Se você ainda não conferiu a cobertura do primeiro dia da CCXP, em que o Sala33 fala sobre os estandes, preços, quadrinhos e cosplays, corre lá!

Os painéis são uma oportunidade de ficar pertinho dos artistas que você mais gosta, de assistir conteúdos inéditos para o mundo todo pela primeira vez e de comemorar junto com uma plateia em êxtase por cada novidade. Sendo então muito concorridos, os painéis trazem material das mais grandes produtoras de cinema e série do mundo, como a Netflix, a Sony e a Fox. Vem conferir o que aconteceu no segundo dia do evento mais nerd do país.

FOR THE LOVE OF SPOCK

Foi com muita emoção que os painéis da sexta-feira começaram. Adam Nimoy, filho de Leonard Nimoy – o eterno Spock da série Star Trek -, chegou em meio a muito barulho e saudações vulcanas da plateia para exibir na íntegra o inédito documentário For the Love of Spock. Integralmente concebido por financiamento coletivo, o projeto fez bonito em sua estreia no Festival de Tribeca no primeiro semestre. E não é por menos, entre amor, fama e morte, o filme faz jus à memória de um dos personagens mais carismáticos da cultura pop.

“Mr. Nimoy chegava ao trabalho às 6h30, Mr. Spock às 7h15” – frase que um dos entrevistados fala referindo-se à transformação pela maquiagem. Vivendo com o mesmo cabelinho de Spock, Nimoy era de fato tomado muitas vezes como seu próprio personagem. Embora mais sensível que sua persona, Nimoy sempre tentou fugir ao máximo dos holofotes, o que era basicamente impossível, uma vez sendo que seu personagem mobilizava legiões à frente da televisão no final da década de 60. Sonhando desde a adolescência em atuar, o documentário conta as dificuldades da carreira, os atritos com a família (e especialmente com o filho) e todo o impacto que Spock teve no imaginário coletivo.

Com imagens exclusivas de entrevistas dadas ao longo da vida do pai, Adam ainda conversa com familiares, companheiros de série e atores da nova franquia. E por mais que o material envolva muito sentimentalismo, devido a morte de Nimoy no ano passado, o poder do filme decorre de sua franqueza. Seria fácil manter-se apenas nas glórias do pai e personagem, mas o também diretor Adam não esconde os problemas que os afastaram por longos anos, o alcoolismo do pai e o próprio problemas com drogas dele. Camadas estas que num primeiro momento não parecem acrescentar em nada à obra, mas que na verdade dão muito mais humanidade ao trajeto.

E foi talvez essa mesma humanidade que comoveu milhares de pessoas no passado. Por baixo de toda a racionalidade, Spock era um outsider que precisava controlar suas emoções para continuar vivo. Por ser um alienígena, o excluído e diferente que ele representava não se referia a nenhum grupo em particular, o que fez com que todos eles pudessem se espelhar em Spock. E é lindo ver que não só cientistas e artistas foram influenciados por ele – como é possível constatar através das entrevistas -, como também os próprios espectadores da CCXP que, urrando e chorando a cada nova imagem, representam uma pequena parcela de tudo que está também fora daquele auditório: os fãs.

E para isso, o documentário é também um prato cheio ao se detalhar por trás das histórias de marcas famosas do personagem, como as orelhas, a saudação vulcana e a capacidade desacordar seres humanos. Por mais que pelo meio da projeção, o filme se arraste um pouco, o começo e, principalmente, o final são bastante poderosos e emotivos. Após o fim da exibição, Adam voltaria ao palco, agora com o produtor do filme, detalhando ainda mais a relação de pai e filho e os meios de produção. Em determinado momento do painel, Adam comenta que “a Paramount não seria a mesma sem Star Trek, assim como Star Trek não seria o mesmo sem a Paramount”. Mas podemos ir além, o mundo não seria o mesmo sem Spock, assim como Spock não seria o mesmo sem o mundo. E em meio a várias mãos estendidas ao ar, Adam se despede com o sinal vulcano. Vida longa e próspera, Spock! Vida longa e próspera, Leonard Nimoy!

MILLA JOVOVICH, TEIAS E MUITO MAIS

Depois de um painel tão emocionante, a Sony precisaria de algo à altura para não fazer feio. E ela tinha. Logo de cara, Milla Jovovich e o marido e diretor, Paul W. S. Anderson, entravam em meio a muita gritaria (“Milla, Milla, Milla”) para apresentar Resident Evil 6: O Capítulo Final – que tem estreia marcada no Brasil para dia 26 de janeiro. E sem perder tempo, os dois logo presentearam a plateia com uma cena exclusiva da sexta aventura.

A cena começa com Alice, personagem de Milla, andando de moto. No já característico mundo apocalíptico, ela percorre uma rodovia até chegar perto de um viaduto. Lá ela estaciona e o suspense impera. É claro que algo está para acontecer, e quando de fato acontece, Milla mostra muita vitalidade, um ano apenas após dar à luz a seu segundo filho. Os agressores são agentes da Umbrella, corporação que a antagonizou durante todos os filmes. Em meio a tiros, cambalhotas e pontapés, Alice vai lidando de um por um, quando a cena acaba. Durante toda a ação, a plateia urrava a cada golpe, mas a realidade é que cinematograficamente falando, a cena é um desastre. Todo movimento parece inacabado com cortes frenéticos e uma câmera confusa. Mas afinal, já estamos no sexto filme, com o mesmo diretor, acho que ele deve mais se preocupar com isso – isto é, se alguma vez se preocupou.

Cada vez mais megalomaníaco que o anterior, Anderson logo dispara, “maiores efeitos especiais, mais danos do que nunca”. E ainda continua dizendo que o filme terá novas criaturas, incluindo uma voadora. Essas são as vantagens de um gordo orçamento. Mas Anderson garante que “mesmo com mais dinheiro, colocamos a mesma quantidade de amor”. Ele por fim completa prometendo um filme com muito mais terror que os anteriores.

Quando perguntada se Alice faz parte de sua pessoa, Milla responde muito humoradamente que “Resident Evil é um dos maiores assuntos na mesa do café da manhã” e que por ser forte, corajosa e tomar decisões difíceis, “é a melhor parte de mim”. Em meio a Ellen Ripley, da franquia Alien, e Sarah Connor, de Exterminador do Futuro, Alice compõe uma velha guarda de mulheres fortes da cultura pop, por isso faz sentido imaginar nesse capítulo final como a personagem acabará. E Milla é assertiva, “guerreira para sempre”, ao que Anderson completa, “não faz sentido ela acabar a série arrumando a casa, fazendo panquecas”. Numa época em que cada vez mais Furiosas (Mad Max: Estrada da Fúria) e Reys (Star Wars: O Despertar da Força) surgem, Milla se impõe, “(tenho) orgulho de ser uma mulher que fala por todas nós”.

Talvez a resposta tenha muito mais a ver com a perda de memória que a personagem sofria nos episódios anteriores, “mostrar quem ela de fato é”, como se refere Anderson. Por fim, o diretor ainda afirma que não pretende fazer novos filmes, ou os chamados requals – sequência que se assemelha muito aos filmes passados, podendo quase ser categorizado como um reboot; o que acontece com o já citado Star Wars e Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros. Ele ainda finaliza dizendo que os estúdios gostam muito de fazer isso, mas que ele prezava pela qualidade. Irônico lembrar que o filme que ele vinha apresentar era o sexto de uma franquia, mas enfim… painel incrível para uma franquia medíocre.

Mas o painel da Sony ainda guardaria muito mais com a apresentação de trailers, com pequenos trechos inéditos dos já disponíveis na internet, de Os Smurfs e a Vila Perdida, Vida e T2: Trainspotting. Passageiros, estrelado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt, teria ainda uma pequena introdução do filme pelo último. E Jumanji traria vídeos de Dwayne Johnson, o The Rock, e Kevin Hart respondendo de forma muito descontraída a algumas perguntas de fãs sobre o filme. Mas o grande momento do painel ainda estaria por vir, e viria em teias…

Spiderman: Homecoming anunciou seu título em português, Homem-Aranha: De Volta ao Lar, e apresentou um trecho em primeira mão a todo o mundo de cenas do filme. Tom Holland, ator que viverá o aranha, anuncia o teaser, que passa em questão de segundos. Já nele, em primeira pessoa, Peter Parker é questionado por um personagem interpretado por Jon Favreau – e que parece ser seu segurança -, o que segura. “É meu traje”. Na cena seguinte, vemos já o Homem-Aranha saltando pelas ruas de Nova York, e aqui a maior surpresa: seu uniforme terá teias nos sovacos, que o fará parecer ter asas. O teaser então termina com o informe de que o trailer sairá em breve. Poucos foram os segundos disso tudo, mas já foi o bastante para levar o público à loucura. E assim, a Sony encerra seu painel: começando e terminando no ápice.

O segundo dia ainda contou com os paineis da Globo, 3% (primeira série brasileira do Netflix) e Fox. Confira a segunda parte do texto!

#ComicConExperience2016 #VaiSerÉpico

Por Natan Novelli Tu e Ingrid Luisa
natunovelli@gmail.com I ingridluisaas@gmail.com

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