Se você ainda não conferiu a primeira parte do Dia 2 – Os Painéis, em que o Sala33 fala sobre Spock e Sony, corre lá!

O LONGO E DESLOCADO PAINEL DA GLOBO

Após o emocionante painel de abertura e o explosivo painel da Sony, com artistas internacionais e trechos inéditos aguardadíssimos, o anfitrião da noite, Érico Borgo, do site do Omelete, comenta que ainda haverá muito conteúdo no dia e que quem saísse do auditório não conseguiria entrar mais. Mesmo com o aviso, que tentava evitar um fenômeno inevitável, não adiantou: uma grande parcela de gente se levantou e saiu do auditório Cinemark. Começaria – e se estenderia por duas longas horas -, o painel da Rede Globo, o talvez mais deslocado painel apresentado.

Marcelo Adnet foi o encarregado de cumprir a difícil missão de ser o mestre de cerimônias da noite, conduzindo a apresentação das séries da Globo para a grade de 2017. Mesmo tendo saído muita gente, o auditório continuava cheio, e Adnet até tentou cativar as mais de duas mil pessoas presentes, mas falhou na maioria das vezes. A culpa não foi dele. Ele até se esforçou bastante para agradar e sabia perfeitamente como reconduzir a situação após um silêncio constrangedor de uma piada sem risos. O problema é que o público do auditório não estava interessado em nada do que estava sendo mostrado. A Globo tem o público dela – que, por sinal, é a maior parte do Brasil -, mas ele definitivamente não está na CCXP.

Levando atores, diretores e produtores de cada uma das séries comentadas, a Globo ainda mostrou trailes inéditos. Na tentativa de dinamizar e engajar o público, o painel ainda contou com a presença de Fernando Caruso, que levava o microfone para as perguntas do público. Vade Retro foi a primeira série apresentada, com a presença dos protagonistas Tony Ramos e Mônica Iozzi e do autor Alexandre Machado. Contando a história de Abel Zebul (Tony Ramos), um empresário bem sucedido que dá palestras motivacionais nada amigáveis, ele contrata Celeste (Mônica Iozzi) para conduzir seu divórcio. Em meio a isso, sua influência acaba fazendo a advogada ter mais e mais clientes, mas a relação dela com aquele homem vai se mostrando cada vez mais macabra. Não empolgou, e perguntas do público como “esse personagem foi inspirado no vilão de Supernatural?” fez Tony Ramos ficar ainda mais deslocado ao admitir que nunca tinha ouvido falar da série.

A próxima, talvez a melhor da noite, foi a apresentação da série Carcereiros, que tem o objetivo de mostrar a realidade das prisões por um ponto de vista não explorado antes: o do agente penitenciário. Ele está entre o bandido e o policial. Nos presídios, é a representação da lei, “a grande arma do agente penitenciário não é a arma, mas a palavra”. Num painel com os criadores Fernando Bonassi e José Eduardo Belmonti, mostrou-se o trailer que revela a mescla do estilo ficcional e documental que a série vai apresentar. Com um grande elenco, que conta com Rodrigo Lombardi, Ailton Graça, Caio Blat e Matheus Nachtergaele, essa foi uma das séries mais promissoras apresentadas em todo o painel. Em seguida, foi a vez de Zózimo, talvez a série mais fraca apresentada. Não temos como cravar ao certo isso porque nada foi gravado ainda, só o que foi revelado é que será sobre o detetive Zózimo, um galã dos anos 50 que faz piadinhas à lá Zorra Total. Apesar disso, o roteirista Mauro Wilson prometeu sexo, violência e um caso separado em cada episódio. Vladimir Brichta  e Ailton Graça também estavam presente nos painél.

Filhos da Pátria, comentada pelo criador Bruno Mazzeo, é a sátira do próprio ao “jeitinho brasileiro” que, segundo ele, existia desde a independência do Brasil, para provar que “subdesenvolvimento não se cria, é uma obra de séculos”. Apesar de a série se passar em 1822, com a ascensão de uma família comum de maneiras ilícitas, personagens feministas e um “Fora, Pedro!” estão presentes. Aliás, a ligação desse bordão com a situação atual do país gerou comentários irônicos no palco, que foram celebrados por alguns da plateia e recebidos friamente por outros. Logo após isso, Marcius Melhem e Maurício Farias se juntaram a Adnet para falar do Zorra – cada vez mais Porta dos Fundos-, de sua mudança no formato e atual reconhecimento com a indicação ao Emmy. Outra curiosidade é quanto ao sucesso do programa nas redes sociais de sábado a noite, onde a frase “tô gostando do Zorra, me julguem” virou tão popular que gerou uma piada interna no elenco. Para encerrar, foi apresentada a nova temporada de Tá No Ar, apenas provando que o melhor da Globo em 2017 pode estar no humor.

O MUNDO  E A REPRESENTATIVIDADE DE 3%

Para falar sobre a primeira série brasileira original Netflix, estavam presentes no painel os quatro diretores: César Charlone – já conhecido e consagrado pelo seu trabalho em Cidade de Deus –, Dani Libardi, Daina Giannecchini e Jotagá Crema, além do roteirista criador Pedro Aguilera. A série, que surgiu de uma websérie de mesmo nome lançada anos atrás por esse mesmo grupo de amigos – com exceção de Charlone – na época em que eles ainda faziam faculdade de audiovisual, passa num futuro distópico em que apenas uma pequena parte da população consegue uma vida digna.

Os convidados responderam sobre a dificuldade de se ter 4 diretores em um mesmo projeto, como foi a criação da websérie, de onde surgiu a ideia, a importância do trabalho em equipe, dentre outras questões da produção. Mas, o que mais se destacou, foi a ênfase dada ao fato de haver duas diretoras mulheres em um projeto tão grande como esse. As falas de como a mulher deve ocupar cada vez mais esse espaço e se mostrar presente foram ovacionadas por todo o auditório.

Para finalizar, parte do elenco da série “invadiu” o palco e antecipou sua aparição que seria somente no painel de domingo. Eles não pouparam elogios aos diretores, falaram sobre como a presença do roteirista Aguilera nos ensaios ajudou na construção e definição dos personagens, e comentaram suas atuações na série. Foi uma participação rápida, mas uma forma bem bacana de encerrar essa série que é uma grande conquista para a produção audiovisual nacional.

DE HIDDEN BLADES À GARRAS (FOX EM FOCO)

Entre altos e baixos, o último painel da noite traria aquele que provavelmente foi o painel mais dinâmico do dia. Com muito conteúdo exclusivo e várias participações especiais, a Fox animou a galera que entrou aos bandos após o painel da Netflix. E não era à toa, pois Alien: Covenant e Planeta dos Macacos: A Guerra trariam ótimos materiais. Mas seguindo a mesma estratégia da Sony mais cedo, a Fox já entraria grande e falaria de Assassin’s Creed, que tem estreia marcada para dia 12 de janeiro.

Baseado na multi-premiada franquia de jogos de mesmo nome, Assassin’s Creed começaria exibindo o trailer já divulgando na internet com apenas alguns trechos exclusivos. Nada demais, embora já o suficiente para levar a multidão à loucura. Mas então as luzes mais uma vez se apagam para dar lugar a Michael Fassbender, intimando o público brasileiro a conferir uma cena inteira do filme. Na Itália renascentista, Callum Lynch (personagem de Fassbender) está amarrado a um cadafalso junto de Maria (Ariane Labed), enquanto um bispo os condena pelos atos deles. Em fração de segundos, Lynch consegue se desvencilhar dos algozes, iniciando uma grande cena de ação. De forma muito mais orgânica que a cena exibida mais cedo por Resident Evil 6: O Capítulo Final, Assassin’s Creed tem uma ação muito mais clara e empolgante, sem contar na estupenda recomposição de época. Escapando, uma perseguição por cima das casas da cidade se sucede, que mais uma vez inspira muito fôlego e tensão aos espectadores do auditório Cinemark que comemoram a cada movimento.

Totalmente imersos, a plateia ainda é surpreendida quando Borgo – que mais uma vez retorna como mestre de cerimônias – chama ao palco Damien Walters, dublê para uma das cenas mais célebres do jogo e mais arriscadas da vida real: realizar o Salto de Fé – que é quando o personagem salta do topo de edificações para cair ileso em cima de um bolo de feno. Com muita simpatia, Walters pede que chamem uma pessoa do auditório para que ele possa ensinar como fingir estar levando um tiro. Uma abertura com muito bom humor e conteúdo!

Logo após, a Sony traria duas longas cenas exclusivas de sua nova animação, O Pequeno Chefinho. Nelas, foi possível ouvir o vozeirão de Alec Baldwin interpretando um bebê engravatado e a dinâmica conturbada dele com seu irmão mais velho. Prometendo muitas risadas, as cenas arrancaram vários aplausos da plateia. Seguindo ainda nas animações, o painel apresentou Lino, animação brasileira sobre um animador de festas de meia-idade, mas muito desanimado com sua própria vida pessoal, que em certo dia se transforma ele mesmo no boneco em que usa nas comemorações: um gato. O painel trouxe Rafael Ribas, diretor do longa, que comentou que o software de animação é o mesmo utilizado por grandes estúdios como o da Pixar. Nas palavras de Ribas, é preciso “desestigmatizar a ideia de que não existe animação boa no país”. Trazendo um teaser do filme, a voz do protagonista será de Selton Mello.

De volta às grandes produções internacionais, o painel prosseguiria com Alien: Covenant (estreia para 18 de maio), sequência de Prometheus e que mais uma vez contaria com Michael Fassbender no elenco. Com um conteúdo exclusivo apresentado pelo próprio diretor do filme, Ridley Scott, viajaríamos pelos sketchs, estúdios de montagem das naves e locações inóspitas na Austrália. O filme acompanhará os eventos de seu antecessor, enquanto os exploradores se adentram por um planeta desconhecido. Após o vídeo, o painel chamou ao palco Affonso Solano, do canal do YouTube Matando Robôs Gigantes para comentar um pouco sobre a força da franquia Alien para a cultura pop. Fórmula similar seguida por Planeta dos Macacos: A Guerra (13 de julho), que entre outras coisas se detalhou pelo trabalho de captura de movimento de Andy Serkis (que interpreta César no longa, mas que no currículo tem também Gollum, da franquia Senhor dos Anéis, e o último King Kong).

Outros filmes que também passariam pelo painel foram Kingsman: O Círculo de Ouro, A Cura e o terror brasileiro O Rastro. O primeiro traria uma mensagem do português Pedro Pascal, ator de Narcos e que estará presente na sequência do longa de espionagem, com Colin Firth. O filme tem estreia marcada para 16 de junho. Já A Cura apresentou seu trailer já divulgado há alguns meses nas redes e um outro exclusivo com muito mais detalhes sobre os pacientes e bizarrices do hospício da trama. Na trama, um jovem interpretado por Dane DeHaan (Duende Verde de O Espetacular Homem-Aranha) fica responsável por buscar um CEO de sua empresa num centro de bem-estar. Mas pouco a pouco, ele percebe que o lugar não se parece com o que vendia. Dirigido por Gore Verbinski, de O Chamado e da série Piratas do Caribe, o terror estreia 16 de fevereiro. Temática parecida com a de O Rastro (ainda sem data), que traz Leandra Leal e Rafael Cardoso como seus protagonistas e conta a estória de um médico que se vê encarregado de transferir os pacientes de um hospital fechado para outro. No meio disso, um deles some e a a trama se desenrola.

Por fim, a noite acabaria em seu ápice, quando ao som de Hurt, de Johnny Cash, Logan tinha seu trailer exibido com alguns trechos exclusivos. Mas a plateia foi mesmo à loucura quando a Fox apresentou uma cena exclusiva na íntegra. Nela, Hugh Jackman (que interpreta Wolverine pela última vez) janta como convidado à mesa junto de um Professor Xavier já bem velho e de sua filha. Essa última portando-se longe de qualquer convenção social, o que pode indicar sua natureza mutante. Por mais curta que seja, a cena tem seus momentos de emoção, como quando Xavier comenta que no passado havia gerido uma escola e que o próprio Logan já havia estudado nela. Com estreia marcada para 2 de março, Logan promete encher quarteirões assim como o painel da Fox fez na CCXP2016.

#ComicConExperience2016 #VaiSerÉpico

Por Natan Novelli Tu e Ingrid Luisa
natunovelli@gmail.com I ingridluisaas@gmail.com

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