Se você ainda não conferiu a primeira parte do Dia 1 – A Feira, em que o Sala33 fala sobre os estandes e os preços, corre lá!

QUADRINHOS

O que já foi o principal atrativo deste modelo de feira está muito bem representado na CCXP 2016. O estande da Panini, por exemplo, oferece sua imensa variedade de títulos com descontos especiais e edições passadas que não estão mais nas bancas. Além disso, traz títulos inéditos como O Evangelho Segundo Lobo e Ronin – ambos podendo ser autografados por seus ilustradores, que também vieram à feira. A JBC faz o mesmo com seus mangás. Com um estande que homenageia a cultura japonesa, ela oferece também alguns pequenos shows ao vivo, e muito do rico acervo da editora, como The Ghost in the Shell – que já teve seu lote reposto no primeiro dia da feira – pode ser adquirido com preços mais baratos. Mas cuidado com as longas filas para pagar no caixa.

Já sobre o Artist’s Alley, a CCXP conta com um espaço bem grande e diverso. Essa área, bem tradicional em Comic Cons pelo mundo, é onde fãs e quadrinhistas podem interagir. Lá, os artistas vendem, além de suas obras, posteres, sketchbooks, artes originais, alguns até investem em bottons e outras lembrancinhas, tudo para atrair o público a conhecer seu trabalho.

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Dentre os brasileiros, estão presentes artistas consagrados como Rafael Albuquerque, Ivan Reis, Gustavo Duarte, Danilo Beyruth, entre outros, que oferecem trabalhos e desenhos feitos na hora. Os gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon, por exemplo, disponibilizam em suas mesas a maioria de seus obras, incluindo os vencedores do Eisner Award, Daytripper e Dois Irmãos,e o mais recente lançamento deles, How to Talk to Girls at Parties – uma adaptação do conto de Neil Gaiman que já estreou entre os mais vendidos na lista do NY Times. A única ressalva quanto a esses artistas são novamente as filas, que podem lhe custar um bom tempo da feira.

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Falando em filas, isso se agrava em relação aos quadrinistas internacionais. No início do evento, estão sendo distribuídas senhas para se ter acesso a esses artistas, e elas acabam muito rápido. Um exemplo disso foi o que aconteceu na sexta, quando as senhas para o cultuado Brian Azzarello  – roteirista da DC que, entre outras coisas, escreveu o roteiro de Cavaleiro das Trevas 3 A Raça Superior ao lado de Frank Miller -, acabaram em 10 minutos. Nesse dia, a feira abriu as 10 da manhã e as 10h10min já não havia mais senhas. Também estão presentes outros artistas internacionais como Alan Davis, Marcello Quintanilha, Arthur Adams, Joyce Chin, Peter Kuper (vencedor do Eisner 2016), entre muitos outros.

Conseguir um autógrafo na HQ que você ama e poder falar com um quadrinista que admira é muito legal, mas não deixe de aproveitar algo que só uma Comic Con pode oferecer: uma gama imensa de artistas independentes com trabalhos incríveis. Com gibis de todos os gêneros e enredos inéditos, esses artistas estão lá por conta própria acreditando em um sonho. É uma oportunidade única de conhecer o novo e ainda ter um contato muito próximo com os quadrinistas. Ainda mais quando muitos deles têm obras realmente geniais. “Geralmente não é o tipo de material que tem acesso ao público em livrarias, em bancas”, comenta Hugo Nanni, que lança na feira duas HQs, “então a gente depende muito dessa logística, porque (são) nesses eventos que a gente consegue ter contato com o público”.

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A CCXP é um momento único para que o trabalho de muito tempo – para alguns, até anos – possa ser valorizado pelas pessoas que cultuam o próprio meio. A realidade do quadrinista independente no Brasil ainda é muito complicada. “A maioria das pessoas tem um outro trabalho de onde tiram sustento”, diz Marcio Goti – que vem à feira lançar HQs e sketchbooks –, que num tom otimista completa, “(mas) o mercado vem numa ascendente, futuramente a gente pode viver numa realidade como a da França, em que os autores vivem de quadrinhos autorais”.

Mas a feira também é lugar das mulheres, e muitas foram as artistas que também trouxeram suas produções, como Gisele Almeida, que veio expor fan arts de videogame. Ela comenta que por mais que as mulheres estejam começando a ter entrada nesse universo, elas ainda são “sempre remetida ao fofinho, ao delicadinho. E na verdade a gente é capaz de fazer qualquer coisa”. Prova disso é seu próprio trabalho que se utiliza de luzes mais dramáticas e épicas. Um outro problema que ela ressalta é o fato da hipersexualização das personagens femininas, “a gente está cansada de ver mulher pelada, sendo tratada como objeto sexual”. Com cada vez mais mulheres roteirizando e desenhando, esse deve ser um paradigma a ser quebrado daqui a alguns anos.

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Seja de grandes ou pequenos nomes, as oportunidades são muitas. Mas tenha em mente que se você quiser fugir das filas, os quadrinistas independentes são a melhor pedida, e não por conta disso, piores. Eles poderão conversar por um tempo maior e até mesmo negociar preços, além, é claro, de você não precisar madrugar em filas para conhecê-los.

TIRE FOTO COM COSPLAYS:

Em todo evento nerd, você provavelmente já viu muitas pessoas fantasiadas. Alguns personagens conhecidos, outros nem tanto, mas tudo sempre muito rico e divertido. Pois bem, na CCXP 2016 não poderia ter sido diferente. E no decorrer da feira, o Sala 33 encontrou muitas pessoas nessa onda. Cosplay, que é a abreviação de costume play, é o termo utilizado para essa prática. Muito popular entre os jovens, a feira provou que não existe idade para isso. Como Thiago, fantasiado de Coringa diz, “qualquer um pode ser um cosplayer, basta acreditar”.

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Alguns dos mais famosos foram os da Rey, de Star Wars VII: O Despertar da Força, ou do Coringa, de Batman. Mas muitas foram as famílias e grupos de amigos que vieram todos fantasiados, garantindo a diversão dos fotógrafos de plantão. Camila, que veio fantasiada de Merida, de Valente, acredita que lugares como a CCXP são importantes para dar visibilidade aos cosplayers: “você pode ser quem você quiser ser. Você sai um pouco da sua realidade, o que é muito difícil”. Para ela, a liberdade que se tem faz tudo parecer quase como um Carnaval, e completa, “eu vejo homens se fantasiando de Arlequina, o que é tão bom! Você (pode) influenciar as crianças e as pessoas adultas”.

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Enquanto alguns investem uma boa grana para ter a fantasia mais impecável, outros improvisam com o que tem, o que muitas vezes rende boas risadas. Mas o importante é ser como quiser, e muitos até comentam que não é preciso muito para arrasar na caracterização. Como Cris e Stéfani, que fizeram à mão as varinhas de bruxa do universo Harry Potter, comentam, “é questão de querer fazer”. No evento, houve um momento em que todos eles se reuniram durante uma marchinha que percorreu a feira.

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Alguns cosplayers conseguiram até mesmo juntar o útil ao agradável, como Gabriela, vestida de Bela, de A Bela e a Fera, que há 12 anos entrou nesse mundo, e que atualmente tem uma empresa de personagens para eventos. “Era difícil as pessoas entenderem de separar o hobby da realidade”. Ela acredita que pelo evento abranger muita gente que não faz parte do público nerd, “elas ficam curiosas, visitam e passam a (nos) entender”. No passado, no entanto, muitas vezes o cosplay era estigmatizado, sofrendo de preconceito, como lembra Thiago, “antes era bem desrespeitado, (mas) agora não chegam nem perto”.

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Além dos cosplays, a feira é notória por reunir uma série de famosos do mundo do entretenimento e da cultura pop. Yudi do programa Bom Dia&Companhia, por exemplo, ainda bebe da fonte que o revelou, girando a roleta no estande da Fini enquanto gritava “finistation, finistation, finistation”. Outro grupo que vê sua fama crescer são os youtubers. Pipocando, Carol Moreira, Jovem Nerd e Azaghal, Felipe Castanhari, Christian Figueiredo e o próprio Omelete são alguns nomes do momento. As vezes, as filas para se tirar uma foto com eles é do mesmo tamanho que a dos principais quadrinistas internacionais.

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Por Natan Novelli Tu e Ingrid Luisa
natunovelli@gmail.com I ingridluisaas@gmail.com

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