Girls: o começo do fim

12 de fevereiro de 2017  |  por Sala 33
Girls: o começo do fim

Girls, série de 2012 da HBO, retorna neste domingo para sua sexta e última temporada. Escrito, dirigido e protagonizado por Lena Dunham, o seriado se propõe a retratar de maneira real a vida de um grupo de mulheres de vinte e poucos anos que estão tentando se encontrar e sobreviver em Nova York. O final do programa, anunciado no ano passado, foi justificado pela criadora como algo necessário, agora que ela e as protagonistas estão entrando na casa dos trinta anos, o que forçaria a história a ir para um rumo diferente da proposta original.

Este primeiro episódio  já revela ao público um pouco do destino que a sexta temporada vai ter. Num primeiro momento, fica claro que os episódios finais terão que resolver todos os conflitos que a temporada anterior criou. A quinta foi encerrada com as garotas do título mais separadas do que nunca. Hannah (Lena Dunham) estava perdida em seu trabalho como autora, Marnie (Allison Williams) passava por momentos difíceis após seu divórcio, Shoshanna (Zosia Mamet) tentava se encontrar profissionalmente depois de retornar do Japão e Jessa (Jemina Kirke) lutava para decidir se seu romance com Adam (Adam Driver) seria possível mesmo ele sendo ex de Hannah.

E é com essa questão que o episódio abre. Logo no início vemos que Hannah digeriu (mal) o namoro de Jess e Adam ao produzir um artigo para um jornal. Contudo, a publicação abriu portas, e com isso ela consegue ser contratada por uma revista jovem para escrever uma reportagem sobre aulas de surf para mulheres. O emprego surgiu justamente por ela não se encaixar com o perfil do curso, então desde a primeira cena feita na praia, a comédia aparece. Há uma alternância entre um humor físico — com uma Hannah desengonçada no meio das atléticas moças — e um texto engraçado, meio pelo qual a personagem expõe a todo momento o ridículo da situação, o que torna toda a sequência dos Hamptons memorável.

O episódio transita também muito bem entre os momentos cômicos e os mais dramáticos. Durante sua estadia no litoral, Hannah tem um envolvimento amoroso com um rapaz que destoa do seu tradicional perfil de “homem alternativo neurótico nova-iorquino” e a ajuda a entender e repensar suas escolhas recentes. Marnie, por sua vez, está cada vez mais irritante em seu momento de auto-descoberta e decide que não quer viver com Ray (Alex Karpovsky), mas com isso tem que lidar com a reaproximação dele e  Shoshanna. Há poucas cenas de Adam e Jessa, mas nos minutos em que eles aparecem já percebe-se que o casal está bem próximo e vivendo naquela simbiose alternativa e estranha que tinha sido estabelecida.

Com a sexta temporada, a série atingiu o ponto em que o espectador está tão conectado com as personagens, e se sentindo tão íntimo, que ele torce e se irrita com os rumos que elas vão tomando, como numa amizade antiga. Por isso, é fácil continuar a assistir e se importar com as garotas. Mas o seriado não abusa da confiança e entrega muito além do familiar neste primeiro momento, as piadas estão extraordinárias (tudo que envolve Shailene Woodley), há uma boa sequência de Hannah na balada e os diálogos estão num ritmo acelerado e crítico muito bom.

Parece até que a série de Hannah, garota que na primeira temporada queria ser a voz da sua geração, consegue hoje olhar e compreender melhor a vida dos famosos millennials. E essa compreensão permitiu que Lena Dunham conseguisse escrever episódios mais coesos, com direito a uma pequena zombada dos ridículos aspectos daqueles jovens que lutam tanto para se auto-descrever.

Por Carolina Ingizza
carol.ingizza@gmail.com

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