havia prometido foi feito. Bem, quase tudo… Infelizmente, não há registros que o garoto Cassius conseguiu se vingar do ladrão que o levou a Schwinn branca e vermelha em uma tarde de outubro no ano de 1954.

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