A 5° edição do Festival Path chegou a São Paulo trazendo muita inovação e tecnologia por meio de uma programação diversa de debates, filmes e exposições. Esse ano, o festival ocupou diversos lugares da região de Pinheiros e encheu as ruas do bairro com muitos interessados pelo que ele tem a oferecer. Com todos os ingressos esgotados antes do seu início, o evento ocorreu nos seguintes lugares: Instituto Tomie Ohtake, Centro Cultural Rio Verde, FNAC, Cultura Inglesa Pinheiros, Praça dos Omaguás, Museu A CASA e Praça Professor Resende Puech.

O festival atraiu majoritariamente empreendedores e entusiastas interessados nas novidades do mercado, como é o caso da jovem empresária Carolina Puppe (22), que pretende aderir os conhecimentos do festival a sua empresa. “Quanto mais avanços tecnológicos a gente tiver, mais podemos alcançar novas soluções”, diz. Além do perfil empresarial, uma parcela de curiosos foram atraídos pelas diversas palestras do festival, como é o caso da Verônica (33). “Muito interessante, tem palestras sobre tudo. Acabei de sair de uma sobre o propósito da vida, com o Homem Peixe (Henrique Pistilli, surfista). Foi uma palestra transformadora pra começar o dia”, relatou.

Confira a seguir algumas das atrações que o Sala 33 acompanhou durante o Festival Path no dia 6 (sábado):

Como ter milhões de inscritos e não perder a qualidade do conteúdo

Logo no início do dia, a sala “Influenciadores por Celebryts” trouxe para seu espaço os youtubers Cauê Moura (Desce a Letra) e Mari Fulfaro (Manual do Mundo) para falarem sobre suas experiências com o Youtube (já que eles utilizam a rede há anos), o rumo do conteúdo ao longo do tempo e também o desafio de se criar novos vídeos para o canal. Com um tom descontraído e leve, os palestrantes abordaram suas relações com patrocinadores e também das marcas com o conteúdo de cada um dos canais. “Se a marca quer falar com o meu público, ela tem que me deixar falar” disse Mari Fulfaro. Já ao responder uma pergunta do Sala33, Cauê declarou que apesar de ter dito em uma entrevista para Otavio Albuquerque que estava saturado dos vídeos, ele na realidade não pretende parar com a produção. “Hoje eu gosto muito de fazer o que eu faço e eu me vejo fazendo isso por muito tempo ainda. A gente ainda tem muita inspiração, aquilo não representa de verdade a minha opinião em um dia normal”

Mari (centro) e Cauê (direita) falam sobre como é criar conteúdo para o Youtube. Foto: Fernanda Teles

O que esperar do modelo de negócios dos youtuber para os próximos anos

Com a presença de Antônio Tabet (Porta dos Fundos), Otavio Albuquerque (Coisas Que Nunca Vivi) e Natália Duarte (Google), essa foi uma das palestras mais disputadas pelo público do festival – e também uma das que mais rendeu risadas. Durante a atração, os influenciadores falaram um pouco sobre como é criar novos conteúdos para as mídias sociais, especialmente para o Youtube, e como é complicado lidar com as marcas e a sua divulgação publicitária nos vídeos para a rede. Além disso, Tabet conversou com o Sala33 ao final da palestra e comentou que o canal Porta dos Fundos planeja introduzir um novo formato de vídeos, com intenção de inclusive levá-lo para a TV.

Antônio, Natália e Otavio debatem sobre o futuro dos canais de youtube. Foto: Fernanda Teles

A realidade aumentada tornando possível a conquista de novos layers da realidade

Os palestrantes foram Daniela Klaiman (Win Win), Ronaldo Gazel (Animatto), Eduardo Zilles Borba (Professor da USP) e Gustavo Nogueira (Fractal). Após explicarem as diferenças entre o que é realidade virtual, realidade aumentada e realidade mista, os apresentadores da atração comentaram sobre a evolução dessa nova tecnologia que é a realidade aumentada, além de sua aplicação atual e a perspectiva de sua importância no futuro. Sinalizaram que ela será amplamente utilizada daqui alguns anos, comentando até que em cerca de 20 anos provavelmente não existirá mais aplicativos como conhecemos atualmente, sendo a realidade aumentada algo cotidiano na vida das pessoas. “Ela pode ser o futuro da comunicação, até porque ela é um dispositivo de comunicação, uma plataforma de mídia. Não das massas, mas é. E tende a ser uma plataforma de mídia como a tv e o celular são hoje. Acho que o nível informativo que ela gera é muito mais importante do que a imagem de um jogo, por exemplo. Claro, o jogo tem sua importância, mas gerar essa camada de informações sobre as coisas que já são reais vai ser fundamental e vai aumentar nossa experiência, porque mais do que aumentar o nível informativo, vai aumentar no nível perceptível”, disse Eduardo ao Sala33.

Especialistas falam sobre a realidade virtual e o futuro dessa tecnologia. Foto: Vinícius Lucena.

A Revolução das mulheres empreendedoras

A palestrante e empreendedora Ana Fontes (Rede Mulher Empreendedora) trouxe para o festival um pouquinho mais de informações sobre as mulheres nesse mercado de trabalho. Durante a apresentação, ela divulgou dados que coletou em uma pesquisa recente e surpreendeu a plateia tanto de forma positiva, como negativa com seus resultados. Ao dizer que 39% das mulheres empreendedoras tem a sua empresa há mais de seis anos, Ana mostrou um lado bom desse cenário, já que no Brasil, 60% da totalidade de empresas fecha em menos de cinco. Já quando contou que 59% delas não têm acesso a crédito, acabou por evidenciar também as dificuldades para as mulheres que têm negócios.

Ana Fontes mostra os resultados de sua pesquisa sobre mulheres empreendedoras. Foto: Fernanda Teles

O futuro do jornalismo é mais humano

Como atuantes da área de comunicação, os palestrantes Juliana Wallauer (B9), Denis Russo Burgierman (Nexo Jornal) e Leandro Beguoci (Nova Escola) discutiram as possibilidades de jornalismo que poderiam fazer o ramo se tornar mais humano no futuro. Eles se mostraram otimistas em relação a necessidade da profissão nos próximos anos. “Eu não acho que estamos indo no caminho para o desastre, eu acredito no que eu escolhi fazer”, disse Denis.

No entanto, eles demonstraram preocupação diante da atual forma de se fazer jornalismo. Após discutirem sobre os diversos formatos, os palestrantes também trouxeram a tona o assunto polêmico das “fake news” que invadiram as redes sociais.Juliana afirmou que “da mesma forma que a publicidade esgotou as palavras, eu acho que o jornalismo está esgotando a confiança das pessoas”. Além disso, eles comentaram um pouco a importância de realmente escutar as fontes e as outras ideias para tornar o jornalismo mais humano.

Comunicadores dão suas opiniões sobre o futuro do jornalismo. Foto: Fernanda Teles

Como unir youtubers e marcas em prol da diversidade

No final da tarde, o espaço “Influenciadores por Celebryts” trouxe a importante pauta da diversidade à tona, e para discutir esse tema o painel contou com a drag queen Lorelay Fox (Canal Para Tudo), Nátaly Neri (Afros e Afins), Eduardo Camargo (Diva Depressão) e a escritora Clara Averbuck (Lugar de Mulher). O painel trouxe informações sobre como as marcas lidam ou deixam de lidar com a diversidade, além das dificuldades enfrentadas por cada um dos influenciadores na busca por anunciantes interessados em atingir as minorias e produzir conteúdo para esse nicho. Em entrevista ao Sala 33, Nátaly Nery disse esperar que o festival traga ainda mais pessoas negras e trans para debater essas questões no futuro. “Existe um mito muito grande de que essas minorias sociais não estão dentro desses espaços, não produzem conteúdo, não estão inovando, não estão sendo criativas e é muito pelo contrário”

Influenciadores conversam sobre diversidade e minorias no Festival Path. Foto: Vinícius Lucena

Mulher e pornô – rola match

No teatro do Instituto Tomie Ohtake, Mayumi Sato (Sexlog.com), Carol Albuquerque (Conspiração) e Camila Cornelsen colocaram em discussão um assunto considerado ainda um tabu: mulheres que assistem pornografia. Elas debateram sobre a insatisfação das mulheres com a maioria dos filmes pornôs produzidos, além de mostrarem os resultados de uma pesquisa que fizeram sobre o que as mulheres sentem faltam nessa produção. Elas lembraram ainda que não existe uma “regra” para o que as mulheres gostam ou não, já que cada uma é diferente da outra, e deram enfoque para diretoras de filmes desse tipo no Brasil e no mundo. No final da apresentação, Carol e Camila contaram que estão na pós produção de seu primeiro filme adulto, resultado daquilo que elas acham que as mulheres gostariam de ver e Mayumi convidou todas – e todos – a entrarem na sua plataforma e descobrirem mais sobre o assunto.

Mayumi, Camila e Carol mostram seus projetos para o público durante festival. Foto: Vinícius Lucena.

Festival coloca pública para dançar

Além das palestras, o festival também trouxe DJ’s e bandas para animar o público em quatro palcos diferentes espalhados por todo o evento. Esse segmento do Festival Path contou com diversas atrações como BLACKALBINO, Diego Moraes, Anna Tréa e muito mais. Ao som das músicas, os participantes podiam dançar e cantar, mas também apreciar a paisagem do local onde estava o palco ou se entreter com as diversas outras atividades propostas. O Sala33 foi ver um pouco mais de perto a apresentação de Anna Tréa, que reuniu pessoas na Praça dos Omaguás no início da tarde.

Anna Tréa se apresenta no Palco Sol, localizado na Praças dos Omaguás. Foto: Vinícius Lucena

Para muito além de músicas e palestras

O festival também contou com uma Feira Gastronômica recheada de food trucks que serviam desde hambúrgueres gourmets até culinária japonesa. Tinha comida pra todos os gostos, até para os veganos e vegetarianos. Os espaços também foram preenchidos com diversas iniciativas, como o stand de massagem e maquiagem da Universidade Anhembi Morumbi e a Feira de Games que reuniu diversos produtores do cenário alternativo e independente de jogos eletrônicos.

O evento trouxe ainda uma exibição de filmes independentes. Você pode ver quais os curtas exibidos clicando no link que estará disponibilizado no final da matéria.

Espaço gastronômico do festival. Foto: Fernanda Teles

Um festival com altos e baixos

O festival foi bem sucedido em trazer, de maneira dinâmica e interativa, diversas pautas voltadas não só ao mundo do empreendedorismo, mas também ao engrandecimento pessoal e ao debate de questões importantes para a sociedade civil, como a diversidade. Contudo, no que diz respeito à logística do evento, algumas falhas puderam ser observadas, como a escolha de espaços menores do que o volume de público interessado e a má gestão das filas, que, por vezes, causou certo tumulto. Todos os problemas acabaram sendo solucionados da forma mais rápida possível pela organização do festival, que foi capaz de manter a pontualidade das atrações.

Quer saber o que mais rolou no Festival Path? Clique aqui e veja as atrações oferecidas pelo evento! 

Por Fernanda Teles Vinícius Lucena
fernanda.teles@usp.br
viniciusolucena@gmail.com

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