Provavelmente, você já deve ter se questionado quão próximo da realidade estão os filmes e as séries de ficção científica. Será possível viajar no espaço sem muitas complicações? Naquela velocidade? O astrônomo e grande admirador de ficção científica, Leonardo Mauro, se apresentou no Palco Campuseiro Curador anteontem (3) para tentar sanar todas as nossas dúvidas.

Para ele, os dois principais problemas que o seres humanos enfrentam ao tentar desbravar a imensidão do universo são a gravidade e a radiação gama. O primeiro porque o funcionamento do corpo humano está totalmente adaptado às condições de gravidade da Terra. Sair delas por por um longo tempo pode, muitas vezes, significar a contração de doenças. O astronauta brasileiro Marcos Pontes, por exemplo, quando voltou para solo terrestre desenvolveu diversas alergias.

O outro problema, a radiação gama, ainda não tem uma solução viável. Um dia no espaço equivale a seis dias de exposição aos raios solares. Apesar de não parecer um problema tão grave, ele é um empecilho principalmente quando se trata de viagens de longa duração, como muitas são. A missão da nave espacial Enterprise, da série original de Star Trek, durou 5 anos. Isso equivaleria a 30 anos de exposição ao sol!

Quanto a sistemas de propulsão, três mencionados por Leonardo já são aplicados na realidade, mas em situações diferentes das que vemos nas telas. A propulsão iônica, que envolve o ganho e a perda de elétrons, é eficiente pois permite uma aceleração por muito tempo, o que, em tese, nos daria a possibilidade de explorar vários planetas em sequência sem utilizar quantidades industriais de combustível.

A propulsão nuclear, baseada na energia liberada em reações nucleares, pode ser boa,mas é muito perigosa, pois lida com radiação nociva aos seres vivos. Leonardo mencionou a possibilidade de causarmos um desastre de Chernobyl interplanetário, caso desbravássemos o universo utilizando esse sistema de propulsão. As velas solares, talvez o tipo de propulsão mais limpo, são sistemas em que a nave é impulsionada por reflexões de luz. Ela já é utilizada em uma nanonave atualmente, responsável por reunir informações e imagens do espaço.

Ainda muito distantes do que os seres humanos são capazes de fazer estão o motor de dobra de Star Trek, que permite o voo para galáxias distantes do universo em um curto período de tempo, e o buraco de minhoca, que ficou famoso com o filme Interestelar, lançado em 2014. Além disso, em teoria, outro método para se viajar grandes distâncias em pouco tempo seria a Propulsão de Alcubierre, que permitiria cruzar o espaço em velocidade mais rápida que a da luz.

Talvez, se não conseguimos viajar tão rapidamente, poderíamos então hibernar durante grande parte do tempo da viagem, como no recém lançado filme Passageiros. Errado. A hibernação, além de ter um alto custo, é muito arriscada, pois tem uma manutenção complicada. Leonardo diz que é possível contornar a situação utilizando inteligência artificial, porém, segundo ele, ainda assim haveria uma imprevisibilidade do funcionamento – e, é claro, não teria graça, se o propósito é que os seres humanos viajem no espaço.

Certo, conseguimos viajar grandes distâncias no espaço em períodos curtos de tempo. E agora? Vamos colonizar outro planetas, é claro! Espera aí. Apesar de plausível, a colonização é ainda uma realidade muito distante. Ela teria que ocorrer nas chamadas zonas habitáveis, em que as condições são propícias ao desenvolvimento de vida. Elas não são nem muito quentes e nem muito frias, estão entre 0º e 100º celsius.

Para o futuro, podemos esperar algumas evoluções na ciência que nos permitirão alcançar a ficção científica em certos aspectos. Provavelmente encontraremos novos planetas habitáveis pela espécie humana e faremos a primeira missão interplanetária. Além disso, descobriremos novas fontes de energia e criaremos uma base lunar. O que já está melhor encaminhado talvez seja o lançamento do maior telescópio do mundo, o James Webb, programado para viajar em 2018.

Por Gustavo Drullis
gudrullis@gmail.com

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