No domingo, dia 7 de abril, o Festival Path encheu novamente as ruas da região de Pinheiros com muitas atrações que envolviam tecnologia e inovação. Com mais palestras, shows e novidades empresariais e tecnológicas, o evento entrou no seu segundo dia prometendo levar mais conhecimento para os participantes e também propondo debates atuais, que vão desde fake news até o universo machista dos games.

Confira um pouco mais do que rolou no segundo dia de festival:

Festival Path coloca seus participantes para relaxar

Para iniciar o evento de uma forma diferente e já energizando os participantes, o Festival Path disponibilizou, como uma das primeiras atividades do dia, uma aula de yoga, mais especificamente o vinyasa yoga. Tal prática, além de harmonizar o corpo com a mente, tem a intenção de coordenar a respiração com diferentes posturas para, assim, criar um fluxo contínuo. Os participantes puderam desfrutar dessa atividade por uma hora no período da manhã, que foi realizada na cobertura do Instituto Tomie Ohtake. E claro, não tiveram que pagar nada a mais por isso.

Participantes do evento em aula de yoga. Foto: Fernanda Teles

O jornalismo e o humor na era das fake news

Logo pela manhã, o Sala 33 foi conferir um debate sobre notícias falsas com os palestrantes Manuela Barem, (BuzzFeed Brasil), Leonardo Lanna (Sensacionalista) e Bruno Ferrari (Revista Época). Nesse painel, foi discutido a grande ameaça que as notícias falsas representam à informação e ao jornalismo, e também quais são as alternativas para combater tal ação feita por sites maliciosos. Além disso, falaram também sobre as formas encontradas pelos sites jornalísticos para engajar as pessoas em publicações reais – que muitas vezes não parecem tão interessantes. “Hoje, ser jornalista não é mais só reportar, é preciso ter estratégia e tentar entender como você pode blindar a sua informação para que ela não tenha um desaproveitamento, algo comum hoje em dia com as pessoas querendo transformar tudo em briga pessoal. Além disso, é preciso saber como ganhar a oportunidade de alguém ler o que você está falando”, comentou Manuela. Eles ainda falaram sobre o desafio de se fazer piada atualmente sem o medo de parecer uma fake news. “O grande desafio do humor atualmente é competir com a realidade”, disse Leonardo.

Da esquerda para a direita: Leonardo Lanna, Bruno Ferrari e Manuela Barem. Foto: Vinícius Lucena

Youtubers são os novos bestsellers

Com os palestrantes Frederico Elboni (escritor), Alessandra Ruiz (Editora Sextante), Ariane Freitas e Jessica Grecco (Indiretas do Bem), foi colocada em pauta a discussão sobre os youtubers que se tornaram escritores após ganharem influência nas redes sociais. Escritores antes de terem os seus canais no Youtube, Frederico, Ariane e Jessica comentaram que, há alguns anos, as pessoas apenas criavam o canal após ficaram conhecidas com seus livros. “Antigamente para um escritor ser conhecido, ele precisava lançar um livro. Hoje é quase ao contrário, para ele lançar um livro, ele precisa ter uma plataforma, ele precisa ser conhecido. E isso não é injusto, porque existe a internet e ela é o melhor lugar para você testar o seu conteúdo”, disse Alessandra. Além disso, discutiu-se sobre os ghost writers, tema que dividiu a opinião dos participantes da conversa. “Para mim, o livro é um carinho emocional, é teu amigo. Eu tenho essa ligação muito forte. Então, quanto você perde em arte? E quando eu digo em questão de arte, não falo só do conteúdo em si, mas em fazer com carinho. Eu sou um youtuber e estou lançando um livro, é meu público que vai ver, são meus amigos, eu não posso desonrar essa parceria em prol de pagar um ghost writer para escrever e só ganhar dinheiro”, opinou Frederico.

Ativismo compassivo: como acolher a si mesmo e quem pensa radicalmente diferente de nós

Voltando os olhares para a diversidade, a palestra foi mediada por Anna Haddad (Comum.vc), e abrilhantada pela slammer Ryane Leão (Onde jazz meu coração) e o produtor de conteúdo Jairo Pereira (Alpiste de Gente). A palestra começou agitada com uma performance de Ryane sobre o ativismo negro em forma de poesia – a emocionante entrada foi o início perfeito para o painel que falava sobre ativismo dentro das artes e das redes sociais. Em seguida, Jairo contou um pouco sobre sua trajetória – que começou como ator e depois migrou para o Youtube com o projeto “Diário Preto” dentro de seu canal pessoal -, além de fazer as pessoas pensarem sobre suas próprias gaiolas de uma forma descontraída. Ele comentou que seus vídeos se iniciaram com o propósito de discutir determinados assuntos de uma forma amigável, mas acabaram se tornando pesados e cheios de ódio com o tempo, o que o impossibilitava de conseguir o que tanto queria, que era colocar as pessoas para pensar. Ao final da palestra, Ryane Leão concluiu o debate performando, mais uma vez, um de seus poemas e, novamente, foi calorosamente aplaudida pelos presentes, que viram na arte um espaço para resistência.

Ryane Leão fazendo poesia no festival. Foto: Vinícius Lucena

Games e gamers são machistas. O que fazer?

Nessa palestra, Flavia Gasi (Ni Game Content), Ariel Velloso (Spcine) e Ariane Parra (Women Up Games) falaram sobre como o universo dos games e, muitas vezes, os próprios gamers são machistas e como isso afeta as mulheres na hora de jogar. A não existência de personagens femininas em alguns games e a sua imagem sexualizada, por exemplo, foi um dos focos do debate. As palestrantes comentaram também sobre como o ambiente dos jogos pode ser nocivo para as mulheres, que, muitas vezes, são prejudicadas justamente por serem meninas jogando video-game, algo dito masculino. “Você vai sofrer abuso o tempo todo. É mais fácil criar um nick masculino e não falar. Eu criei um nick chamado Xavier, que eu não vou dar o sobrenome. É mentira. Sou eu, mas dependendo do jogo que vou jogar – se estou jogando Battlefield ou CS -, jogo com meu nick masculino. Sabe por quê? Porque eu não tenho tempo para ficar gastando com esse povo falando no meu ouvido”, disse Flavia.  

Ariane Parra falando sobre os games e o machismo. Foto:Fernanda Teles

Você está preparado para viver 100 anos?  

Essa pergunta foi o destaque da palestra que atraiu pessoas de todas as idades interessadas em descobrir os segredos e os desafios por trás da longevidade. O painel foi ministrado pela especialista em gerontologia Denise Mazzaferro, a editora Lilian Liang (Dínamo Editora) e Mórris Litvak (MaturiJobs). Com uma abordagem divertida, Lilian exibiu fatos interessantes sobre os 5 lugares no mundo em que chegar aos 100 anos é comum, e elencou os hábitos que são recorrentes dentro dessas comunidades – como alimentação semi vegetariana em horários definidos, atividades físicas incorporadas no dia a dia e, para a surpresa de todos, o consumo de álcool moderadamente e com frequência. A especialista chegou a dizer que pessoas que têm esse hábito vivem mais do que aquelas que não consomem. Já a gerontóloga Denise, trouxe uma reflexão filosófica acerca do envelhecimento, retratando que idosos também sonham e nutrem objetivos, ao contrário da visão comum de que pessoas de idade avançada só possuem um passado. “Não pergunte para os seus avós aquilo que eles fizeram no passado. Nós temos que perguntar aquilo que eles querem fazer hoje!”, disse a especialista. Além disso, Denise criticou o jeito que o mercado e o Estado tratam as questões referentes ao idoso: “O Brasil não sabe lidar com envelhecimento”, afirma.

Lilian Liang (esquerda), Mórris Litvak (centro) e Denise Mazzaferro (direita) debatem o envelhecimento ativo. Foto: Vinícius Lucena

Ação feminina

As participantes desta palestra foram Marina Person (Mira Filmes), Vera Egito (Paranoid Filmes) e a mediadora Roberta Estrela D’Alva. Juntas, elas discutiram a participação da mulher e das pessoas negras em diversas artes, principalmente a direção de cinema. Elas mostraram como essas minorias não são incentivadas a seguir a carreira ou a produzirem seus filmes. Além disso, elas discutiram sobre assuntos como feminismo e movimento negro, além de comentarem sobre a falta de representatividade nos filmes. No final, quando chamaram o público para fazer parte da palestra e discutirem sobre esses assuntos, as palestrantes foram expostas a dois comentários machistas feitos por homens que estavam na platéia e não deixaram passar em branco. Elas reforçaram que as mulheres são unidas, o que contraria a ideia errônea de competição feminina, e capazes de fazer grandes produções independentes da figura do “homem branco”.  

Marina Person (esquerda), Vera Egito (centro) e Roberta Estrela D’Alva (esquerda) discutem o machismo no festival. Foto: Vinícius Lucena

Um evento que vai além

Dessa vez, além da feira gastronômica, composta por vários food trucks nas praças, e dos shows que rolaram nesses mesmos locais, o festival também contou com muita interatividade. Dentro do Instituto Tomie Ohtake, várias marcas disponibilizaram atividades para os participantes, como massagens, espaço para deixar suas inspirações marcadas, locais com wi-fi grátis e carregadores, além de stands para as pessoas tirarem fotos e levarem de recordação. Havia também uma atração chamada “speed dating”, na qual os participantes do festival tinham apenas um minuto para se apresentarem para várias empresas, mostrando seus talentos e as convencendo de que seria uma ótima pessoa para se contratar.

O Festival Path terminou com mais shows e palestras. O evento se mostrou como uma oportunidade para as pessoas colocarem várias ideias novas em prática nos seus negócios, da mesma forma que era ótimo também para descontrair – e desconstruir – todos os tipos de participantes com suas atividades.

Por Fernanda Teles e Vinícius Lucena
fernanda.teles@usp.br | viniciusolucena@gmail.com

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